27 February 2011

Rubens Ewald Filho comenta

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O crítico Rubens Ewald Filho comenta o Oscar 2011 ao vivo pela 26ª vez, e já tem um favorito, pelo menos entre os apresentadores: "Anne Hathaway é uma estrela"
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- por Teté Ribeiro

O Oscar é justo?
Não, é muito injusto. Mas é honesto, não existe comprar um prêmio. Não é como um júri de festival, que decide junto quem premiar. Conheço histórias escabrosas de júris de decidem dar o prêmio para o amigo do prefeito, ou do diretor do festival, é uma bandalheira.

Qual o grande filme do ano passado?
2010 foi horrível. Só as animações se salvaram. "Meu Malvado Favorito", "Como Treinar o seu Dragão", "O Mágico" são ótimos. "Toy Story 3" é uma obra-prima. Agora, pertinho do Oscar, veio uma safra de filmes bons, mas de cortar os pulsos de tão deprimentes, como "Inverno da Alma", "Biutiful". Acho que decidiram levar as pessoas ao suicídio.

O que acha dos favoritos, "A Rede Social" e "O Discurso do Rei"?
"A Rede Social" é uma história atual, faz o louvor da desonestidade, do egoísmo, da falta de ética, e é o queridinho da crítica. "O Discurso do Rei" é o oposto, uma história sensível, construtiva, honesta. Eu gosto muito, mas a crítica odeia.

Para qual você daria o Oscar?
Gostei muito de "O Vencedor". Adoro aquela mãe, aquelas filhas. O Christian Bale começa exagerado mas vai aos poucos humanizando o personagem. Acho uma evolução do cinema americano.

E os filmes brasileiros?
Estou animadinho, gostei de vários esse ano. Amei "Tropa de Elite 2", adorei "Antes que o Mundo Acabe", e gostei muito daquele que tem um título de merda, "Os Famosos e os Duendes da Morte".

Gostou da escolha dos apresentadores?
Adoro a Anne Hathaway, é uma estrela. Mas James Franco é um blefe. Não canta, não dança, não é engraçado. Não está bem nem em "127 Horas", um ótimo filme, por sinal.

Suas críticas estão cada vez mais pessoais, não?
Sempre quis ser entendido. Agora me dou umas liberdades mesmo, às vezes falo 'estou velho, não aguento mais ver um filme inteiro com a câmera parada'. Por que não?

Você tem dirigido peças. Está trocando o cinema pelo teatro?
Não, porque foi onde comecei, como ator em um grupo amador de Santos junto com o Ney Latorraca. Eu era o cara do cinema no teatro. Sou apaixonado por dramaturgia, mas demorou para eu ter coragem de dirigir.

Prefere se relacionar com pessoas de teatro ou de cinema?
Sempre andei com gente de teatro. Outro dia estava em Paulínia com o Lázaro Ramos, a Taís Araújo e o Paulo Betti e a gente ficou trocando informações sobre livros, filmes, foi uma noite interessantíssima, fértil de ideias. Quando saio com o pessoal de cinema eles só falam de lei, dinheiro, patrocínio, nada disso me interessa. Eles não assistem a nada, não discutem estética do cinema, é uma chatice.

Tem vontade de dirigir um filme?
Não. Acho eticamente complicado. Acredito que saberia fazer, porque o conhecimento técnico a gente acaba acumulando. Mas é coisa para jovens, tem que ter muita energia, é muito cansativo. Fora isso, se eu errar em uma peça ninguém fica sabendo, tiro de cartaz depois de dois dias e digo que não fui eu, foi aquele Rubens Rewald (risos).

Fonte: Revista Serafina, Folha de S. Paulo, 27/02/11, pág. 34.
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26 February 2011

Incêndios

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Nossa, que soco no estômago!

Este filme é muuuito bom e traz a trajetória de um casal de gêmeos que, ao perder a mãe, descobre que o pai está vivo bem como um irmão de existência desconhecida.

A trama é nervosa e, a cada 'capítulo' revelador (e perturbador), você se dá conta de que as coisas podem ser mais complexas do que se imagina.

A questão: - é possível separar nossas crenças e convicções dos nossos atos? Ou somos apenas reféns de um círculo vicioso da falta de amor?

Uma coisa é certa: quando utilizamos as armas do inimigo nos tornamos iguais a ele (e ao ferir os outros, também nos tornamos vítimas). Mêda!

O final é libertador: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8: 32).

Para saber mais acesse:
  • http://www.cineplayers.com/critica.php?id=2100
  • http://ultimosegundo.ig.com.br/oscar/indicado+ao+oscar+2011+denis+villeneuve+fala+de+incendios/n1238105849405.html
  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/08/incendios-combina-drama-e-tragedia-em-historia-marcada-por-segredos-e-violencia.shtml
  • 14 February 2011

    Bravura indômita

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    Qualquer filme dos irmãos Coen é programaço na certa!

    Porém, não sei se por conta dessa expectativa, ou sugestionada pelo trailer arrebatador, saí do cinema com um gostinho de quero mais.

    A escolha de casting foi brilhante (Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin e a menininha que é uma graça), o corte perfeito de cenas, a narrativa... mas o filme não consegue manter a pegada do início ao fim (a primeira metade é bem mais ágil e interessante).

    De qualquer maneira, vale a pena (como diria uma amiga: a garota mostra mais coragem que os dois grandalhões juntos) hahahaha!

    A história reune três personagens na busca de um assassino que escapou para uma reserva indígena: Mattie (a menina tenaz de 14 anos), Rooster (federal meio velho, gordo, cego e beberrão) e LaBoeuf (ranger do Texas).

    Os protagonistas divergem em comportamento, idade e postura, mas além de compartilhar o mesmo objetivo que é capturar Chancey, são três idealistas e pragmáticos pelo que é correto, justo e decente. E os sentimentos são de pessoas íntegras: carinho, respeito e amor intenso.

    Para refletir: "Fogem os perversos sem que ninguém os persiga; mas o justo é intrépido como o leão" (Pv 28: 1)

    Para ler o capítulo na íntegra, acesse: http://ie6.bibliaonline.com.br/ra/pv/28
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    12 February 2011

    O Discurso do Rei

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    Muito bem feito o filme: a reconstituição de época, a caracterização dos personagens, a escolha dos atores (e que atores)!

    A atuação do casting é brilhante: Colin Firth (convincente e competente, nada caricato), Geoffrey Rush (estupendo como sempre, só não leva o Oscar de coadjuvante porque Bale arrasou), Helena Boham Carter (espetacular, mandando muito bem por meio da comunicação não verbal), Michael Gambon, Timothy Spall, Derek Jacobi...

    Mais do que descrever a história, o roteiro se preocupou em contar o drama privado do personagem: o bullying na infância, a dificuldade em crescer à sombra do irmão, a ausência de um mentor e amigos verdadeiros...

    O que é muito bonito de ver é a postura do protagonista em não se tornar refém do passado (ficando amargo), muito pelo contrário, ele é correto e íntegro (mantendo a dignidade).

    Por outro lado, ainda que veladamente, mostra também a atração e a simpatia por Hitler (não sei se pelo nazismo enquanto propaganda ideológica ou pelo carisma do ditador). Aliás, uma das coisas que me incomodou foi exatamente isto: até que ponto foi uma guerra de interesses ou uma competição de imagem? Porque enquanto o mundo se esfacelava, a preocupação dos políticos era manter a aparência.

    Falando em política, de uma certa forma os personagens representavam as classes: o arcebispo representava a igreja (manipulação e poder), Lionel representava o mentor (mesmo que o professor saiba claramente o potencial do aluno, a liberdade de escolha ainda é do aluno). Muito bacana a postura de Berthie, ele não se deixa levar pela opinião dos outros; educado porém firme, mostra que a palavra final, a decisão é dele.

    Outros papéis menores, porém não menos importantes: a esposa do rei (que encoraja, se importa e quer o melhor para ele) e a esposa de Lionel (que sabiamente e eticamente mostra que o professor ultrapassou os limites e precisa pedir perdão).

    Melhor frase do filme: - o rei faz o que quer ou aquilo que a nação espera que ele faça?

    É... por mais problemas que uma instituição enfrente, todo líder também tem seus dramas pessoais.
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    11 February 2011

    O Concerto

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    Kekeéisto?

    Este filme é muuuito bom (doido) rs!

    Andreï Filipov é um competente maestro do teatro Bolshoi que, por defender os judeus em sua orquestra na época do comunismo, foi rebaixado a faxineiro. Trinta anos depois, surge uma oportunidade para "apresentar-se" em Paris, e ele não mede esforços para reunir os músicos de outrora.

    Cada um vai levando a vida como pode: um virou motorista de ambulância, a outra recepcionista de museu e por aí vai. Para complicar a situação, tem a questão cultural: falta de comprometimento, bagunça generalizada... Algumas cenas são surreais, como por exemplo um acampamento cigano (não sei por quê, mas parecia uma tela de Marc Chagall em movimento, fiquei encantada) rs.

    Embora o diretor utilize clichês estéticos de narrativa (o que faz o espectador entrar numa zona de conforto), a trama vai se tornando mais complexa...

    O que mais me marcou foi a questão: - o que é arte? E qual o seu poder?

    No filme, a música que é uma das mais sublimes expressões, tem a capacidade de agregar pessoas e despertar o que há de melhor nelas por um bem comum, por uma causa. Ou seja, por mais que os interesses sejam divergentes, as pessoas, as motivações... elas vão como estão (esfarrapadas e enferrujadas) rs e o amor tem o poder de reuni-las e faz emergir nelas o que cada uma tem de melhor.

    Nem preciso dizer que chorei cântaros!

    O final é surpreendente, não deixe de assistir (vale muuuuito a pena ; )!

    07 February 2011

    O Vencedor

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    Um filme bem feito, honesto e emocionante.

    E gentem... vamos combinar, a interpretação do Bale está de arrasar: o cara merece muuuito levar o Oscar de coadjuvante!

    O roteiro traz a história de uma família disfuncional: o filho mais velho foi um lutador de sucesso e agora é um treinador afundado em drogas; a mãe fatura negociando lutas, mesmo que isto coloque a vida do caçula em risco, as irmãs são umas parasitas...

    O mais lindo de ver é que o protagonista não nega as raízes, mostra humanidade e tenta manter sua dignidade e integridade na medida do possível.

    Outra coisa bacana é o papel dos amigos: a namorada que quer o melhor para ele, o pai que o aconselha e também fica ao lado dele (mesmo que tenha de enfrentar represálias), o ajudante de treinador que não desiste e o defende...

    E você? Também tem uma comunidade de amor em torno de você, para apoiar e proteger?

    É muito bom fazer parte de um grupo, receber cuidado; mas lembre-se: a decisão final sempre é sua.

    05 February 2011

    Cisne negro

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    Gentem, que triller psicológico!!!

    Quase não consigo dormir, aff...

    Natalie Portman está e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r! A atuação é tão brilhante e visceral (impossível não se angustiar), que se ela não levar o Oscar é porque tem 'tetra' na premiação (rs)!

    Nina é uma dedicada bailarina que almeja o mais alto posto na sua companhia de dança: o Cisne Negro. O diretor artístico conhece sua competência, mas quer e exige mais dela. A mãe, uma bailarina frustrada, vive em função dos interesses da filha. E o ambiente na companhia, bem...

    A história acaba sendo uma metáfora:
    - da menina que vira mulher;
    - do trabalho que extrapola os limites privados;
    - da cobrança familiar que às vezes mascara frustrações pessoais;
    - da competitividade e deslealdade invisível* no ambiente corporativo;
    - da opressão que é viver com os valores e expectativas dos outros;
    - da solidão (ausência de amigos e mentores) que intensifica a angústia;
    - da insegurança que é querer agradar todo mundo para obter aprovação;
    - da loucura que é buscar a perfeição e esconder de si mesma os próprios anseios.

    A personagem parece ser ela apenas em dois momentos: quando conversa com o diretor artístico pedindo o papel e quando pergunta o que ele quer de verdade (após exaustivos treinos e ele só demonstra insatisfação).

    Duas perguntas: a insegurança é inerente ou decorrente da imaturidade? E a pressão (externa e interna), será que dá para administrar sem descer do salto (ou melhor, tirar a sapatilha) rs?

    O final é pungente (calma, não vou contar)...

    Melhor frase do filme: - Nina, a sua maior inimiga é você mesma (mêda)!

    * Veneno embalado em papel celofane: presente também no excelente A Fita Branca.

    “A rivalidade machuca os bailarinos”

    Diretora da companhia de dança Cisne Negro, Hulda Bittencourt analisa o filme de Darren Aronofsky e traça paralelos entre o roteiro e a vida real

    - por Flavia Martin

    Cisnes Branco e Negro
    “Geralmente quem faz cisne branco não faz cisne negro. As exigências técnicas de um e de outro são diferentes. É impossível uma pessoa sair de um personagem como o cisne branco, que é puro e angelical, para um cisne negro forte”.

    Rixas
    “A rivalidade no trabalho sempre machuca muito os bailarinos. Por mais que sejam amigos, que trabalhem juntos... A competição artística é uma ferida grave”.

    Técnica x arte
    “O diretor insiste que ela seja mais artística do que tecnicamente perfeita. Ela tem de deixar as pessoas sem respiração. Senão é um exercício a mais, é educação física e não arte. Não acredito em dança técnica”.

    Cotidiano
    “Há elementos ali que acontecem todos os dias. O problema com os pés, os ferimentos, a dor, o massacre da sapatilha para ficar flexível. A profissão exige muito do físico e da cabeça. Não pode sair, não pode beber. Não pode, não pode”.

    Preparação
    “Consta que ela (Natalie Portman) fez oito horas por dia de dança. Se fez, sete horas e meia foram só de treino de braços, que são muito importantes em O Lago dos Cisnes. A gente vê que ela tem certa experiência de dança, por mais perfeita que seja a tecnologia do cinema de hoje em que tudo é possível... Ela não é bailarina, mas fez um trabalho de qualidade”.

    Direção
    “Ela é muito mais filmada da cintura para cima, porque usa muito os braços. Em uma seqüência, vemos cada músculo usado para que aqueles braços de cisnes aconteçam”.

    Aposentadoria
    “Todo bailarino sabe que tem seu limite e que chega a hora de parar. Chega um momento em que o corpo já não obedece mais como obedecia no passado. O filme mostra bem esse momento”.

    Fonte: Revista da Folha, 6 de fevereiro de 2011, página 44.

    01 February 2011

    Inverno da alma

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    Filmaço!

    Tão surpreendente que nem parece americano ; )! A atriz principal arrasou, mandou bem do começo ao fim. E o tio dela? Wow, filme de atores, vale muuuito a pena!

    A história é narrada num ritmo lento, o que favorece a reflexão. Você pensa na dureza que é a vida fora dos grandes centros urbanos, o amadurecimento precoce das crianças, o interesse político nos alistamentos militares, o papel social opaco dos homens na micro-sociedade, a postura das mulheres...

    Ree tem 17 anos, uma mãe depressiva, dois irmãos pequenos e um pai, fugitivo, que deixou a casa como garantia... Para a família não perder a propriedade e manter-se unida (mesmo que aos trancos e barrancos), ela precisa encontrar o pai.

    A atitude desta menina é encorajadora: responsável, segura, mas ao mesmo tempo amorosa, íntegra, sábia, leal... Passa por diveeeeersos perrengues, ensina os irmãozinhos a se virarem caso ela falte (não podem contar com a mãe), enfrenta inúmeras adversidades... Em nenhum momento você a vê amarga, vítima da situação, revoltada, julgando ou buscando explicações. Ela é objetiva, prática e segura do que quer.

    O ambiente que a cerca é nocivo, cheio de maldade, mentiras... E os que deveriam nutrir, são os que mais ferem. O tempo todo tentam demovê-la de encontrar o pai, mas Ree é firme. O que me chamou a atenção foi ver que até os malvados se sensibilizaram e mostraram humanidade com ela, dentro dos parcos recursos emocionais que eles tinham, claro.

    Me pergunto se na vida real não existem pessoas piores do que essas, com o coração tão cicatrizado, que perderam até a noção do que é ser humano... enfim.

    Melhor frase do filme: "nunca peça o que deve ser oferecido".

    31 January 2011

    Um lugar qualquer

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    Gentem, que filme chato (rs)!

    Sempre gostei do olhar poético da Sofia Coppola (Encontros e Desencontros, Maria Antonieta), mas nesse filme acho que ela se perdeu...

    E justamente no que levou o Leão de Ouro no último Festival de Veneza, presidido por Quentin Tarantino, ex-namorado dela (afff, não dá para confiar nem na política do entretenimento) rs!

    É um filme do nada sobre lugar nenhum (rs)...

    O momento mais tocante é a cena em que o pai brinca com a filha, fingindo tomar chá dentro da piscina do hotel... preste atenção na trilha sonora deliciosa ; )!

    Maaaaas isso tb aparece no trailer, então por que pagar... hahahahah!

    28 January 2011

    Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas

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    Gentem, que filme arrastaaaaado, afff!

    A história é meio surreal: as pessoas se relacionam com mais naturalidade com os mortos do que com os vivos (aliás, os 'mortos' tem mais humanidade que os vivos) rs!

    É a falecida cuidando do doente (porque o enfermeiro abandonou o paciente), a verbalização dos sentimentos (que nos vivos fica truncada)...

    O que será que quiseram dizer com isso? Que é mais fácil lidar com aquilo que temos controle (projeções idealizadas) ao invés da realidade?

    Sei lá, na minha opinião a vida real já é tão complicada e o tempo escasso para buscar explicações e justificar a culpa pelo que fizemos em outras reencarnações (como diria Saramago, as pessoas gostam de histórias por causa da lógica, mas a vida não faz o menor sentido) rs!

    Voltando ao filme, mesmo entendendo um pouco da cultura oriental, achei-o um pc hermético: a princesa que quer viver de ilusão (narcisismo) ao invés de aceitar e viver plenamente a realidade, a cerimônia em que todos estão de preto (quando deveriam estar de branco), o pragmatismo da família ao relacionar os valores contidos nos envelopes... Será que a morte acontece toda vez que o ocidentalismo prevalece sobre os valores orientais (ou melhor, quando você abre mão dos seus valores em decorrência da pressão do grupo, daquilo que os outros esperam de você)?

    A seqüência final é para encerrar com chave de ouro: o monge que quer tomar banho com água quente, vestir jeans, tênis, comer e assistir TV (mais anestesiante, impossível)!

    Afinal, quem é que está 'morto'?

    Porque quando o corpo está descolado da alma (divórcio entre o que se faz, fala e acredita), a pessoa já morreu faz tempo...

    PS- Apesar do filme ser tailândes, vale a reflexão:

    Um jeito diferente de ver as coisas - japas x brazucas

    - por Ayami Tanaka

    Os japoneses valorizam cada mudança de estação como se não fossem mais ter no próximo ano. Apesar de que muita coisa é preciso esperar um ano pra ver de novo. Como é o caso das flores de sakura (cerejeiras) e do koyoo (outono).

    Nesse aspecto eu acho os japoneses muito mais sensíveis que os brasileiros. Falamos que eles são frios e tal, mas todos cuidam pois querem usufruir de novo nos próximos anos.

    E lá tem uma época que chove muito, chamada de tsuyu, garoa por mais de um mês. Daí, em alguns templos vc encontra o objeto de metal, que não sei o nome para que vc possa ouvir o som da chuva fazendo eco, só mesmo os japoneses...

    Porque assim vc não fica naquela neura, putz que dia chato, tá chovendo... muitas vezes só reclamamos. A gente precisa demais da água e só damos valor qdo falta água na própria casa, não é mesmo?

    Se todo mundo aprendesse a valorizar o tempo que tem nas pequenas coisas, o mundo seria melhor.

    27 January 2011

    O Mágico

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    Inspirado no roteiro de Jacques Tati, este desenho animado é candidato ao Oscar e foi dirigido por Sylvain Chomet, o mesmo realizador de As Bicicletas de Belleville.

    Sem nenhum diálogo (algumas frases esparsas em francês, inglês e em outra língua nórdica que não consegui identificar) rs, a poética história narra os percalços de um mágico que de certa forma, parece com a trajetória de todos nós.

    Uma carreira gloriosa, o advento da tecnologia, a mudança de gosto do público, as inconveniências da profissão, a aproximação interessada de alguns, a exploração e falta de caráter de outros, o medo infantil, a inabilidade em comunicar os sentimentos, a decadência... mas o final (pelo menos para mim) foi redentor.

    Porque apesar de tudo: os papéis que desempenhamos, as pessoas com as quais cruzamos ao longo da vida, as expectativas não realizadas... nada disso define você.

    O que vale é seguir em frente, mantendo sua essência e integridade.

    PS- Preste bastante atenção no final, nas duas escolhas que ele faz, e depois me conte se não concorda comigo ; )!

    26 January 2011

    Biutiful

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    Para variar, o Javier Bardem está soberbo, o cara manda bem meeeesmo!

    O filme é desconfortável, mostra uma Barcelona feia, suja (até parece filme brasileiro, só tem desgraça) rs... Como sempre, Iñárritu apresenta uma miscelânia global: chineses que 'fabricam' produtos piratas, senegaleses que vendem a mercadoria juntamente com drogas e depois são deportados... e o personagem de Bardem é a ponte que une todos os núcleos.

    De certa forma, não deixa de ter uma carga social, pois a Espanha de hoje tem quase 40% de desempregados na faixa etária de 25 a 40 anos, e os bicos de Bardem é que garantem as contas no final do mês, ele tem dois filhos blábláblá...

    A questão é: - por mais 'humanidade' que ele tenha, é correta a sua postura? E o que dizer do comportamento dos 'ditos' protegidos, mostra lealdade à 'consideração' que ele teve por eles?

    É, o mundo está biutiful mesmo.

    25 January 2011

    Amor e outras drogas

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    Para quem quer conhecer a indústria farmacêutica, o filme é um prato cheio (mostra a maneira dos propagandistas trabalharem, como funciona o lançamento de medicamentos, abordagem para os médicos indicarem os remédios)... mêda!

    Como pano de fundo, o conto de fadas "felizes para sempre" que perpetua até os dias de hoje, embalado em outras roupagens, claro (rs).

    Será que as pessoas acreditam mesmo que a comunicação acontece quando há troca de palavras rudes e afastamento ao invés de verbalizar o que de fato se sente? Que poderão encontrar a intimidade por meio de sexo casual? Que serão compreendidas e aceitas indubitavelmente, quando nem elas conhecem a si mesmas?

    Claro, é melhor serem dois do que um, pois um cordão de três dobras é mais difícil de quebrar (sentimo-nos mais encorajados em prosseguir quando não estamos sozinhos), mas precisamos ficar atentos para não usar o outro como muleta.

    A jornada de autoconhecimento (luz e sombras, pontos fortes e complexos) é individual.

    19 January 2011

    O Turista

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    Fui na pré-estreia com bastante expectativa, afinal os protagonistas (Johnny Depp e Angelina Jolie) haviam sido indicados ao Globo de Ouro e Florian Henckel von Donnersmarck dirigido o surpreendente A Vida dos Outros e...

    ... bem, as locações são belíssimas, assista pelas cenas em Paris e Veneza (rs)!

    18 January 2011

    Fateless

    Marcas da Guerra
    Györg, de 14 anos, sobrevive a Auchwitz e Buchenwald. Finda a guerra, mostra a recusa do rapaz em deixar-se definir pelos horrores que passou nos campos de concentração.

    16 January 2011

    Em busca da Terra do Nunca

    08.01.10
    "Basta sermos felizes neste mundo, que querem destruir tudo".

    15 January 2011

    Clube da Felicidade e da Sorte

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    Quando há dor e feridas não curadas, você busca felicidade, sorte ou esperança?

    A verdade é que se a gente não cuidar do próprio jardim (ao invés de perder tempo vigiando o quintal dos outros) rs, é muito fácil os ciclos se repetirem.

    O filme mostra a vida de quatro amigas chinesas e a história de suas famílias. O mais louco é que as maiores dores estão relacionadas ao passado ou futuro (e o presente, que é mais importante, deixa de ser vivido).

    Algumas reflexões:
    • a generosidade se faz presente quando passamos a enxergar o outro (alteridade);
    • só podemos dar aquilo que temos dentro de nós mesmos;
    • cuidado para não tornar-se prisioneiro do medo ou refém do olhar dos outros;
    • a tristeza acontece quando um sonho ou uma expectativa não se realiza, mas o desafio é olhar para frente;
    • seja proativo ao invés de passivo ou reativo (circunstâncias ou comportamento dos outros);
    • dê colo à criança que você talvez nunca foi (se desde sempre você foi um adulto responsável);
    • nunca sufoque sonhos e desejos em função daquilo que você acha que os outros esperam de você;
    • o desafio é fazer da nossa vida um local de encontro (mas para isto o nosso coração precisa estar reconciliado).

    O momento mais tocante é quando uma das mães fala à filha: "- Eu te enxergo; você tem estilo. Todos querem o melhor; você nem percebeu, mas fulana pegou o melhor caranguejo. Você, não; porque você tem o melhor coração".

    14 January 2011

    Oceanos

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    Um dos filmes mais deslumbrantes que assisti nos últimos tempos!

    Direção de fotografia, edição de som, montagem... tudo perfeito neste documentário francês que, de maneira surpreendente, mostra a vida animal marinha.

    Você vai ver bichos que nem imaginava existir (e suas cores exuberantes), performances exóticas (o tempo todo tentava imaginar como conseguiram filmar as cenas com aquela riqueza de detalhes e sons) bem como a luta pela sobrevivência (fiquei chocada com o momento de nascimento das tartarugas, tão lindas, e ao correr em direção ao mar, são atacadas por um bando de aves).

    O filme é tão bonito, que quando terminou, ninguém saiu da sala (não 'sossegamos' até vermos tudo, inclusive as cenas em que subiam os créditos) rs.

    13 January 2011

    Tetro

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    Apesar de ter gostado do trailler, demorei para assistir porque duas pessoas próximas não tiveram boas impressões e fiquei sugestionada.

    Mas sabe que não é tão ruim (risos)?! Porque até um Coppola pequeno consegue ser bom.

    Dizem que o roteiro é autobiográfico, o que já o torna instigante (mais risos).

    A fotografia é linda, a atuação é dantesca (meio exagerada), as referências cinematográficas inspiram (fiquei com vontade de ver os filmes citados) e o final é muito louco (mas passível de ser real, porque afinal a vida não faz o menor sentido)!

    Vá ver e depois diga se não concorda comigo (rs)...

    12 January 2011

    Amor sob contrato

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    Esta comédia mostra uma família fake que, por meio da inveja, estimula quem está ao redor a consumir os produtos que eles usam (no filme essa técnica é chamada de marketing invisível).

    E claro que, como não existe família ideal, a encenação toda vai por água abaixo (rs).

    Reflexões interessantes:

    • fazendo um paralelo com o filme, até que ponto os twitters de hoje, não manipulam sua legião de seguidores?
    • é possível representar uma farsa por quanto tempo? ou melhor, será que as pessoas vivem tanto tempo com uma máscara, que não sabem mais diferenciar quem são de fato dos papéis que desempenham? ou será que é dor demais para encarar a realidade, por isto escondem-se atrás de um personagem?
    • como você lida com a família? escolhe amar e ser leal ou tem uma relação utilitarista?

    11 January 2011

    José & Pilar

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    Gentem, que chatice sem fim este filme!

    Claro, é um documentário... Claro, mostra a vida como ela é.

    Então vamos lá (rs): montagem e edição perfeitas, trilha sonora adequada...

    O que achei bacana: saber que Saramago nasceu numa aldeia muito simples, foi alfabetizado e levou uma vida normal até tornar-se escritor aos 60 anos. E quem tem olhos para ver e é criativo, enxerga beleza nos lugares mais improváveis e extrai daí inspiração (qdo ele diz que está preocupado em escrever romances enquanto a mulher está preocupada com a vida e ele já não sabe o que é mais importante; ou quando escolhe um tema para escrever ao observar um simples objeto no museu).

    A parte não bacana: claro, não existem carrascos sem vítimas, mas achei a Pilar um pc trator. O Saramago era apaixonado por ela, não tenho dúvida, mas...

    Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é, não é mesmo?

    Uma reflexão: perto da morte, até para um ateu como ele, seu maior anseio era por mais tempo e vida.

    10 January 2011

    Além da Vida

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    Clint Eastwood é puro cinema, sempre me surpreende: direção primorosa, casting perfeito, roteiros amarrados, diálogos verdadeiros... Não tive o privilégio de conhecê-lo como ator (lembro apenas de A Ponte de Madison), mas como diretor ele manda muuuuuito bem: Os Imperdoáveis, Cartas de Iwo Jima, Gran Torino, Invictus e agora Além da Vida.

    O novo filme costura 3 histórias marcadas pela morte: uma jornalista que sobrevive a uma catástrofe, um médium que carrega seu dom como uma maldição e uma família destroçada pela tristeza escolhida e inesperada.

    A jornalista é uma excelente profissional, dedicada, competente e admirada por sua argutez, que coloca em xeque sua reputação quando resolve enxergar de outra forma (não mais a racional). O médium vive o desafio de escolher a vida ao invés da morte. E o gêmeo que perdeu a família (e não consegue interagir com as pessoas próximas) tem de aprender a viver com ele mesmo.

    Reflexões:
    • Por que 'descartar' alguém quando a pessoa não faz mais aquilo que 'esperam' que ela faça? Por que tratar as pessoas como se fossem apenas mais uma peça da engrenagem? Achei bacana a postura do presidente do grupo quando pede desculpas (mostra humanidade) e, apesar de não concordar com a proposta, apoia e se propõe a mostrar caminhos para que ela viabilize o projeto.
    • Tem uma hora na vida que você só pode contar com você mesmo, porque às vezes o que as pessoas esperam que você faça, não é aquilo que é melhor para você (os 'conselhos' não levam em consideração o que você de fato sente sobre o assunto; até mesmo os 'irmãos' podem estar 'aconselhando' em proveito próprio).
    • Não podemos nos esconder por trás das fatalidades e deixar de viver uma vida plena e abundante pelo medo de errar. É na vida que se aprende a viver, não podemos escolher as dificuldades que vamos enfrentar (às vezes de onde deveria vir acolhimento e nutrição é de onde vem as maiores dores e decepções), mas o que conta não é o quanto fomos feridos, mas como vamos reagir com o que fizeram conosco. Será que não é um desafio para crescer, uma oportunidade de assumir as próprias escolhas e construir uma nova possibilidade?

    O final é tocante porque a vida não é feita de solilóquios, mas de interdependência. Não temos controle nem mesmo para viver uma vida 'normal', simples... mas podemos nos abrir para aprender a viver.

    08 January 2011

    72 Horas

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    Qualquer projeto com o Russell Crowe é programaço na certa!

    Remake de um filme europeu, conta a história de um casal, cuja mulher é presa por um crime, mas o marido acredita na inocência dela embora todas as evidências indiquem o contrário...

    Meus olhos encheram-se lágrimas particularmente numa cena em que a mulher, embrutecida por tudo aquilo que está vivendo (está tão em choque, que perdeu a fé em si mesma), é 'salva' pela lealdade do marido.

    Porque a confiança e a força dele que a norteiam, sustentam e impedem que perca a sanidade (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência ;)!

    07 January 2011

    Um Bom Coração

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    O filme mostra o encontro de dois deslocados na sociedade: um jovem indigente que tenta o suicídio e um velhaco sobrevivente ao 5o infarto, que decide 'ajudá-lo'.

    O bacana da história é que nada é previsível: os diálogos, as reviravoltas, os desfechos... e não é assim que é a vida?

    06 January 2011

    Primeiro ele disse

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    Este filme italiano é beeeeem divertido.

    Conta a sucessão de uma família que é proprietária de uma fábrica de macarrão, mas que nenhum dos filhos quer assumir o comando porque... bem, aí vou estragar o final, certo (risos)?

    05 January 2011

    Fora da lei

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    Uma família é despejada da propriedade de seus ancestrais porque não tem um 'papel' provando que o terreno é deles.

    Ao longo da história, todos passam por desventuras e injustiças; mas o tocante é como cada um escolhe reagir.

    Que armas são estas que usamos para nos 'proteger'?

    Ferir os outros é da natureza inata do ser desumano ou uma justificativa tacanha para a circunstância?

    16 December 2010

    Film Socialisme

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    Lá vou eu embarcar na estética de Jean-Luc Godard (belíssima por sinal), mas capotei de sono e não entendi patavina (rs)!

    15 December 2010

    Crônicas de Nárnia - a viagem do peregrino da Alvorada

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    Apaixonada pela narrativa de C. S. Lewis embarco na saga dos irmãos Edmund e Lucy que, por causa da guerra, encontram-se alojados na casa do primo mal-humorado-e-sem-imaginação (rs) Eustáquio.

    Melhor momento do filme: - Lucy, a maior beleza é ser você mesma!

    07 December 2010

    A origem

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    Um dos filmes mais incríveis, desafiantes e instigantes que assisti na vida!

    Christopher Nolan é indiscutivelmente um dos melhores diretores da nova geração!

    Ele consegue conjugar cinema comercial com arte, fascínio com inteligência, entretenimento com complexidade.

    Assista e depois diga se não concorda comigo (rs).

    Para saber mais sobre este fantástico filme, acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Origem

    06 December 2010

    A Rede Social - post II

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    Ontem revi A Rede Social e notei uma grande diferença entre o modo da aristocracia e da plebe viver suas experiências: enquanto que o crème de la crème interagia presencialmente nas diversões (festas no campi) e com integridade (olho no olho durante o processo judicial), a massa se contentava em divertir-se virtualmente e sem a capacidade de encarar o outro.

    Se ao menos houvesse uma revolução!

    Infelizmente a motivação era invejosa e o anseio focado no acesso aos privilégios (poder sem responsabilidade).

    28 November 2010

    A Rede Social

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    Facebook: ninguém faz 500 milhões de amigos sem ganhar alguns inimigos. Este é o slogan do filme mais perturbador dos últimos tempos.

    A direção de David Fincher (Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button) está magistral e perfeita: casting, diálogos, cortes de cena... tudo muito rápido, um soco após o outro... aff!

    Reflexões que me tiraram da zona de conforto: o dilema ético dos gêmeos (grandeza de caráter x justiça), o papel do líder (reitor de Harvard, obsoleto e omisso), a capacidade criativa e destruidora (falta de moral e deslealdade) de Mark, o poder e o sucesso a qualquer preço (abrindo mão do amor, que se manifesta nos relacionamentos), o 'show' da manipulação (Sean Parker, o inventor da Napster), a 'ingenuidade' em achar que os outros pensam/agem com os mesmos critérios que a gente (Eduardo Saverin, o sócio brasileiro), a ausência de mentores (como diria Paul Tournier, a nossa geração deve pedir perdão por deixar de herança um mundo doente)...

    Para saber mais sobre o filme, leia a matéria arrasadora "Um verdadeiro mito", publicada na Veja 2193 (páginas 214-219).

    29 September 2010

    O pecado de Hadewijch

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    O filme é um pc hermético, mas reflexivo: - quem é o pecador?

    Não basta ter boa intenção, é preciso ter coração.
    Não basta falar, é preciso agir.

    Não adianta buscar só a verdade. Ela sempre precisa vir acompanhada de amor.

    27 September 2010

    Waiting

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    Este curta está sendo exibido na 29a. Bienal de Artes em SP.

    Planos longos, com enquadramentos perfeitos, iluminação, fotografia, edição, sonorização... a diretora mandou bem ; )!

    24 September 2010

    Cartas para Julieta

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    A coragem de desejar, sonhar e amar na 3a. idade (afinal só temos uma vida)!

    O desafio de acreditar nos próprios sonhos, dando os primeiros passos na concretização (fazer acontecer).

    Porque às vezes é preciso abdicar da vida que temos, para abraçar um universo repleto de possibilidades que vão além de nosso controle e compreensão.

    13 September 2010

    Mary & Max, uma amizade diferente

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    "Ninguém é perfeito, todos temos defeitos. Ninguém pode escolher seus defeitos, mas pode escolher os amigos".

    11 July 2010

    Mentiras sinceras

    separated lies
    Separated. Diferente. Separado. Dividido.
    Lie. Mentira. Estar, encontrar-se. Esconder-se.

    Que filme inteligente. Também: Tom Wilkilson, Emily Watson (os dois só fazem filmes bons) e inglês, claro (mestres na sutileza...)!

    Mas afinal, quem está mentindo para quem? E o que é mentira?

    A melhor frase é a da empregada quando diz que "a ocultação da verdade não deixa de ser uma mentira". Ou ainda quando afirma que, "como londrina, seria incapaz de mentir" (mas é a 1a. a mentir descaradamente para o investigador de polícia) rs.

    Quando mentimos? Quando é conveniente para nós, para proteger os outros.

    Para quem mentimos? Aos outros, àqueles a quem amamos, a nós mesmos (sempre a pior mentira).

    Muito doido pensar que a função do advogado é defender a verdade e este é o 1o. a tentar encobri-la...

    05 July 2010

    O Brilho de uma Paixão

    Brigth Star
    Fui assistir num misto de expectativa e encantamento: primeiro porque o trailler está de arrebentar (atuação brilhante dos atores e figurino de encher os olhos), segundo por causa do enredo e terceiro pela direção do projeto (a mesma diretora de O Piano).

    O filme conta a história do poeta inglês John Keats no período em que se apaixonou pela vizinha, uma jovem de classe média alta. Na época, a diferença sócio-econômica não permitia que os dois se relacionassem, porém não foi empecilho para que desenvolvessem uma amizade encorajadora que claro, descambou para uma paixão contida.

    O que gostei (além dos atores e do figurino) rs: a beleza da poesia, a descoberta dos sentimentos por meio das palavras, o cuidado e o respeito que ambos tinham no sentido de preservar e buscar o que fosse melhor para o outro.

    O que achei estranho: se a menina era tão voluntariosa, por que não entrou de cabeça e defendeu seu ponto de vista (por que não deu a cara para bater e foi junto com ele para a Itália)? Até que ponto nossas atitudes e sentimentos estão divorciados da nossa fala?

    O que achei que poderia melhorar: que edição arrastada, afff! E uma trilha sonora não ia fazer mal a ninguém (rs)...

    08 June 2010

    O Profeta

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    Wow, que filmaço!

    Quase três horas de duração, e mal consigo conter a expectativa: cada cena é pavimento para a cena seguinte, cada episódio é construção (ou desconstrução) da vida do personagem.

    Quem é Malik?

    Anjo, demônio, vítima da circunstância, manipulador...

    Onde ele esteve? Onde ele está? Para onde ele vai?

    Qual é a dele, afinal?

    E você?

    07 June 2010

    O Pequeno Nicolau

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    Que filme delicioso: a construção dos personagens, os diálogos inteligentes, os bem-humorados mal entendidos (rs), o roteiro rápido que surpreende a cada momento!

    E até que ponto não é uma metáfora dos joguinhos que as pessoas adoram montar e que quase sempre montam ao contrário?

    05 June 2010

    Coco & Igor

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    Que direção de arte primorosa! Figurino, cenário, costumes... E os atores mandaram muito bem!

    Chanel era uma mulher única, segura de si, independente... Mas quando termina a mulher e começa o mito?

    O filme mostra a fase de sua vida em que perde o amante em um acidente de carro. Chanel vai ao teatro ver uma apresentação de balé russo (lindíssimo por sinal) e a plateia reage de maneira selvagem e grosseira. No entanto, ela sai fascinada com a criação e resolve patrocinar o compositor.

    Paixão? Aglutinação? Competição?

    Acredito no amor, mas quando não se leva em conta o sentimento de outras pessoas envolvidas...

    02 June 2010

    Viajo porque preciso, volto porque te amo

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    Animada com as críticas da Folha, que davam como ponto forte 'o Brasil que poucos conhecem', lá fui eu perder tempo com uma das maiores decepções do cinema nacional.

    Fala sério!

    Estes críticos não valem nada mesmo (rs), recomendo que assistam 'Cinema, Aspirinas & Urubus', 'Abril Despedaçado' e 'O Céu de Suely' para conhecer o Brasil, ora esta!

    24 May 2010

    Os homens que não amavam mulheres

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    Deus capacitou-os para cuidar e proteger, mas quantos não machucam e ferem ao invés de nutrir?

    Por isto Lisbeth se apega ao único homem íntegro que aparece em seu caminho (mais uma vez, um caso de submissão) rs.

    A frase da vez (soco no estômago) é: "Escolhemos ser quem somos".

    21 May 2010

    Robin Hood

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    Dá até gosto de ver um filme bem feito: direção de arte primorosa, atuações brilhantes, casting excepcional, roteiro consistente... Ripley Scott mais uma vez arrasa. E que final foi aquele?!!!

    Mas o que me encantou foi a visão criativa sobre a personagem Lady Marian: madura, batalhadora, forte, inteligente e ao mesmo tempo observadora, doce e submissa. Submissa?

    Sim, temos uma ideia deturpada do que é submissão, logo imaginamos alguém que é capacho dos outros, mas não é nada disto.

    Mais do que ser gueixa (as mulheres mais educadas da sociedade japonesa antiga, que escolhiam quem iriam entreter), ser submissa significa fazer parte de uma comissão na qual você só entra se acreditar de verdade na causa.

    A questão é: você tem exercido o seu direto de escolha nas lutas pelas quais se envolve?

    Qual é a luta/causa do seu homem?

    18 May 2010

    Mademoiselle Chambon

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    Jean é bom pai, bom filho e bom marido. Como um bom pedreiro, ele acredita que uma boa fundação é essencial para construir todo o resto.

    Mas suas convicções são colocadas à prova quando se apaixona por mademoiselle Chambon, a professora de seu filho.

    De universos completamente diferentes, ele entra num dilema: abre mão dos valores que sempre acreditou ou resiste a este amor que pode ser único em toda a sua vida?

    A vida não é feita de escolhas fáceis...

    21 April 2010

    Diário Perdido

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    Que grata surpresa! Um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.

    Como qualquer produção francesa, aborda a difícil arte de se relacionar, mas neste caso foi além ao mostrar que as coisas podem ser piores do que se imagina.

    Às vezes aquilo que mais tememos mostrar (por ficarmos vulneráveis) é exatamente aquilo que tem o poder de unir e nos humanizar.

    19 April 2010

    Syriana

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    Que filme primoroso! Como é que pude deixar passar em branco um filmaço desse? Bem escrito, bem dirigido, casting excepcional... um verdadeiro deleite.

    Mas o que tocou fundo foi mostrar que a ética não é restrita às corporações, mas calcada em escolhas pessoais.

    E vc, qual é a sua missão?

    09 April 2010

    Pecado da Carne

    eyes wide open
    O filme mostra o dilema de um açougueiro kosher, casado, pai de três crianças, que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao empregar um forasteiro. O que começa como um ato de benevolência se transforma em luxúria.

    Questões abordadas: a perda do pai (referência masculina), o dever desvinculado da alegria (espiritualidade doente), a ausência de diálogo no casamento (omissão), a tirania do grupo, o legalismo da religiosidade oca (esterilidade), a interpretação equivocada dos sentimentos e por fim a publicidade do desespero (suicídio).

    O que é mais angustiante é perceber que para Ezri, Aarão é apenas um objeto pois não há reciprocidade (enqto o primeiro trata o outro como passatempo, o segundo se apaixona integralmente).

    18 February 2010

    A fita branca

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    A história começa com um acidente provocado ao único médico do vilarejo. Logo depois uma lavradora também sofre um acidente, vindo a falecer. O filho, em represália, destroi a plantação de repolho do barão, que emprega a todos. Na seqüência, o filho do barão desaparece e é encontrado com sinais de espancamento. Ainda há o incêndio ao celeiro, a cegueira no inocente Karli, a janela aberta que quase mata um bebê de pneumonia além do pássaro morto na gaiola...

    Esta onda de violência desencandeia uma série de incidentes nefastos como o suicídio do viúvo lavrador, a demissão de pessoas inocentes e faz emergir o que há de pior em cada ser humano: é a criança que tenta matar uma outra criança por cobiça, o pai que abusa sexualmente da filha, o professor abobalhado que se curva diante de uma ameaça, a autoridade religiosa que não consegue cuidar nem da própria família...

    A questão é: - o mal é inerente, é impassível de correção?

    01 February 2010

    Invictus

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    Mandela é o tipo de homem que inspira qualquer um que conviva com ele. Liderança não é só um título ou discurso bonito, mas você viver em conformidade com os valores que acredita.

    E a melhor maneira de ensinar é viver mostrando em atitudes o que de fato é importante: perdão, mudança e como ir além dos seus estreitos limites.

    Tem uma parte do filme que é de arrepiar (prisioneiro por 27 anos pelos brancos, o filho assassinado) e quando assume o poder, os negros que foram oprimidos pelo apartheid acham que agora é hora de dar o troco. E o que Mandela faz?

    Ele pega o cara pelo braço e diz: - eu sei que é difícil para vc, mas agora é hora de perdoar, ter compaixão e mostrar que somos melhores do que eles...

    26 January 2010

    Amor sem Escalas

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    O filme fala da dificuldade que é qualquer relacionamento humano; o quanto é fácil se isolar em tarefas, atividades e processos ao invés de dar a cara para bater e tornar-se vulnerável. Que nem sempre as coisas saem como a gente gostaria, porque as pessoas são imprevisíveis e humanidade significa respeitar as diferenças.

    Existem vários momentos marcantes: a mochila vazia de relacionamentos de Ryan, a dicotomia que Alex criou para sua vida, a cegueira mascarada pela aparente eficiência da estagiária... e por aí vai.

    12 January 2009

    O Talentoso Ripley

    08/01/2007
    É de Matt Damon o papel-título de O Talentoso Ripley, mas é Jude Law quem rouba a cena nesse thriller cortante. Ele é o playboy americano Dickie Greenleaf, um homem que sabe viver, um convicto vitellone que mora no litoral italiano e é bancado pelo pai, um armador americano que quer que o filho volte para comandar os negócios da família.

    Para tentar convencer Dickie a voltar, Mr. Greenleaf acaba enviando um habilidoso impostor, Tom Ripley (Damon), que fica obcecado pelo encantador riquinho mimado. Impossível não farejar uma ponta de homossexualidade na forma como Ripley ama Greenleaf pelo avesso.

    O sempre encantador Law, que ouviu a observação à exaustão durante a campanha de lançamento do filme, respondia que, mais que a homossexualidade de Ripley, o que estava em foco era uma pessoa extremamente infeliz, incapaz de ser ela mesma. 'É a tragédia de um rapaz que não consegue olhar para si próprio e, o que é pior, não consegue desenvolver sua própria personalidade.'

    O fato é que esta história cínica, adaptada do livro de Patricia Highsmith e dirigida por Anthony Minghella (de O Paciente Inglês) personifica como poucas a mediocridade da elite (seja ela americana ou não).
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    Fonte: OESP, Caderno D, Página 5, 08/01/07.

    07 January 2009

    Um homem bom

    06.01.09
    Fui atraída pelo título, afinal é disto que o mundo precisa, de homens bons. Porém saí mais deprimida que entrei, porque de bom o homem só tinha o título.

    Desde quando querer as coisas boas da vida nos torna pessoas melhores? Porque os fins nunca justificam os meios, porque meios e fins são a mesma coisa.

    Quando você tem de abrir mão de sua integridade, dos valores em que acredita, da familia e dos amigos... não sobrou mais nada.

    07 July 2008

    O escafandro e a borboleta

    03.07.08
    Em "O escafandro e a borboleta", o pintor e cineasta novaiorquino Julian Schnabel dosa delicadamente melodrama com porções de humor e nenhuma piedade ao filmar história real de um jornalista que, após sofrer um derrame que paralisa seu corpo inteiro, consegue ainda escrever um livro usando apenas o olho esquerdo.

    No longa-metragem que estreou sexta-feira (2), Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric, numa interpretação difícil, mas a altura do personagem) é editor de uma das revistas mais famosas da França. Tem três filhos carinhosos, uma namorada espetacular, uma ex-mulher participativa, um carrão, anda entre mulheres lindas e é motivo de orgulho para o pai (o sueco Max von Sydow, ator ícone de Ingmar Bergman), a quem respeita. Uma vida invejável. Até que, repentinamente, sofre o acidente vascular cerebral e quase morre.

    Os médicos conseguem reanimá-lo, mas Jean-Do, como é chamado pelos amigos, fica totalmente paralisado, com a exceção do olho esquerdo. E, como ele mesmo diz, mantido pela imaginação e memória. A mente, totalmente ativa, se sente prisioneira dentro de um corpo que não funciona. Como se ele estivesse vestindo um escafandro – daí metade do título –, em que não tem controle dos próprios movimentos.

    Uma nova carreira, escritor

    Entretanto, com a ajuda da fonoaudióloga do hospital – uma "beldade", como é apresentada –, eles desenvolvem uma forma de comunicação que, depois de contratempos, o permite escrever um livro.

    Bauby pode dar forma a todas suas lembranças e criar outras, além de externar todas as preocupações e o seu cotidiano, criando uma espécie de diário único, por causa do seu autor. Todas as fantasias do escritor são levadas para a tela pelo cineasta, o que ajuda a tirar a dramaticidade excessiva do filme, sem torná-lo frio.

    Aliás, Schnabel, que já tinha feito "Antes do Anoitecer", e "Basquiat - Traços de Uma Vida", consegue um bom resultado ao retratar a voz interior de Bauby.

    Um dos recursos utilizados é a visão subjetiva. Vemos o filme, durante um terço da projeção, pelo olhar do próprio escritor. Também escutamos os seus pensamentos, como um narrador que comenta as ações que passam à sua frente, sem que ninguém, do lado de lá da tela, o ouça. Quando os médicos costuram seu olho direito, para impedir que infeccione, quase sentimos a dor que ele não sentiu.

    "O escafandro..." lembra outros filmes que abordam o tema da paralisia completa - ou quase -, como "Mar adentro" do espanhol Alejandro Almenabar. A diferença, crucial, é como os protagonistas, ambos reais, encaram a própria (in)capacidade. Se Ramón Sampedro, de "Mar...", simplesmente não quer continuar a viver, Bauby continua, porque não sabe o que é impossível.

    Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL607164-7086,00.html

    20 October 2007

    Janela da Alma

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    Janela da Alma é um documentário muito lindo que vale a pena alugar. São depoimentos de várias pessoas famosas como José Saramago (Nobel de Literatura), Hermeto Paschoal (o depoimento dele é muito engracado... Como é vesguinho, ele fala que na escola ficava com todas as meninas... Mas como? "Ah, era fácil, eu ficava encarando todas elas!!! Quando vinha uma feinha para o meu lado e perguntava se eu estava olhando para ela, eu dizia que não" rs)!!!

    Guardei algumas pérolas:

    "Muitas vezes deixamos de nos guiar pelo olhar do outro, queremos o que os outros querem sem distinguir se é isto mesmo que queremos. É preciso filtrar o que é olhar do outro do que é o nosso próprio olhar".

    "O essencial está além do olhar. Mais do que ver é preciso estar com a sensibilidade à flor da pele para captar a aura do que está à nossa frente".

    "É simplista dizer que os olhos são as janelas da alma, como se fossemos meros receptores. As imagens interagem com nossas lembranças e só tem significados quando buscamos interagir com o que vemos".

    "Partindo do pressuposto que fomos criados à semelhança de Deus, então todos deveriam ver as mesmas coisas. Mas não é assim que acontece. A emoção por trás da leitura e dos sentimentos de cada indivíduo faz com que cada pessoa tenha uma percepção diferente de um mesmo acontecimento".

    "E se todos fossemos cegos? Mas somos cegos! É tanta indiferença, tanta desigualdade, tanta injustiça social"...

    "O ser humano gosta de coisas confortáveis, que fazem sentido. Por isto gostam de ouvir histórias. Porque a vida real não tem o menor sentido".

    Beijão (espero que goste)!

    KT

    PS- olha este texto que tuuuuudo!!!

    O Olhar

    Há uma imagem construída por Delacroix, pintor francês, em um pequeno ensaio que escreveu sobre Michelângelo: ''Cego, no final da vida, apalpava as estátuas para lembrar das idéias de beleza''. Esta imagem provoca duas reflexões sobre uma suspensão no tempo: a primeira, a cegueira do escultor italiano; depois, o que a cegueira o leva a fazer como ato de redescoberta ou tentativa de sobrepor significados ao que lhe era tão familiar: a beleza vista a olhos nus. Esta quebra, quase abrupta, pode ser tomada como uma geradora de ausências no sentido aparente e linear das coisas. Mas também como geradora de um outro movimento, um redirecionamento no que está posto como comum, como hábito. Um indicativo que podemos estar cegos, de fato e de todo.

    São as pequenas migalhas de vida, o que quase não é notado, é que interessam. Estas coisas que aparentemente são nossas brincadeiras de armar, mas que armam ao contrário nosso percurso neste mundo. É a partir desta infalibilidade da passagem do tempo que nos propõe parar um pouco e olhar o que não conseguimos identificar como beleza vista a olhos nus. Viver é olhar para estas coisas quase invisíveis, tateá-las e enfim, construir alguma outra possibilidade.

    08 May 2007

    Vermelho como o Céu

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    Este filme é lindo demais, vi 2 vezes e chorei nas duas (rs).

    Conta a história de Mirco, um editor de som que aos dez anos é apaixonado por cinema, porém em meados de 1970 sofre um acidente e perde a visão. Impedido de freqüentar a escola pública, o garoto toscano é levado por seus pais a um instituto de deficientes visuais em Gênova e lá, tem de lutar para criar uma nova realidade a fim de alcançar seus sonhos e liberdade.

    Para refletir:

    • Mirco: após o seu “luto” pela perda da visão, ele constrói uma nova possibilidade.
    • Os novos amigos: a tragédia de Mirco se transforma em alegria para a comunidade (coisas lindas que jamais aconteceriam se ele não fosse para aquele lugar).
    • Professor: a importância de um mentor, que acredita em vc qdo nem vc mais acredita em si mesmo.
    • Diretor do instituto: cego é todo aquele que não quer enxergar.

    25 April 2007

    A Pequena Jerusalém

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    A melhor maneira de entender o outro é conhecer suas crenças para respeitar as diferenças. Por isto a minha curiosidade em observar outras culturas.

    Este filme tocante mostra os rituais judaicos a partir de uma família imigrante, que foi viver em um bairro suburbano de Paris, apelidado carinhosamente por Pequena Jerusalém. É lá que vive Laura, uma dedicada e tímida estudante de filosofia, que contesta as tradições de sua família ortodoxa quando se apaixona por um muçulmano.

    Uma história de amor, redescoberta e liberdade das mulheres que retrata as diferenças culturais entre judeus e mulçumanos.

    24 April 2007

    Um Herói de Nosso Tempo

    Va, Vis et Deviens
    Em 1984, cerca de oito mil etíopes judeus fizeram uma caminhada de aproximadamente 600 quilômetros até Israel. Eles fugiam do regime pós-soviético de seu país e iam em busca da terra prometida. Neste cenário, tropas estrangeiras ajudaram várias pessoas a se salvarem e esta foi a chance para que um menino tivesse uma vida melhor. A mãe o batizou de Salomão e mandou-o clandestinamente em um dos aviões.

    Ensinado a dizer que era judeu, teve de sustentar que era órfão para que não fosse deportado. Em Israel, este menino de 10 anos foi adotado por um casal de origem francesa. Começa, então, a grande aventura de sua vida.

    Saudades da mãe, choque de valores e pequenas incongruências no novo país como o desperdício de água durante um banho de chuveiro como tb imagens que vão e vem do aparelho de TV confundem o pequeno Salomão. Fazer fartas refeições e descansar em camas confortáveis também parecem fatos absurdos. Nessa nova vida maluca, ele faz descobertas, cresce, descobre o amor e a ignorância do racismo.

    19 April 2007

    Free Zone

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    3 mulheres: uma americana, uma judia e uma síria se encontram na área livre de Israel. A americana veio a passeio e, por conta de uma discussão com a futura sogra, quer voltar para casa. O único meio dela seguir o caminho é pegar a van pilotada pela judia, cujo marido sofreu um acidente, e que precisa receber o pagamento de um americano, casado com a síria.

    O marido da síria não está e ela não paga o que ele deve. A judia por sua vez, diz que só arreda o pé quando receber o pagamento combinado. A síria entende e fala hebraico, mas não está aberta ao diálogo. A judia é inflexível: o que é certo, é certo; se existe uma dívida, ela precisa ser paga. A americana tenta ser mediadora no impasse, mas não tem conversa: a judia e a síria estão presas em seus solilóquios.

    O final é surpreendente (rs) e acaba sendo uma metáfora do conflito no Oriente Médio.

    18 April 2007

    Paradise Now

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    Mostra uma face do conflito no Oriente Médio através da história de vida e recrutamento de 2 terroristas palestinos, que planejam um atentado contra Israel.

    Nesta briga, não existe bandido nem mocinho; os dois lados têm culpa. Israel sobrepuja em riqueza (apesar de fazer papel de 'tadinho' perante o mundo) enquanto que a Palestina vive em condições sub-humanas.

    A questão não é religiosa, é moral: qdo vc perde a honra, não tem mais nada a perder.

    17 April 2007

    300

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    Esparta é um lugar onde só há espaço para os melhores: o treino é árduo, a alimentação é disciplinada e o controle das emoções e das palavras é um exercício permanente.

    Para Lêonidas, a liberdade não tem preço.

    Porém, a realidade na qual a sua cultura está inserida é um mundo onde os políticos têm preço, os sacerdotes estão a serviço da política e o inimigo pode oferecer tudo o que vc quiser, desde que vc se torne escravo dele.

    Os fins justificam os meios? A história mostra que não (que diga Gorgo, a rainha que perdeu o que tinha de mais precioso, a dignidade; como tb Ephialtes, que quer fazer parte da batalha, mas não percebe que a principal ele já perdeu, a própria vida).

    E você? Quem é vc de verdade?
    Quais são os seus valores? No que vc acredita?
    Daria a sua vida por uma causa?

    Vai lá: http://www.aish.com/movies/passover.asp

    12 April 2007

    Notas de um Escândalo

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    Barbara acredita que um segredo é capaz de unir pessoas. E é, desde que não se torne um pacto com nota promissória atachada. Pq qdo vc usa um segredo para coagir as pessoas, vira chantagem.

    O outro problema de Barbara é sua inabilidade em aceitar a realidade – mente tanto para os outros que já não sabe quem é ela mesma (a pior mentira é aquela que é proferida contra si).

    A incapacidade em relacionar-se com pessoas faz do seu diário o único cúmplice de sua insanidade. E como Narciso, que só olha para si sem se importar com os outros, só abre os ouvidos para escutar aquilo que concorda suas crenças.

    Dureza para quem cruza o caminho de um narcisista, pois ele sempre deixa atrás de si um rastro de caos, discórdia e morte.

    11 April 2007

    O Bom Pastor

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    Três questões chamaram a minha atenção: a capacidade que Mother tem para guardar um segredo (que indica o grau de confiança que se pode ter em uma pessoa), o relacionamento tacanho com a própria família (abre mão daquilo que lhe é mais caro) e a relação de respeito e integridade com Ulysses.

    Tempos atrás li um comentário de um rabino que dizia a importância de termos um bom inimigo. Para enxergarmos o outro lado assim como desenvolvermos uma competitividade saudável (é preciso ser duas vezes melhor: não para superar o outro, mas para superar a si mesmo).

    Acredito que alguns valores como ética, compromisso e responsabilidade são inegociáveis. Porém, nada pode valer mais do que a vida. Qdo relegamos a família num segundo plano, alguma coisa está errada. Pq a verdadeira inteligência é integrar valores, crenças e vida. Vida esta que se traduz em atitudes e não apenas em teoria.

    10 April 2007

    Crash

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    Crash me fez refletir sobre um artigo da Isabelle Ludovico: somos todos seres feridos, mas temos a opção de escolher entre sermos feridos que curam ou feridos que ferem da mesma forma que foram feridos.

    Ninguém é melhor que ninguém; não temos o direito de julgar os outros. Quando caímos nesta armadilha, podemos até nos achar superiores porém nos tornamos piores do que as pessoas que julgamos.

    FERIDOS QUE CURAM

    Provérbios de Salomão, na Bíblia, nos convidam a “entender o nosso próprio caminho” (Pv 14:8) e “estar atentos para os nossos passos” (Pv 14:15). De fato, a maturidade provém da capacidade de compreender a nossa história e integrar as peças esparsas do quebra cabeça que é a nossa existência para enxergar o quadro completo. As experiências marcantes da nossa vida precisam ser consideradas com reverência para encontrar o seu sentido mais profundo e aprender com elas. Tempo e atenção são necessários se queremos evitar a superficialidade.

    Fomos criados à imagem de Deus que é Luz. Assim, quanto mais nos aproximamos dele numa atitude contemplativa, mais enxergamos a nossa própria realidade. O olhar amoroso de Deus nos permite superar o medo da rejeição e tirar as nossas máscaras para reconhecer tanto a nossa luz quanto a nossa sombra. Percebemos nossos limites, feridas, mecanismos de defesa e incoerências, mas também nossa aspiração por amor, alegria e paz, nossa capacidade criativa e relacional, nossa busca de sentido existencial.

    Identificamos, perplexos, a coexistência simultânea e sistêmica de alegria e tristeza, prazer e dor, sofrimento e paz, amor e solidão. Perceber esta condição da nossa humanidade entra em choque com o desejo de nos apegar a um estado mental dominante e obsessivo como a busca da felicidade permanente. Nossa sociedade a define como a ausência de dor e, para isto, construímos um castelo forte onde estamos protegidos, mas também enclausurados. Poupar-nos do sofrimento acaba nos privando da alegria, pois estes dois sentimentos são parceiros inseparáveis nesta vida. Nossa cultura prega uma felicidade artificial mantida com pílulas que anestesiam a dor camuflando nossa inescapável condição de mortalidade e fragilidade. Solitários e carentes, buscamos compensar o nosso vazio interior mediante um consumismo compulsivo.

    O desejo mais profundo de amar e ser amado requer a disposição de baixar as defesas e nos torna vulneráveis. Como diz uma música popular: “Quem quiser aprender a amar, vai ter que chorar, vai ter que sofrer...”. As feridas mais profundas e dolorosas não provêm de acidentes que nos aconteceram, mas do amor. O amor transforma nossa personalidade e nossa percepção. Ele nos arranca de um mundo unidimensional em preto e branco para nos transportar num universo de cores brilhantes e paisagens sempre renovadas. Quando o amor se retrai, sofremos a dor da perda. A alegria do encontro é proporcional à dor do desencontro.

    Como diz o teólogo John Main, precisamos diferenciar feridas e machucados. Os machucados como o fracasso num teste, uma derrota financeira, uma expectativa frustrada, são sofrimentos provisórios e superáveis. As feridas nos marcam para sempre. Elas modificam nossa percepção íntima e o fundamento da nossa identidade. Uma ferida significa que nada será como antes. O tempo apaga os machucados, não cura as feridas. Somente a imersão no amor absoluto de Deus pode curar nossas feridas. É preciso mergulhar na morte de Cristo para experimentar a sua ressurreição. O significado das nossas feridas emerge quando as vivenciamos na sua relação com outros eventos e padrões da nossa vida.

    Conforme a maneira como lidamos com as nossas feridas, podemos nos tornar feridos que ferem ou feridos que curam. A Bíblia fala de dois tipos de tristeza: uma tristeza ”mundana” que leva à auto comiseração nos faz assumir o papel de vítima e “produz morte”; uma tristeza na perspectiva de Deus que gera transformação e vida (2 Coríntios 7:10). Mergulhando na história da nossa vida, encontramos momentos dramáticos em que tivemos que fazer a escolha crucial de nos tornarmos amargurados por nossas feridas ou feridos que curam. O filme recente “Patch Adams: o amor é contagioso” fala de um homem que fez a escolha de ser um ferido que cura e quase desistiu quando uma nova ferida o empurrou na beira do precipício. Para seu próprio bem e o bem das pessoas à sua volta, ele finalmente escolheu seguir o princípio bíblico de “vencer o mal com o bem”(Romanos 12:21). Na maioria das vezes, optamos por uma solução intermediária mesclando sentimentos de magoa e desejo de superar, passando alternativamente de vítima à protagonista.

    Nossa experiência pessoal de feridos curados pelo amor incondicional de Deus é que nos permite aliviar o sofrimento de outros. Enquanto perseguimos nossa felicidade como prioridade absoluta, iremos fazer isto às custas do bem estar do outro. Mas ao buscar minorar a dor do nosso próximo, encontraremos a plenitude de alegria para a qual fomos criados. Ao acolher a realidade com todas as suas facetas, não podemos deixar de perceber o próprio Deus. Cristo é a Verdade e a Vida. Por isto, ao optarmos pela verdade encontraremos a Cristo, assim como através das coisas bonitas podemos enxergar a própria beleza.

    A cruz de Cristo proclama que a vida não se preserva negando a morte, mas acolhendo o ciclo de morte e renascimento. Por isto, somos chamados a “levar sempre nos corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo”( 2 Coríntios 4:10). Assim, em vez de fugir do sofrimento através de uma vida artificial, podemos superá-lo com o bálsamo do amor de Deus que transforma o mal em bem. Precisamos olhar para os retalhos espalhados da nossa vida na perspectiva de Cristo que venceu o mal e a morte. Assim podemos costurá-los para formar uma colcha que reflete a obra de arte única que é a nossa existência à luz do amor de Deus e na dependência do Espírito Santo.

    Leia a íntegra no capítulo A Essência da Imago Dei no livro O Melhor da Espiritualidade Brasileira, org. Nelson Bomilcar, Editora Mundo Cristão, 2005.

    05 April 2007

    O Último Rei da Escócia

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    Nooossa, que soco no estômago!

    Tão sensacional que é difícil descrever...Um jovem médico escocês quer fazer a diferença no mundo. Não sei se pela imaturidade própria da juventude ou pela personalidade fútil, ele escolhe o caminho do poder. A partir daí começa a colher o fruto de suas escolhas (dureza é que não afeta apenas sua vida, mas todos que o rodeiam)...

    04 April 2007

    Maria Antonieta

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    Ela era apenas uma criança... O filme acaba sendo uma metáfora da juventude, entorpecida pelo consumo desenfreado, pelo hedonismo e pelo tédio.

    Achei a cena do tênis forçada (a pessoa teria de ser tosca ao extremo para não perceber a associação). O desfecho traz a bela transição da infância para a maturidade (mas a que preço, hein)!

    03 April 2007

    Buenos Aires 100 Km

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    Qdo fui no lançamento olha a surpresa: o diretor estava lá para divulgar a película e falou com o público antes da exibição.

    O filme traz a história de 5 adolescentes que moram a 100km de distância de Buenos Aires e questiona o sentido da amizade: será que vale a pena dividir momentos; viver o cotidiano sem ter intimidade e transparência?

    02 April 2007

    A Fantástica Fábrica de Chocolates

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    A Fantástica Fábrica de Chocolates mostra a infância pós-moderna. Há tempos li o excelente Mitos e Neuroses, cuja introdução Paul Tournier pede perdão aos jovens por terem herdado uma sociedade doente.

    30 March 2007

    Super-Homem

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    Mó cara imaturo (rs)! Além de ser refém da aprovação dos outros e de si mesmo (identidade calcada naquilo que faz e não naquilo que é), o caboclo é utilitarista: não tem vida pessoal, a família só aparece qdo está numa enrascada (além de mal-educado: some sem dar satisfação para as pessoas que lhe são mais caras - reflete aqui comigo: se por educação, damos feedback aos nossos clientes, pq não damos aos queridos que se importam de verdade com a gente?).

    Dureza que a sociedade pós-moderna confunde o fazer x ser, igual o Super-Homem...

    29 March 2007

    Crônicas de Nárnia

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    Nem preciso dizer que a manteiga derretida aqui quase inundou o cinema (vá correndo e depois me conte os babados) rs! Eu me identifiquei primeiro com o Edmund, depois com o Mr. Tumnus, depois com a Susan... de vez em nunca (rs) surgem lampejos de Lucy (quem me dera)! O mais bonitinho é perceber a mão de Deus em tudo que tenho vivido - ultimamente tenho refletido sobre a Alegria, uma das partes do fruto do Espírito (Gl 5: 22, 23) e olha o que C. S. Lewis escreveu sobre o assunto:

    “Se hoje a noção de que é errado desejar a nossa felicidade e esperar ansiosamente gozá-la esconde-se na maioria das mentes, afirmo que ela surgiu em Kant ou nos estóicos, mas não na fé cristã. Na realidade, se considerarmos as promessas pouco modestas de galardão e a espantosa natureza das recompensas prometidas nos evangelhos, diríamos que o nosso Senhor considera nossos desejos não demasiadamente grandes, mas demasiadamente pequenos. Somos criaturas divididas, correndo atrás de álcool, sexo e ambições, desprezando a alegria infinita que se nos oferece, como uma criança ignorante que prefere continuar fazendo bolinhos de areia numa favela, porque não consegue imaginar o que significa um convite para passar as férias na praia. Contentamo-nos com muito pouco”.

    Fonte: Peso de Glória, C.S. Lewis, Editora Vida Nova

    Fala muito sério (hehehe, talvez vc não esteja entendendo nada: C. S. Lewis é o mesmo cara que escreveu Crônicas de Nárnia)!

    28 March 2007

    Pecados Íntimos

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    Durante o dia eles são jovens pais perfeitos, dedicando-se ao sucesso dos filhos. À noite recorrem à pornografia na internet e casos extra-conjugais. Quando suas vidas se interlaçam, a situação em que vivem torna-se perigosa.

    Ao ler esta sinopse pensei: - ooopa, trata-se da visão que o Mundo tem do que é vida, preciso ver. Mas ao assistir, a primeira coisa que veio foi: mas... é sobre a gente, fariseus modernos (muito medo nesta hora)!

    Interessante prestar atenção em cada personagem: o homem desejado, mas que no fundo é um looser, perdido na vida (sabe o que quer, mas não assume para si mesmo); o olhar de cobiça e hipocrisia das suburbanas; a burguesa que é refém dos outros (deseja o que as suburbanas querem e revida o mal com mal ao invés de enfrentar o marido); a mulher bem-sucedida no trabalho mas que é um fracasso como mãe e esposa; o taleban que é o defensor da moral e dos bons costumes mas que é um coitado, abandonado pela própria família e por aí vai.

    Somos todos crianças que teimam em não amadurecer, todos nós temos 'pecados íntimos', ninguém tem o direito de julgar ou se achar melhor que ninguém (antes de falar do cisco no olho do outro, temos de tirar a trave do nosso, que de tão grande dá para fazer gol) hahaha!

    27 March 2007

    A Conquista da Honra

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    O título é interessante: a conquista da honra. Mas, que honra?

    A vitória é dos Estados Unidos. Mas, a que preço? Se não fosse a imagem daquela foto, da turnê organizada pelos burocratas... será que o desfecho seria o mesmo? O que acho mais triste é que a história mostra que não levaram em conta a vontade dos maiores envolvidos, pq quem vivencia um campo de batalha, jamais será o mesmo (e suas famílias tb).

    Para ter uma visão abrangente do confronto americanos x japoneses, assista correndo Cartas de Iwo Jima.

    26 March 2007

    Cartas de Iwo Jima

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    Chorei cântaros. A abordagem, que mostra o outro lado da guerra, é tocante. Não damos conta de que a autoridade da liderança, qdo minada, induz à derrota. E que, em momentos de crise, qdo as decisões precisam ser tomadas por uma fração de segundo, é que os verdadeiros líderes se revelam (e isto não tem a ver com hierarquia).

    A rigidez das crenças impede de enxergar o outro. Isto prejudica a comunicação, que deveria ser vital em todas as camadas: de cima para baixo, lado a lado e tb debaixo para cima (neste caso, a cultura japonesa dificulta o diálogo).

    A estupidez da guerra é mostrada qdo a carta da mãe americana é lida. Poderia ter sido escrita por uma mãe japonesa como por qq outra mãe, inclusive a sua ou a minha.

    Chérie, foi uma injustiça o filme não ter levado o Oscar (mas até parece que eu acredito em Papai Noel... como se a Academia pudesse conceder um Oscar a um filme rodado em japonês) rs! A tradução pedalou roubando o impacto dos diálogos e tirando toda ternura e emoção visceral em momentos críticos como a despedida do pai e a morte do cavalo.

    Vc conhece a história do filme? Sabia que foi o Spielberg que sugeriu ao Clint Eastwood filmar o outro lado da Conquista da Honra?
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    23 March 2007

    Memórias de uma Gueixa

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    O ritmo, a plasticidade e o antagonismo com o Ocidente são gritantes. O engraçado de rever filmes é que a gente, qdo assiste novamente, enxerga detalhes que antes haviam passado desapercebidos: a paixão velada, a beleza e a riqueza de sutilezas (a comunicação não-verbal: olhares, emoções contidas)... Realmente é um filme para se deleitar com os olhos do coração.

    A parte mais marcante (além do final, é claro) rs é qdo a personagem principal olha para o destino trágico de uma pessoa que tentou prejudicá-la a vida inteira e, ao invés de julgá-la, olha com compaixão e diz: - Poderia ser eu...

    22 March 2007

    Feitiço do Tempo

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    Este filme é tuuuudo de bom, perdi o número de vezes que vi (rs). Bill Murray faz um repórter arrogante que vai para uma cidade de interior fazer a cobertura do dia da marmota e fica "preso" no dia mais infeliz de sua vida. Primeiro ele sente perplexidade, depois revolta, depois tenta manipular os outros, tira proveito da situação, fica entediado, tenta se matar e por aí vai... Qq semelhança com a gente, não é mera coincidência (hahaha).

    O final é apotéotico (calma, não vou contar) rs, vá ver correndo... E me pergunto se com a gente não é a mesma coisa, aff...

    21 March 2007

    Hotel Ruanda

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    Nem preciso dizer que do começo ao fim chorei cântaros. Porque me fez refletir até que ponto vai a fidelidade de alguém.

    Falar que vc ama, que vc defende uma causa é muito fácil; difícil é vc ficar do lado e ir até o fim, até as últimas conseqüências.

    E a postura de um líder é esta: é vc servir, é vc assumir a responsabilidade porque uma atitude tua pode abençoar ou não outras vidas.

    E isto independente de vc ser traído, abandonado ou não ter recursos.

    Ser líder e ser fiel é uma escolha, assim como viver.

    20 March 2007

    A Noiva Síria

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    Este filme traz a história de uma comunidade drusa situada entre a Síria e Israel. A trilha sonora é belíssima e o enredo, envolvente. Fala dos costumes daquela região ao mesmo tempo que serve de metáfora sobre a situação política (e por quê não dos personagens que refletem um pc de todos nós?).

    Quem se importa com quem de verdade? Se poder envolve responsabilidade, por que ninguém pega o pacote completo? Vc se importa com quem vc ama ou está preocupado com o que os outros pensam de vc? Até que ponto não estamos acomodados com uma determinada situação esperando que os outros tomem uma iniciativa que precisa partir de nós mesmos?

    19 March 2007

    As Aventuras de Azur e Asmar

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    Tolerância, cooperação, amizade, preconceito, superstições e estereótipos... Estas são algumas questões abordadas na excelente animação francesa que me cativou a ponto de assistir 2 vezes (até agora) rs.

    16 March 2007

    Fogo contra Fogo

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    Neste filme em que o Al Pacino é o policial e o Robert de Niro é o bandido (e por incrível que pareça, vc torce pelo bandido) rs tem uma cena em que a namorada do Robert de Niro está num balcão e explica a diferença de alone (sozinha) e lonely (solitária).

    O problema nunca é estar sozinho (e de bem com a vida), mas se sentir solitário (sensação de vazio). Em SP isto parece fazer sentido: qtas vezes estamos rodeados de pessoas (imagine-se em plena av. Paulista, em seu escritório aberto ou no metrozão linha vermelha em horário de rush, ai que mêda) rs e mesmo assim enclausurado no seu I-Pod (quer coisa mais "em-si-mesmada"?), perdido em seus devaneios, dores, angústias ou mesmo alegrias e não ter ninguém para dividir?

    O babado de estar no topo da montanha-russa é ter alguém contigo dividindo aquele momento.

    15 March 2007

    Capote

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    Qual o limite que separa a bondade do utilitarismo? Até que ponto não ajudamos os outros só qdo nos convêm? Até que ponto não nos tornamos assassinos de relacionamentos?

    Só pela graça é possível a gente mudar! E a mudança precisa começar no coração porque é de lá que os maus desígnios procedem.

    Capacidade para mudar? Nenhuma. Mas, como diz a Palavra, basta a gente concordar que precisa mudar. Porque é só por meio dEle que podemos nos tornar mais que vencedores.

    14 March 2007

    À Procura da Felicidade

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    Vc entra na sala sabendo como vai ser o final (o que é péssimo, pq o grande barato do cinema é a gente ser surpreendido). Mas vamos dar um desconto pq conta a história de uma pessoa que acreditou no seu sonho, persistiu apesar das dificuldades e chegou lá.

    Nestes tempos em que as pessoas deixam de viver para não ter de morrer tanto, onde os sonhos se tornam descartáveis e as pessoas só lamentam ao invés de arregaçar as mangas e lutar para transformar sua realidade, é bom demais ver alguém que não tem medo de pagar o preço para ser feliz (na minha opinião, o sonho dele era pequeno... Imagina se ele tivesse um sonho graaaande como o teu) uhúúú!

    13 March 2007

    A Rainha

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    O filme em si é arrastado, lento e até cansativo como o chato Náufrago (rs). Mas vale a pena só para conferir Helen Mirren arrasar (ela mereceu o Oscar), carrega o filme sozinha!

    Uma das cenas mais chocantes foi constatar a frieza da rainha, que não se abate com a morte da ex-nora e, no entanto, chora com a morte de um animal. Levantei a questão no escritório e achei interessante a discussão que rolou entre meus colegas pq alguns se "solidarizaram" com a rainha enqto outros ficaram revoltados...

    O que pegou (para mim) não foi a falta de tristeza pela morte da Lady Di, mas do esquecimento ´mundial´ da madre Tereza de Calcutá que morreu na mesma semana. Se Lady Di era a princesa do povo, grande ativista social blábláblá, por que ninguém se importou com madre Tereza, uma ativista maior ainda?

    Ver tanta comoção, tanta gente chorando nos portões do palácio de Buckhingam ao mesmo tempo em que há tanta discórdia nos lares, nos escritórios (acho esquizofrênico alguém chorar assistindo TV e depois se mostrar inflexível com o cônjuge)... Dá para entender?

    Como diria Susan Sontag no excelente "Diante da Dor dos Outros", a nossa compaixão precisa ser traduzida em ação, senão é estéril.

    12 March 2007

    Borat

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    O filme é alface (não tem gosto de nada) hahahah. Começa engraçado, mas depois vai ficando cansativo (uma pegadinha sem fim que vc não vê a hora de acabar).

    A única coisa positiva foi ver o qto a sociedade americana está falida: em todas as esferas (classe alta, classe baixa, universitários que são o futuro do país, a religião fundamentalista)... Os "únicos" que se salvam são exatamente os excluídos: prostitutas, gays, negros e judeus.

    Interessante notar a crítica mordaz à midia: o 'repórter' se apaixona por um personagem de TV (o way of life americano tem sido pautado pela aparência, pelo simulacro - não existe criticidade para diferenciar a realidade da fantasia) ao mesmo tempo que alerta para o perigo de se expor a vida pessoal.

    Taxi Driver que o diga (rs)...

    09 March 2007

    Babel

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    Um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos (achei uma injustiça não ter levado o Oscar, enfim...) entrelaça 3 histórias: um casal de americanos que passa férias no Marrocos, uma babá mexicana que atravessa a fronteira com 2 crianças americanas sem autorização dos pais e uma órfã surda-muda japonesa revoltada com a vida.

    O nome do filme remete à falta de comunicação: o casal que viaja para acertar-se (a ferida mortal não é do tiro, mas do silêncio que emerge da inabilidade em verbalizar os sentimentos); a babá que vive num mundo de faz-de-conta ao invés de aceitar a realidade à sua volta e o solilóquio da garota que insiste em buscar intimidade e acolhimento no sexo ao invés de aprender a se relacionar com os outros (toda vez que queremos impor nosso próprio pt de vista sem levar em consideração a opinião dos outros, perdemos a voz).

    A arma é o elo dos três núcleos (sem darmos conta, toda decisão pessoal que tomamos tem o poder de afetar os outros). E até que ponto esta arma não é uma metáfora qdo usamos a comunicação (ou a falta dela) para ferir? Será que não temos um pc destes personagens dentro de nós?

    É para se pensar...