07 January 2019

Globo de Ouro - lista dos premiados

Best motion picture - drama
  • Winner: Bohemian Rhapsody
  • Black Panther
  • Black Klansman
  • If Beale Street Could Talk
  • A Star is Born
Best motion picture - comedy or musical
  • Winner: Green Book
  • Crazy Rich Asians
  • The Favourite
  • Mary Poppins Returns
  • Vice
Best performance by an actor in a motion picture - drama
  • Winner: Rami Malek - Bohemian Rhapsody
  • Bradley Cooper - A Star is Born
  • Willem Dafoe - At Eternity's Gate
  • Lucas Hedges - Boy Erased
  • John David Washington - Black Klansman
Best performance by an actress in a motion picture - drama
  • Winner: Glenn Close - The Wife
  • Lady Gaga - A Star is Born
  • Nicole Kidman - Destroyer
  • Melissa McCarthy - Can You Ever Forgive Me?
  • Rosamund Pike - A Private War
Best performance by an actor in a motion picture - comedy or musical
  • Winner: Christian Bale - Vice
  • Lin-Manuel Miranda - Mary Poppins Returns
  • Viggo Mortensen - Green Book
  • Robert Redford - The Old Man and the Gun
  • John C Reilly - Stan and Ollie
Best performance by an actress in a motion picture - comedy or musical
  • Winner: Olivia Colman - The Favourite
  • Emily Blunt - Mary Poppins Returns
  • Elsie Fisher - Eighth Grade
  • Charlize Theron - Tully
  • Constance Wu - Crazy Rich Asians
Best performance by an actor in a supporting role in a motion picture
  • Winner: Mahershala Ali - Green Book
  • Timothee Chalamet - Beautiful Boy
  • Adam Driver - Black Klansman
  • Richard E Grant - Can You Ever Forgive Me?
  • Sam Rockwell - Vice
Best performance by an actress in a supporting role in a motion picture
  • Winner: Regina King - If Beale Street Could Talk
  • Amy Adams - Vice
  • Claire Foy - First Man
  • Emma Stone - The Favourite
  • Rachel Weisz - The Favourite
Best director - motion picture
  • Winner: Alfonso Cuaron - Roma
  • Bradley Cooper - A Star is Born
  • Peter Farrelly - Green Book
  • Spike Lee - Black Klansman
  • Adam McKay - Vice
Best screenplay - motion picture
  • Winner: Green Book
  • The Favourite
  • If Beale Street Could Talk
  • Roma
  • Vice
Best animated film
  • Winner: Spider-Man: Into the Spider-Verse
  • Incredibles 2
  • Isle of Dogs
  • Mirai
  • Ralph Breaks the Internet
Best foreign language film
  • Winner: Roma
  • Capernaum
  • Girl
  • Never Look Away
  • Shoplifters
Best original score
  • Winner: First Man - Justin Hurwitz
  • Black Panther - Ludwig Göransson
  • Isle of Dogs - Alexandre Desplat
  • Mary Poppins Returns - Marc Shaiman
  • A Quiet Place - Marco Beltrami
Best original song - motion picture
  • Winner: Shallow - A Star is Born (Lady Gaga, Mark Ronson)
  • All the Stars - Black Panther (Kendrick Lamar)
  • Girl in the Movies - Dumplin' (Dolly Parton, Linda Perry)
  • Requiem for a Private War - A Private War (Annie Lennox)
  • Revelation - Boy Erased (Troye Sivan)

Television categories

Best television series - drama
  • Winner: The Americans
  • Bodyguard
  • Homecoming
  • Killing Eve
  • Pose
Best television series - comedy
  • Winner: The Kominsky Method
  • Barry
  • The Good Place
  • Kidding
  • The Marvellous Mrs Maisel


Best actor in a television series - drama
  • Winner: Richard Madden - Bodyguard
  • Jason Bateman - Ozark
  • Stephan James - Homecoming
  • Billy Porter - Pose
  • Matthew Rhys - The Americans
Best actress in a television series - drama
  • Winner: Sandra Oh - Killing Eve
  • Caitriona Balfe - Outlander
  • Elisabeth Moss - The Handmaid's Tale
  • Julia Roberts - Homecoming
  • Keri Russell - The Americans
Best actor in a television series - musical or comedy
  • Winner: Michael Douglas -The Kominsky Method
  • Sacha Baron Cohen - Who is America?
  • Jim Carrey - Kidding
  • Donald Glover - Atlanta
  • Bill Hader - Barry
Best actress in a television series - musical or comedy:
  • Winner: Rachel Brosnahan - The Marvellous Mrs Maisel
  • Kristen Bell - The Good Place
  • Candice Bergen - Murphy Brown
  • Alison Brie - Glow
  • Debra Messing - Will and Grace
Best limited series or motion picture made for television:
  • Winner: The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
  • The Alienist
  • Escape at Dannemora
  • Sharp Objects
  • A Very English Scandal
Best actor in a limited series or motion picture made for television:
  • Winner: Darren Criss - The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
  • Antonio Banderas - Genius: Picasso
  • Daniel Brühl - The Alienist
  • Benedict Cumberbatch - Patrick Melrose
  • Hugh Grant - A Very English Scandal
Best actress in a limited series or motion picture made for television:
  • Winner: Patricia Arquette - Escape at Dannemora
  • Amy Adams - Sharp Objects
  • Connie Britton - Dirty John
  • Laura Dern - The Tale
  • Regina King - Seven Seconds


Best supporting actor in a series, limited series or motion picture made for television:

  • Winner: Ben Whishaw - A Very English Scandal
  • Alan Arkin - The Kominsky Method
  • Kieran Culkin - Succession
  • Edgar Ramirez - The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
  • Henry Winkler - Barry
Best supporting actress in a series, limited series or motion picture made for television:
  • Winner: Patricia Clarkson - Sharp Objects
  • Alex Bornstein - The Marvellous Mrs Maisel
  • Penelope Cruz - The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story
  • Thandie Newton - Westworld
  • Yvonne Strahovski - The Handmaid's Tale

Fonte: https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-46467379

03 January 2019

Roma

Roma é um filme áspero, duro.

Estava mega curiosa para conferir desde a Mostra - não sabia que ia entrar em pouquíssimas salas (estratégia da Netflix para concorrer aos prêmios de cinema) senão teria ficado esperta.

O começo é tão banal (os intelectuais chamam de singelo) que quase desligo a TV - me senti péssima: a empregada que cuida da casa e das crianças com esmero, o patrão que chega altas horas em casa e nem diz boa-noite, a patroa que vomita mau humor na empregada e nas crianças... ou seja, o protótipo da classe média. E aí, o modelo de lar perfeito começa a ruir: o marido larga a família, o rapaz abandona a namorada grávida, a mulher usa as crianças para fazer chantagem emocional, o homem não paga pensão e ainda leva os móveis da casa (bocejo).

O filme começa a ficar interessante quando mistura realidade com ficção (movimento estudantil) porque aí você começa a perceber que o verdadeiro guerreiro não é o que saber lutar bem, mas aquele que tem integridade (senão você é apenas um criminoso com uma arma) e que o verdadeiro médico cura , não fere nem omite prestar socorro.

A melhor cena é a da praia: sem divisão de classe social, faixa etária ou gênero... é quando os personagens se tornam humanos, cada qual com suas dores, e assim criam uma comunidade de amor.

Se você não se incomoda em ficar desconfortável e com o coração dilacerado, recomendo muito (a função da arte é exatamente esta, de tirar a gente da zona de conforto).

Preste atenção e veja se não tenho razão (as metáforas) rsrsrs:

  • não seria o marido o verdadeiro cachorro (só faz cagada e precisa ficar sempre preso senão foge na primeira oportunidade que abre o portão)?
  • as estantes dos livros não seriam a sustentação moral das ideias?

  • Para ouvir mais opiniões, vai lá:
  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/01/roma-esta-sendo-aplaudido-pelos-motivos-errados-escreve-slavoj-zizek.shtml
  • https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2019/01/o-amor-e-uma-construcao-burguesa.shtml
  • https://entretenimento.uol.com.br/noticias/bbc/2018/12/19/roma-cinco-perguntas-para-entender-o-aclamado-filme-de-alfonso-cuaron.htm
  • https://www.huffpostbrasil.com/2018/12/14/roma-de-alfonso-cuaron-e-um-epico-sobre-as-pequenas-coisas_a_23618040
  • https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544462338_986627.html
  • https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/15/cultura/1547547557_946418.html
  • 02 January 2019

    Colette

    Até pouco tempo atrás, Colette para mim era nome de loja descolada hahaha.

    Foi na exposição do Irving Penn que descobri que era uma criativa e revolucionária artista do último século. Depois li uma entrevista no jornal O Globo (e como a curiosidade matou o gato) rsrsrs...

    O filme é arrastado à beça, a edição truncada, a atuação dos atores irregular, mas história é real (e como a realidade anda beeem mais interessante que a ficção), vamos lá.

    Uma garota do interior se casa com um intelectual amigo do pai que mora em Paris. Só que as escolhas da vida vão mostrando que ela é muuuuito mais interessante do que o marido (calma que não vou dar spoiler) rsrsrs.

    O que não gostei foi o maniqueísmo barato (para enaltecer um personagem, o diretor precisa vitimizar o outro). Sim, existe o mansplaining (muito presente mais lá atrás e ainda hoje existe). Mas Le brio mostra a vítima pode também tirar proveito e aprender com o algoz (que torna a reflexão muito mais interessante).

    Bom, agora só nos resta assistir A esposa e comparar quem contou a melhor história com o mesmo tema rsrsrs.

    PS- Para ouvir outra opinião, vai lá: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/colette-mulher-resenha-filme-direitos.phtml

    01 January 2019

    Bohemian Rhapsody

    W-O-W!!!

    Bohemian Rhapsody é a injeção de ânimo perfeita para começar o ano encorajado : ))).

    Demorei para assistir, mas valeu cada segundo: a atuação dos personagens, a licença poética (algumas histórias não respeitam o cronograma), os diálogos, as trilhas - assista correndo!!!

    Chacoalhões de amor:
    • a 1a. pessoa a acreditar no seu sonho e potencial é você mesmo;
    • não tenha medo de ser escandalosamente exagerado;
    • cerque-se sempre de boas pessoas (índole e competência);
    • amor de verdade é infinito;
    • lucidez, humildade e autenticidade nunca fazem mal a ninguém.
    O final é apoteótico (se você não chorar, te dou um prêmio) rsrsr.

    Frases para refletir: 
    - "Bons pensamentos, boas palavras, boas ações" (para tudo na vida, não é mesmo?)
    - "Você sabe que algo apodreceu quando tem um monte de mosca em volta" (mêda)

    PS- Para ouvir outra opinião, vá lá: http://obviousmag.org/deletrear/2018/uma-ode-a-ousadia.html

    30 December 2018

    Maria Callas

    Céééééus, que tragédia grega...

    Saí da sala com o coração despedaçado (que história triste a dessa mulher), afff...

    Maria Callas foi uma das vozes femininas mais importantes da História e reverenciada em todos os continentes. Mas todo seu talento não a impediu de sofrer horrores.

    Primeiro, a mãe parasita, depois o marido aproveitador e para fechar a chave da cadeia, um trilhardário cujo dinheiro não fez dele um homem melhor (você conhece um tal de Onassis?).

    O filme dá um panorama geral da vida dela, as óperas mais icônicas, o público, a imprensa... mas para compreender melhor as lacunas, vai lá: https://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Callas

    Para ouvir outra opinião: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/filme-maria-callas.phtml

    05 December 2018

    Longe da árvore

    Preciso dizer que chorei cântaros?

    Mó tapa na cara de gente preconceituosa (explico: havia lido o livro e fui assistir ao documentário esperando menos, afinal os livros sempre são mais interessantes).

    Andrew Solomon (o autor) é um dos produtores, o que talvez explique a cadência (sim, a experiência do livro continua mais completa, mas o filme é enriquecedor pois traz histórias que não foram narradas).

    Solomon mostra sua jornada pessoal (judeu, gay) e explica por que investiu 10 anos investigando famílias cujos filhos não se parecem com os pais (anões, autistas, criminosos e por aí vai).

    O final é de arrebentar o coração: "descobri que ser infeliz é o padrão; é preciso ser criativo para construir a felicidade e sair da mediocridade".

    (Preste atenção na última cena e reflita se ser normal que não é o anormal) rsrsrs.

    PS- Para ouvir outra opinião, vai lá: https://variety.com/2018/film/reviews/far-from-the-tree-review-1202879339/

    18 November 2018

    Em chamas

    E a curiosidade matou o gato rsrsrsr.

    Assisti ao trailer e fiquei instigada com o enredo : 0

    Primeiro, porque é baseado em um conto de Haruki Murakami apesar do filme ser coreano. Depois porque foi mó comentado durante a Mostra. E agora, que entrou no circuito comercial, a imprensa pegou fogo (metaforicamente) rsrsrs.

    Relutei para assistir (Poesia é lindo, mas depressivo até a medula): procurei o conto e os comentários sobre o filme para aplacar a curiosidade, mas não teve jeito (nesta hora, a gente precisa formar a própria opinião, não é?).

    Jong-su é um entregador que sonha em ser escritor e William Faulkner é um dos autores que mais o inspira. Num dia, ele encontra por acaso Haemi, uma colega de escola. Os dois se envolvem, porém entra um terceiro elemento, que Haemi conheceu em uma viagem à África. Ben é o oposto de Jong-su: rico, bem-relacionado, frio. Não demora muito (ou melhor, demora séculos porque o filme é arrastado à beça) para as coisas esquentarem rsrsr.

    O que eu mais gostei foi o brilhantismo na sutileza (bocejo), as metáforas (4o. andar), o jogo de chiaroscuro...  O tempo todo o diretor dá pistas: culto x não instruído, raiva aparente x violência dissimulada, amor x atração utilitária, passado x presente, pai x filho e por aí vai.

    Outra coisa (olha a viajanda) rsrsr é perceber uma apropriação de 3 Dostoievski: Crime e Castigo (uma pessoa acima de qualquer suspeita comete um crime e... sairá impune?), O duplo (muita atenção na construção dos personagens Jong-su x Ben, Haemi x mãe do protagonista) e O idiota (todos contam seus segredos a um jovem rapaz por julgarem-no inofensivo).

    Resumo da ópera: filme inteligente (assista correndo) rsrsr.

    09 November 2018

    Quincy Jones

    Quincy Jones tem 85 anos e quase sete décadas de atuação marcante na história da música. 

    Por isto, assistir ao documentário da Netflix é condição sine qua non para todo amante de música; ).

    Para ter uma ideia do que estou falando, vai lá: https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2018/10/08/dez-grandes-momentos-do-filme-sobre-quincy-jones-na-netflix/

    01 November 2018

    Vidas duplas

    No último filme de Olivier Assayas, “Vidas duplas”, os personagens falam muito e compreendem pouco. É que está todo mundo mais ou menos perdido com as mudanças provocadas pela era digital. Em longos diálogos, eles debatem, brigam e se frustram com a perda de suas antigas referências. E dão algumas risadas também — afinal, é uma comédia.

    A trama gira em torno de um editor de livros (Guillaume Canet) e de um escritor de romances semiautobiográficos (Vincent Macaigne), que sofrem com a ameaça dos e-books e dos novos paradigmas do mercado. O primeiro precisa se reinventar à frente de uma editora tradicional, ainda despreparada para as tecnologias atuais. O segundo vê uma polêmica sobre o seu livro ser amplificada pelas redes sociais, e não compreende como as pessoas podem considerar um tweet uma forma de literatura. Enquanto temem ficar ultrapassados, eles ainda tentam conciliar suas rotinas conjugais com seus affairs românticos.

    — Eu queria ver como essas mudanças afetam os indivíduos, como eles se adaptam ou não, como compreendem ou não — diz Assayas. — A revolução digital transformou nossa maneira de pensar, de funcionar, de reagir, de nos ver como cidadãos.

    Em pauta, pós-verdade, fake news, excesso de informação — temas que poderiam aparecer na cadeira de Teoria da Comunicação de qualquer faculdade de Jornalismo, mas que o cineasta decidiu transformar em objeto dramático e cômico.

    É, também, uma maneira de problematizar nossos vícios por imagens e nossa dependência das telas dos smartphones. O projeto, aliás, começou como um drama, mas foi ganhando um viés cômico à medida que o roteiro avançou; o novo direcionamento levou à escolha dos atores, todos dotados para a comédia. Completam o elenco principal Juliette Binoche e a humorista Nora Hamzawi.

    Assim como em outros longas do diretor, como “Irma Vep” (1996) e “Clean” (2004), sobram comentários irônicos sobre a indústria cultural. Especialmente no caso da personagem de Juliette Binoche, um dos mais divertidos. A diva francesa faz o papel de uma atriz que, quando não está atuando em alguma montagem de um texto clássico de Jean Racine, trabalha em séries binge-watching — como são chamados os programas que levam os espectadores a assistir a um episódio após o outro.

    — O que acho perturbador na cultura contemporânea é que as imagens, e isso inclui o cinema, estão se constituindo em torno do vício — diz Assayas, que abordou o tema também em seu último longa, “Personal shopper” (2016).

    — É o que temos com as séries, os videogames, a informação... Mas não nos damos conta disso porque essa sociedade despreza a reflexão e as ideias abstratas, sendo que são elas que têm a força para nos salvar.

    Nesse quesito, o próprio Assayas diz ser “mais ou menos como todo mundo”, ou seja: um “narcodependente” da informação. Ele está, inclusive, perturbado com a mudança de seus hábitos de leitura e de consumo.

    — Sempre li de dois a três jornais todos os dias desde que era adolescente — conta o diretor.

    — Ainda assino, mas não tenho mais prazer de ler no papel, só no smartphone. É algo que nunca achei que iria acontecer. Também era um comprador compulsivo de vinil e CD; agora, só compro música pelo iTunes.

    Para saber mais:
  • https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/lancando-vidas-duplas-no-rio-olivier-assayas-comenta-projeto-baseado-em-livro-de-fernando-morais-23222640
  • https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2018/11/10/olivier-assayas-lanca-vidas-duplas-no-festival-do-rio-e-fala-de-juliette-binoche-ela-mesma-se-dirige.ghtml
  • 25 October 2018

    John Mc Enroe: no império da perfeição

    Educativo até a medula rsrsrs.

    Um ensaio fílmico sobre a lenda do tênis John McEnroe no auge de sua carreira e no topo do ranking mundial, documentando sua busca pela perfeição, frustrações e a pior derrota de sua carreira no Aberto de Roland-Garros em 1984.


    Tudo o que eu teria para dizer, o Barcinski já falou - vai lá: https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2018/10/03/filme-revela-a-arte-de-john-mcenroe-genio-do-tenis/

    24 October 2018

    Maya

    A Mostra começou com tão pouca informação que fiz escolhas não pelos projetos, mas pelos realizadores. Confiança é isto. É você se abrir para o que o outro tem a oferecer mesmo sem saber o que será.

    E porque confia nele e no olhar que tem, você sabe que ele vai trazer o melhor. Vai tirar você da zona de conforto para enxergar coisas com as quais não está acostumando e prestar atenção em coisas que não teria visto sozinho.

    Mia Hansen-Love é um deles ; ).

    Um rapaz toma banho num hotel. Quando fecha a torneira e começa a se enxugar, nota-se um hematoma feio nas costas. Com o corpo ainda úmido, coloca as calças, olha-se no espelho, pega uma tesoura e corta a barba hipster. Quando o jatinho pousa, repórteres aguardam no aeroporto.

    E aí que descobrimos que Gabriel é um repórter de guerra que foi sequestrado por terroristas sírios e libertado mediante pagamento de resgate. Após os procedimentos de praxe (exames médicos, avaliação psicológica, encontro com as pessoas próximas), ele decide deixar Paris e passar um tempo na Índia.

    E o filme parece começar neste instante porque você vai descobrindo o universo interior do personagem que é hermético por natureza, a infância sofrida que trouxe consequências devastadoras (assim como pessoas que aparentam estar tudo bem por fora, mas por dentro está tudo despedaçado).

    A diretora é de uma delicadeza porque optou por não fazer julgamentos - pelo contrário, mostra que todas escolhas envolvem sofrimento mesmo que a olhos nus pareçam superficiais (preste atenção no rosto da mãe após deixar o encontro).

    Outra delicadeza é Maya, a única personagem que parece estar inteira ("seja pouco, mas seja você"). Maya também tem uma história de sofrimento, mas nem por isto esconde ou deixa a dor definir quem ela é. E, enquanto todos procuram motivos para justificar seus tormentos, Maya é a única que tem leveza para olhar para o futuro.

    É neste momento que Gabriel precisa decidir se irá se reconciliar consigo e viver de verdade ou se continua fugindo de si e confundindo fazer com ser. Porque se a gente não tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, a coisa mais fácil é ficar preso num círculo vicioso de repetir os erros.

    O que ficou para mim é que, às vezes, não é questão de faltar amor para um relacionamento dar certo, mas a indisponibilidade emocional de uma delas. Uma até pode ser sincera, mas se as duas não estiverem de coração aberto para viver - e morrer - por este amor, esquece.

    Tristeza é encontrar o amor da sua vida e não saber dar valor.

    Porque o tempo não volta e o que você deixou de viver, adeus.

    15 October 2018

    Papillon

    Papillon é uma história real e impactante, que foi filmada duas vezes, e que conta as agruras e a fuga fabulosa de um prisioneiro francês na Guiana Francesa.

    O que achei mais tocante foi perceber que, mais do que julgar os atos do protagonista, o filme fala sobre esperança e fidelidade, qualidades tão raras nos dias de hoje.

    Outra reflexão interessante é sobre zona de conforto e pertencimento (procurarmos e acharmos nosso lugar no mundo) sem que isto signifique revolta ou acomodação.

    Saí da sala com vontade de assistir a 1a. versão, filmada em 1973.

    PS- Gentem, pára o ônibus que eu quero descer rsrsrsr. O cara era mó 171, espia só:
  • https://istoe.com.br/8821_A+VERDADEIRA+HISTORIA+DE+PAPILLON/
  • http://www.mundogump.com.br/papillon-e-o-homem-que-enganou-o-mundo/
  • 09 October 2018

    Os invisíveis

    Quando li a resenha, pensei tristemente: vou assistir mais um filme enaltecendo a covardia como forma de sobrevivência (que bom que eu estava errada).

    O filme conta a história real e aterrorizante de 4 jovens que sobreviveram ao extermínio antissemita.

    Um se escondeu na casa de várias famílias, o outro falsificava documentos, a outra se fingiu de viúva e trabalhou na casa de um alto funcionário alemão e a última se misturava às aglomerações de pessoas na rua.

    Além da coragem própria da idade, penso que a melhor maneira de responder a uma situação absurda é viver de maneira criativa e ousada como eles viveram (principalmente Cioma). E o que achei mais lindo foi constatar que não se tornaram pessoas amargas, pelo contrário, alguns até ajudaram os outros (preste atenção nos últimos 10 minutos, quando as mulheres judias 'salvam' algumas mulheres alemãs).

    PS- Para ler outra opinião, vai lá: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/os-invisiveis-narra-como-judeus-berlinenses-se-salvaram-na-2a-guerra.shtml

    06 October 2018

    This is it

    Mais do que rei do pop, Michael Jackson foi um gênio (por isto as pessoas não o compreendiam).

    Compositor talentoso, exímio cantor (que voz!), excelente dançarino, coreógrafo de corpo e alma, enfim, um artista completo.

    Só hoje assisti o documentário que seria o seu último show e fiquei arrepiada.

    Filmado em 2009, mostra como Michael Jackson estava à frente do seu tempo - sem abrir a boca, dava seu recado poderoso sobre gênero, raça e hierarquia (se impunha com educação e delicadeza, sem precisar ser grosso ou dar piti).

    Resumo da ópera: além da produção ser impecável (quantas ideias incríveis no ensaio!) fiquei c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e apaixonada pelo MJ < 3.

    Assista correndo e deleite-se, conhecendo ou não o maior artista de todos os tempos : )))

    PS1- Dúvida cruel|: se estivesse vivo, o que estaria criando hoje (pq gente visionária enxerga o futuro antes que todo mundo)?

    PS2- Sobre o passado: ao assistir o documentário fica claro que MJ não assediou nenhuma criança (quem tem um mínimo de bom senso e discernimento percebe que, pelo temperamento e caráter, não seria capaz). Ele foi vítima do que hoje chamamos de fake news (era tão puro que só se sentia seguro e à vontade com crianças; infelizmente  não percebeu que poderia ser presa fácil de pais inescrupulosos). A sensação que tenho é que, depois de ser acusado injustamente, passou a dopar a alma para não sentir dor (para quem é decente, a pior coisa é ser acusado de algo que não cometeu).

    03 October 2018

    O orgulho

    Gentem, este filme é s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l!!!

    Trama inteligente, diálogos afiados, personagens carismáticos, interpretação primorosa - quer mais?

    Pierre é um talentoso professor universitário que sente prazer em humilhar as pessoas. E Naila Salah, em seu 1o. dia de Sorbonne, se torna sua vítima diante de uma centena de alunos.

    Só que ela não se intimida, retruca à altura e a discussão é filmada pelos colegas de classe que imediatamente postam na rede a troca de farpas.

    Começa então um repúdio que chega à reitoria pedindo a cabeça do professor, porém um diretor cria um estratagema: Pierre deve mentorear a caloura, preparando-a para representar a universidade num concurso de retórica. Desta forma atrai mídia e simpatia do público.

    O desenrolar do filme é de uma delicadeza de encher os olhos: de adversários ferrenhos, os dois se tornam amigos a ponto de trocar confidências e aprendizado.

    Em paralelo, Naila se declara a Munir, seu amigo de infância, e os dois se tornam namorados.

    É muita linda a transformação física e emocional de Naila, por isto o choque perto do fim.

    Será que ela vai perder a essência? Será que vai sucumbir diante da decepção?

    Outro personagem forte (este sim, o verdadeiro heroi) é Munir que, da sua simplicidade, sustenta com robustez o que acredita e diz verdades cortantes à Naila (impossível não se apaixonar por ele).

    Le Brio é um filme para sair do cinema com o coração despedaçado e de alma lavada (cuidado para não morrer alagado ao sair da sala inundada de lágrimas).

    PS1- Por que sempre 'desconfio' de que obras de arte só podem nascer de pessoas incríveis (e Yvan Attal é uma delas)?

    PS2- Para ´ouvir´outra opinião, vai lá rsr: https://movienonsense.com/2018/07/29/le-brio-o-orgulho/

    01 October 2018

    Una

    Cééééus, que filme triste ; (

    O lado bom é que nem parece americano hahaha!

    Rooney Mara interpreta uma jovem que resolve confrontar o homem que abusou dela quando criança - só que as coisas não são muito beeem como parecem...

    Os personagens são dúbios, não dá para saber se a garota amava (ou usou o sexo como isca de manipulação e poder) e se o homem era perdido e imaturo emocionalmente (por isso se envolveu com uma criança) ou se usava da mentira para se esconder (socorro que a pior mentira é mentir para si mesmo), afff.

    Assista num dia em que estiver com paciência e sem pedras de pré-julgamento na mão (a beleza da mensagem está na sutileza e nos detalhes).

    19 September 2018

    Troca de rainhas

    O filme mostra um episódio da história em que a Espanha e a França trocaram princesas para evitar uma guerra: Maria Ana Vitoria (4 anos) casaria com Luís XV e Louise Elisabeth (11 anos) casaria com Luís I.

    Apesar de superficial, gostei dos detalhes históricos e da reconstituição de época.

    Outra coisa foi constatar que culturalmente os franceses sempre veem o que é melhor para si enquanto que os espanhóis são regidos pelas emoções (não é uma crítica).

    Para refletir: como seria a História se os monarcas tivessem se casado?

    13 September 2018

    Você nunca esteve realmente aqui

    S-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l (mó soco no estômago)!

    Joaquin Phoenix interpreta um ex-veterano atormentado por pensamentos suicidas que se torna justiceiro de vítimas infantis e cuidador bem-humorado e zeloso de sua mãe enferma.

    O filme é permeado por flashbacks de uma infância abusiva e de cenas vividas durante a guerra (por exemplo, quando uma criança mata outra por causa de uma barra de chocolate).

    Na metade do filme, a história ganha em densidade - e aperto no coração. Ao resgatar uma menina de uma situação vulnerável, se vê envolvido numa trama macabra que lhe custa tudo o que é mais caro.

    O que achei mais lindo foi perceber que na verdade quem precisa ser salvo ali é ele mesmo e o desfecho é de uma sensibilidade e delicadeza que quase saio da sala debulhada em lágrimas.

    Porque na vida também é assim - os mais fracos é que são os mais fortes.

    Para saber mais, vai lá: https://en.wikipedia.org/wiki/You_Were_Never_Really_Here

    PS- Preste atenção na trajetória da diretora (também realizadora do excelente e perturbador Precisamos falar sobre Kevin), vai lá: https://en.wikipedia.org/wiki/Lynne_Ramsay

    01 September 2018

    Nico, 1988

    Antes do filme estrear, já estava mó pilhada (todo mundo sabe que sou chegada numa parada bizarra) hahaha!

    Confesso que nunca tinha ouvido falar na Crista Päffgen e fiquei completamente alucinada pela presença de espírito dela.

    Ex-vocalista de uma banda underground, musa de Andy Warhol, extremamente talentosa e inteligente (o que pode ser uma grande tragédia), o filme mostra seus últimos dois anos permeados por cenas explicativas do passado (a infância na guerra, a maternidade ausente e muito mais).

    Preste (muuuuuita) atenção nas falas da personagem - pérolas para guardar e refletir a vida inteira.

    Adorei a transparência, a lucidez e a coragem da Nico - ela era tão visceral e tão verdadeira em suas relações!

    E o que mais achei sensacional é que ela viveu numa época sem registros digitais, ou seja, não dá para pesquisar com quem ela vivia, como se relacionava, o que pensava - o que aumenta mais a aura de mistério pois existem gaps que impedem de montar o quebra-cabeças.

    Resumo da ópera: se você gosta de pessoas que intrigam e desafiam, assista correndo e se apaixone por Nico, vai lá: https://en.wikipedia.org/wiki/Nico,_1988

    PS- Para ouvir outras opiniões, vai lá:

  • https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/30/cultura/1535631256_010367.html
  • https://www.hypeness.com.br/2018/08/nico-1988-filme-relata-o-ultimo-ano-da-femme-fatale-que-marcou-o-velvet-underground/
  • https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/08/filme-biografico-mostra-coragem-ao-retratar-nico-perto-da-morte.shtml
  • https://blogdobarcinski.blogosfera.uol.com.br/2018/08/29/nico-a-heroina-tragica-foi-muito-mais-que-a-musa-do-velvet-underground/
  • https://variety.com/2017/film/reviews/nico-1988-review-venice-film-festival-1202542702/
  • https://www.theguardian.com/film/2018/apr/25/nico-1988-film-velvet-underground-tribeca
  • 31 August 2018

    Ramen Teh

    Aaaamo filmes fora da caixa e The Lamen Shop é um deles ; )

    Masato é um jovem que, ao perder o pai japonês emocionalmente hermético, se depara com o diário da mãe singapurana falecida e vai atrás da história.

    Descobre que o casal se apaixonou quando o pai foi trabalhar na terra de sua mãe, e se casam. No entanto, a avó materna rejeita a união e rompe com a filha.

    É uma história linda de amor e redenção, sem falar nas receitas rsrsrsr.

    Se você é descendente de orientais e não se importa em alagar o cinema (chorei cântaros), assista correndo: https://en.wikipedia.org/wiki/Ramen_Teh

    PS- Para ouvir outra opinião, vá lá: https://variety.com/2018/film/asia/ramen-teh-review-ramen-shop-1202704508/

    20 August 2018

    Assassina

    O cinema chinês sempre surpreende pela beleza plástica e pela narrativa, por isto assistir Assassina é um deleite para os olhos (e uma faca no coração).

    A heroína (aaaaamo personagens fortes) parece frágil e delicada, mas tem uma habilidade que a coloca numa missão ambivalente: matar o seu amado que agora se tornou um homem poderoso politicamente.

    O filme inteiro você se pergunta se ela irá cumprir seu dever (razão) ou será rendida pelo coração.

    Para saber mais, vai lá: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Assassin_(2015_film)

    30 July 2018

    A câmera de Claire

    Atraida pelo elenco (Isabelle Huppert maravilhosa) e pelo trailer inteligente, lá fui eu cair na maior arapuca dos últimos tempos hahahah.

    Claire é uma professora que gosta de tirar fotos. Em Cannes conhece uma garota coreana (a protagonista de A criada) que se envolve com um diretor casado (de novo, não...).

    Dureza são os diálogos improváveis e engessados (constrangedor ao cubo)...

    Para saber do que se trata (e não entrar de gaiato no navio), vai lá:
  • https://www.youtube.com/watch?v=U4-C5L0TupE
  • http://www.itaucinemas.com.br/filme/a-camera-de-claire
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Claire%27s_Camera
  • 25 July 2018

    Isle of Dogs

    AAAAAAAmo tudo o que o Wes Anderson faz desde sempre ; ).

    Por isto, quando descobri que Isle of  Dogs estreeou, fui correndo conferir rsrsrs.

    Isle of Dogs é uma pééééérola: além da estética perfeita (rsrsrs), o casting e o roteiro hiper mega super bem amarrado (consciência de sustentabilidade que vai além do meio ambiente, mas também das relações humanas).

    E para quem é japa, é bônus extra (alguns diálogos não tem tradução, mas captam bem a cultura oriental).

    Para se deleitar, apreciar cada segundo e sair da sala já pensando em voltar, vai lá: https://www.youtube.com/watch?v=dt__kig8PVU

    23 July 2018

    O amante duplo

    Geeeente, que viagem!

    O Ozon sempre manda bem, mas desta vez o trailer enganou legal rsrsrs.

    Chloe é uma garota com fortes cólicas que procura um psicanalista após sua ginecologista afirmar que seu organismo não tem nada de anormal.

    Ela se envolve com Paul que, abre mão de atendê-la, para morar com ela.

    No entanto, Chloe não conhece nada do companheiro, até vasculhar em seus documentos e descobrir que...

    ... calma!

    Para saber mais, vai lá: https://www.youtube.com/watch?v=7Q3oJPfHAtA

    03 July 2018

    Desobediência

    Gosto de tudo que não é fácil e Desobediência é um filme assim ; ).

    Ronit é uma fotógrafa talentosa que trabalha em NYC, mas que decide voltar inesperadamente para a Inglaterra para acompanhar o cerimonial de sepultamento do pai, um prestigioso rabino.

    Recebido por seu amigo de infância Dovid, descobre que este se casou com Esti, sua melhor amiga. No passado, os três eram muito unidos.

    Ao longo da história, o passado vai se descortinando e o que mais gostei foi do diretor não fazer julgamentos rasos ou cindir os personagens em mocinhos ou bandidos 

    O que se vê são personagens densos e interpretações primorosas que fazem refletir sobre hipocrisia, tradições, regras, estereótipos, convenções e tudo mais. 

    A cena inicial é de arrebentar: o rabino prega sobre escolha, entre ser obediente como os anjos ou entregue aos instintos como os animais. 

    Me identifiquei com o trio: é possível ser revolucionário e ao mesmo tempo contido, ser frágil e ao mesmo tempo forte, ser responsável e ao mesmo tempo generoso.

    Os minutos finais são arrebatadores pq os três passam por uma explosão interna que os transforma em gigantes.

    Para sair da sala com os olhos cheios de lágrimas.

    20 June 2018

    La la land - post 2

    Assisti novamente a La la land e realmente só os bons sobrevivem ao tempo (e La la land é um deles ; ).

    Desta vez, o que mais me tocou foi o embate entre o casal Mia e Sebastian.

    A relação parece o livro Cântico dos Cânticos, de Salomão, que narra os encontros e desencontros de um casal.

    Sebastian é sensível, generoso, íntegro. Mia também é sensível, mas cindida. Se não é a fortaleza de Sebastian a sustentando, ela se perde como um saco de plástico no vento.

    Tudo de maravilhoso que aconteceu na vida dela foi graças a Sebastian (a coragem para montar a peça, a atitude de ir até o estúdio para a derradeira audição que vai definir sua vida), mas Mia é incapaz de agradecer o instante que vive, a alegria de estar viva, presente no presente.

    A cena final é melancolia pura, um reconhecimento da parte de Sebastian (sem acusar ninguém, apenas mea culpa) que tudo poderia ter sido diferente.

    Até nisto ele mostra sua maturidade emocional.

    Para lembrar com nostalgia e aprender (de preferência com o erro dos outros).

    16 May 2018

    Terceiro assassinato

    Tem diretor que a gente fica em estado de alerta porque sabe que sempre será surpreendido pelo olhar dele e o Kore-eda é um deles ; ).

    Confesso que já estava de olho no filme desde a Mostra, portanto, imagine meu desespero para assistir logo (e o medo de sair de cartaz) rsrsrs.

    Shiguemori é um advogado que precisa defender um assassino confesso que foi posto em liberdade após 30 anos de detenção, e que é acusado de ter cometido outro crime: roubo seguido de morte.

    O problema é que seu cliente Misumi muda de versão todas as vezes que depõe: primeiro, diz ter cometido o crime por necessidade monetária, depois por raiva, depois por encomenda... o que faz com que o advogado resolva investigar a história para montar a estratégia de defesa.

    Porém, quanto mais o tempo passa (na verdade, dá para sacar o que aconteceu nos primeiros 10 minutos de filme), mais densa a trama fica. O que é verdade? O que é mentira: deturpação da realidade ou omissão dos fatos?

    O tempo todo os personagens são confrontados, seja profissionalmente, seja na vida pessoal. Mas o mais legal é que chega um momento em que não importa mais o que aconteceu, quem morreu, quem matou ou por quê, mas as angústias e escolhas éticas de cada personagem que no final se fundem - você já não sabe quem pensa o quê, porque todos os corações se tornam uma coisa só, uma bola de carne sangrando bem grande.

    As imagens são mais eloquentes do que um discurso inflamado - preste atenção nos rostos refletidos no vidro da cabine prisional. E preste atenção também nos papéis que cada personagem representa, por exemplo, os advogados são uma coisa só (diferentes faixas etárias, representando as diversas fases da vida), o juiz (que representa a Justiça, mas está mais preocupado com o processo do que com o ser humano - ou seja, mostra que como autoridade suprema está morto por dentro - pura crítica social), a promotoria pública (que deveria defender o que é certo, mas que aquiesce) e os três personagens mais emblemáticos e hiper-comprometidos com a justiça, a verdade e a compaixão (caaaaaalma que não vou dar spoiler) rsrsr.

    Melhor frase do filme: - cansei de mentir; prefiro ficar preso para poder falar a verdade.

    O final é liiiindo (e mó tapa na cara).

    Resumo da ópera: se você gosta de reflexões perturbadoras que te fazem desligar o piloto automático, assista correndo!

    PS- Para ler outra opinião, vai lá: http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,o-terceiro-assassinato-da-novo-folego-ao-genero-drama-de-tribunal,70002274382

    01 May 2018

    Submersão

    Tenho fixação pelo Wim Wenders, ou seja, se um dia ele filmar campeonato de bolinha de gude, assisto rsrsrs.

    Submersão é arrastado e hermético, e traz a história de amor (#sqn) de um casal fadado à tragédia: ela pesquisadora de oceanos, ele agente militar secreto.

    Mas o que mais gostei foi da reflexão: até que ponto você está preparado para ir até o fim daquilo que acredita?

    Os personagens enfrentam seus fantasmas e dilemas:
    • pelo que vale a pena morrer 
    • pelo que vale viver (como se a vida não tivesse valor)
    • como viver de maneira íntegra a sua fé (é de arrasar a cena do terrorista adorando Alá e na sequência torturando uma pessoa)
    • a coragem dos medrosos
    • a covardia dos aparentemente fortes
    • quem é que está vivo
    • quem é que está morto
    • e por aí vai.
    Para aumentar a curiosidade e saber um pouco mais do que estou falando, vai lá:

    11 April 2018

    Garota desconhecida

    Não sei por que cargas d´agua não assisti Garota Desconhecida quando passou no cinema (daqueles mistérios inexplicáveis que você assiste na hora em que está pronta para entender).

    E claro que como sou contra a maré, eu a-d-o-r-e-i (os irmãos Dardenne são simplesmente sensacionais)!!!

    Adèle é uma médica recém formada que mentoreia um residente até que uma suposta paciente perde a vida de maneira trágica. Sentindo-se culpada, começa a investigar e vai adentrando na questão dos refugiados, a sub-vida que levam e seu entorno (de cortar o coração e se perguntar em que mundo afinal fazemos parte).

    Se você gosta de reflexões densas, para chacoalhar a alma, assista correndo ; ).