21 July 2017

De canção em canção

Ver um Malick é ter a certeza de ser surpreendido e Song to song não foge à regra.

O filme inteiro é arrebatado por imagens de inundar os olhos e o coração além de chacoalhar com reflexões e quatro personagens principais para lá de perturbadores.

O produtor é um homem charmoso, inteligente, competente, hedonista e utilitarista que chega até a ser perverso. Ele consegue distinguir o que os outros tem de melhor e não  reluta em tirar o que lhe dá proveito.

O compositor é um personagem apaixonante: tudo o que toca, transforma para melhor, é generoso e só se envolve no que acredita. Por isto mesmo acaba sendo visceral, e é muito linda a transformação pelo qual passa de crescimento e maturidade.

A artista (como toda boa artista) rsr é tão fluida que parece perdida. Ela se deixa levar como uma onda no mar. O problema é que ela fica à mercê dos outros se tornando refém das circunstâncias.

A garçonete deixou seu sonho e talento para trás. Para amenizar a dor dos outros, acaba sacrificando a si mesma.

Qual o limite para amar e não ferir (ou ser ferido)? E o preço a ser pago para ter o que se quer?

O que achei lindo foi perceber que é uma reflexão pessoal, qual é o papel do homem na atualidade.

O final é tocante: um ode à humildade, à simplicidade e um convite à nossa verdadeira essência.

A única coisa que não gostei foi a escolha do casting (cheiro de comida requentada - pelos atores, dava para perceber o papel que cada um iria desempenhar).

Meio clichê, nada Malick.

PS- Para ouvir outras opiniões, vá lá:
  • http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1902532-terrence-malick-cria-uma-colagem-inebriante-em-novo-longa.shtml
  • https://www.theguardian.com/film/2017/jul/06/song-to-song-review-terrence-malick-rooney-mara-michael-fassbender-ryan-gosling
  • 20 July 2017

    Frantz

    Tem cineasta que é uma eterna grata surpresa: pela delicadeza que mostra a vida, pelo olhar sensível na construção dos personagens... e o Francois Ozon é um deles ; ).

    Frantz traz a história de um soldado alemão morto na guerra que é pranteado pela noiva, pelos pais e por um suposto amigo francês que conheceu antes da guerra.

    O que mais gostei é que as coisas nunca são o que parecem (tapa na cara de gente deformada por estereótipos ou que é cínica por natureza) rsrsr: oui, dá para ser amigo de quem todo mundo julga ser inimigo, dá para perdoar o imperdoável, dá para ser surpreendido pelo bem ou pelo mal, dá para ser forte quando o coração está despedaçado, dá para ser honesto quando tudo diz que não, dá para reconstruir em cima de destroços.

    Para ouvir mais opiniões, vai lá:

  • https://omelete.uol.com.br/filmes/entrevista/frantz-busco-o-que-ha-de-mais-fragil-na-condicao-humana-diz-francois-ozon/
  • https://www.nytimes.com/2017/03/14/movies/frantz-review.html
  • 19 July 2017

    Paris pode esperar

    Geeeentem, não é só Paris que pode esperar... qualquer pessoa inteligente deve esperar esta bobagem sair em TV aberta, socorro!

    Atraída pelo título (propaganda enganosa) rsrsrs, pelo DNA da diretora (sim, esposa do Copolla e mãe da Sofia), do casting (a Diane Lane é linda, mas sujou  o currículo ao embarcar nesta egotrip da pseudo-diretora) rsrsrs.... lá foi a tonta cair na mais velha armadilha de Hollywood.

    Uma mulher negligenciada pelo marido executivo faz uma viagem de Cannes a Paris de carona com um amigo e... h-a-h-a-h-a-h: Julia, Sabrina, Bianca e Barbara Cartland conseguem emocionar muito mais.

    Dica duca: como diria o Selton Mello no trailer de seu mais novo filme: - perda de tempo! Pra que ficar no escuro vendo a vida dos outros ao invés de cuidar da sua e perder 2 horas da vida ?!

    25 June 2017

    O círculo

    É desconcertante quando Hollywood flerta com a paranoia, mas ainda assim é preferível assistir um desses do que aqueeeles melodramas de bocejo previsível.

    O círculo é uma crítica distópica sobre o uso exacerbado da tecnologia.

    Mae Holland é uma garota cujo maior medo é não ter todo seu potencial concretizado. Ela entra para uma empresa de tecnologia (Jobs e Zuckerberg vestiriam a carapuça haute couture) que propõe uma sociedade eugênica (hahaha, Hitler tb começou assim) rsrsrsr.

    Para quem acredita em Fada do Dente, Papai Noel e whats app grátis, vale como reflexão ; ).

    20 June 2017

    Rodin

    Esta versão, protagonizada por Vincent Lindon, é mais rasa do que sopa servida em pires.

    Rodin, na casa dos seus 40 anos, se envolve com a aluna Camille Claudel, e na sinopse do filme, fala do seu "desabrochamento" para as figuras femininas. 

    Ahhhh, tá...

    Seria muito mais interessante (e mais honesto) falar então só sobre Camille, não é?

    A sensação que dá é que ela criava com todo o seu ser - toda a sua alma estava envolvida no que produzia (e isto parece muito mais surpreendente e excitante do que apenas validar com uma assinatura o que os outros faziam, como Rodin).

    Talvez no final o diretor quisesse fazer esta crítica (porque no final, o Balzac produzido por Rodin, não é reconhecido com grande obra).

    Mais uma vez o tempo como juiz do que é efêmero ou eterno.

    18 June 2017

    Neve negra

    Tem filme que a gente vai pelo ator, mas Darin... peloamor : (((.

    A história tenta ser intrigante e por isto mesmo frustra (mais decepcionante do que feijoada em lata).

    Uma família disfuncional se reencontra após a morte do patriarca: o irmão mais velho é um eremita, o do meio parece estar mais ou menos adaptado à sociedade (casado com uma linda mulher, à espera do 1o. filho, grana curta), a caçula é artista e está internada num manicômio (sem pleonasmos, por favor) hahah e um segredo envolvendo a morte de outro irmão na infância.

    Se você curte cinema argentino, pleeeease não se empolgue - segure a curiosidade e aguarde o filme sair pela Netflix, ok?

    16 June 2017

    Rock´n´roll

    Uma das coisas mais legais do festival Varilux é ter acesso a filmes que jamais entrarão em circuito comercial no Brasil.

    Rock´n´roll é uma pseudo-história autobiográfica onde Guillaume Canet (ator e diretor francês consagrado, e por acaso, marido da talentosa Marion Cotillard) flerta com a realidade e tira sarro de si mesmo e da sociedade contemporânea obcecada por beleza e celebridades.

    Ele é um ator que atingiu o equilíbrio tanto profissional quanto pessoal, mas que se ressente da perda da juventude e do sex appeal.

    O mais engraçado é que, o usual é que este sentimento apossar de mulheres maduras, mas neste caso é ele quem surta (e o filme mostra de maneira hiperbólica todas estas fases) hahaha.

    Dica duca para quem gosta de filme inteligente e nonsense ao mesmo tempo rsrsrsr.

    04 June 2017

    Reset

    O que faz de uma pessoa um grande artista?

    É uma pergunta que fiz enquanto assistia ao documentário Reset, que mostra o processo de Benjamin Millepied quando assume a direção criativa da Ópera de Paris.

    Benjamin é jovem, competente e sabe o que quer. E sua coreografia exigente traduz quem ele é.

    Mas outro lado, percebo que não basta apenas ser bom no que faz - é preciso saber trabalhar em equipe (o que envolve confiança), saber ler o ambiente (que na maior parte das vezes é maior que nosso raio de atuação) e por aí vai.

    Para ouvir outras opiniões, vai lá:
  • https://www.nytimes.com/2017/01/12/movies/reset-review-benjamin-millepied.html?_r=0
  • http://variety.com/2016/film/reviews/reset-film-review-releve-1201759783/
  • https://www.nytimes.com/2015/09/26/arts/international/paris-opera-shows-off-its-brilliance.html
  • https://www.youtube.com/watch?v=nizqVUZZuYQ
  • https://www.youtube.com/watch?v=MOkV27lgjBc
  • http://www.deezer.com/album/12032606
  • 25 May 2017

    Paterson - post II

    .
    Quando o filme é bom, você assiste duzentas mil vezes e se encanta em todas elas - Paterson é assim ; ).

    A beleza já começa pelo nome: filho do Pai (rs). E depois, pelo diretor, o sempre surpreendente Jim Jarmusch).

    Paterson é um motorista sensível que compõe lindos poemas ao longo do dia. É casado com uma artista ordinária (não no sentido ruim da palavra, pelo contrário, é uma dessas outras tantas artistas anônimas e invisíveis que existem pelo mundo, mas nem por isto menos importantes).

    O casal é óleo e água; parecem não ter nada em comum. Mas por isto mesmo são tão especiais porque entre eles existe o respeito, o carinho, a gentileza, o cuidado e a consideração - e isto aumenta ainda mais a beleza do relacionamento dos dois.

    Outra coisa que me tocou é que eles são o oposto de muitos casais da atualidade, que ficam juntos para infernizar a vida um do outro e se destruir mutuamente (quem assistiu A guerra dos Roses sabe do que estou falando) rsrsrs.

    Neste caso, o marido jamais critica a esposa e nem reclama, mesmo quando está com razão. E a mulher, por sua vez, é a maior incentivadora do marido.

    Achei engraçado Paterson não ter família, mas o diretor parece ter optado de propósito, para mostrar que ele é filho daquele lugar coalhado de pessoas comuns e ao mesmo tempo notáveis.

    O final é de uma epifania maravilhosa. Sim, qualquer um pode ser poeta, até mesmo um mafioso da Yakuza (preste atenção nos dedos enfaixados do japinha) rsrsrsr.

    A frase que mais me identifiquei: "poesia traduzida é como usar capa para sair na chuva" (detalhe: ouvindo isto e observando uma linda e majestosa cachoeira) rsrsrs.

    - Jim Jarmusch, fala sério: quando crescer, quero ser como você ; )!

    PS- Para conferir outras opiniões, vai lá:

    23 May 2017

    A promessa

    A fotografia deste filme é de encher os olhos e a história é de cortar o coração.

    Ambientada na época do genocídio armênio, três jovens tem o destino entrelaçado: um estudante de medicina armênio, uma jovem francesa e um jornalista americano.

    Para saber mais: http://www.ultimato.com.br/conteudo/a-promessa-o-filme-e-o-genocidio

    06 May 2017

    A filha

    .
    O título deveria ser Pai (para não virar spoiler). 

    A trama é engendrada, os personagens bem construídos, mas em algum momento o roteiro ficou previsível demais, afff.

    Um executivo encerra as atividades de sua empresa às vésperas do seu segundo casamento. O filho do primeiro casamento, chega à cidade para participar da cerimônia e cria uma série de pequenas e grandes desgraças por onde passa (o toque de Midas ao contrário).

    Em paralelo, várias vidas que se interligam e se afastam, por distância geográfica ou falta de maturidade emocional.

    Por isto a pergunta final: - pai é quem gera ou quem cria

    E se filha de peixe, peixinha é (talvez isto explique porque estejamos todos tão doentes)...

    26 April 2017

    Paterson

    Amo filmes desconcertantes e Paterson é um deles ; ).

    Adam Drive interpreta um motorista de ônibus casado com uma mulher linda e sensível  (quase no limite, ufa!) e que possui uma alma de artista.

    Ele vive uma vida ordinária: de casa para o trabalho, do trabalho para casa... tudo sempre tão igual: o colega de trabalho que só reclama, a esposa que a cada dia tem uma ideia mirabolante (a esposa é um capítulo à parte: completamente diferente dele - e por isto a relação dos dois é tão linda: por haver respeito, carinho)... o passeio noturno com o cachorro, a cervejinha antes de voltar para casa.

    O filme é uma delícia, quase francês (contemplativo a perder de vista) rsrsrs.

    A parte que eu mais gostei foi a do diálogo na cachoeira (talento em estado bruto)!

    Melhor frase: "... é igual tomar chuva com capa de chuva" (hahahah).

    13 April 2017

    Mesmo se nada der certo

    Perdi a conta das vezes que vi Begin again rsrsrs.

    Mas é engraçado que, quanto mais a gente vê, mais se dá conta de coisas que haviam passado despercebidas rsrsr.

    Por exemplo, o filme retrata o universo da música e da criação, e os tipos que nele transitam.

    Dessa vez o que achei interessante foi notar como alguns personagens são regidos por coisas externas (ambiente, circunstâncias, pessoas, pressão) enquanto outros por sua efervescência interior (como se as coisas 'brotassem' de dentro).

    Por exemplo:

  • o cantor, que ao longo do filme, vai sendo transformando pelas pessoas que entram em sua vida, pelos lugares que passa;
  • a menina, que em meio às adversidades, vai descobrindo quem é, o que quer, o que busca, sem não ser abduzida pelo sistema ou opinião das pessoas (continua íntegra);
  • o produtor, romântico, doce e sensível até a medula, que mergulha de cabeça num tsunami porque as coisas não saem conforme ele imagina;
  • o outro produtor, que para entrar no sistema, vira um walking dead (está presente de corpo, mas a alma sabe lá para onde foi).

  • E veja se na vida, e em outras órbitas, também não tem gente assim (eita, em qual categoria me enquadro) rsrsrs.

    05 April 2017

    Um homem chamado Ove

    Humor sueco é tudo de bom rsrsrsr.

    Concorrente a melhor estrangeiro, o filme perdeu para o iraniano O apartamento (tb preciso ver) rsrsrs.

    Ove é um homem na 3a. idade hiper mega sistemático: acorda cedo, faz a ronda no quarteirão, atormenta os vizinhos, depois toma o café, vai aos mesmos lugares, sempre nos mesmos horários e por aí vai.

    Enlutado pela morte da amada mulher, tenta se matar repetidas vezes (rsrsrs) até chegar uma nova família na vizinhança...

    A história não tem nada demais e em alguns momentos chega até a ser previsível, mas é interpretada com tanta singeleza que é impossível não se apaixonar pelo enredo.

    É muito lindo o descongelamento pelo qual o personagem passa (não é que ele esteja se transformando, pelo contrário, estava já tudo lá dentro - sempre esteve - mas nunca teve a chance de colocar para fora toda sua ternura e beleza).

    E vaaaamos combinar que a maquiagem também tá de arrasar (o ator principal trabalhou no excelente Depois do Casamento) e até choca porque ninguém é tão acabado aos 59 anos rsrsrs.

    Aliáááás, o único senão do filme é exatamente este: o estereótipo da 3a. idade.

    Rabugice não tem a ver com a velhice - quem é trancado, é desde criancinha - e a graça seria exatamente esta: de desconstruir o clichê e jogar para um adolescente ou casal jovem rsrsrsr.

    Resumo da ópera: assista e chore (de rir ou chorar, dependendo do momento) rsrsrs.

    02 April 2017

    Fifteen Million Merits

    Gosta de ficar incomodado a ponto de passar (e ficar muito) mal depois?

    Assista Black Mirror ; ).

    Hoje vi o episódio Quinze mil razões e nem consegui dormir depois.

    Num futuro distópico (nem tão distópico assim) rsrsrs, as pessoas vivem escravizadas numa realidade virtual voltada à amortização dos sentidos e monetização de conquistas.

    Mesmo num ambiente inóspito, ainda é possível encontrar um ou outro que consegue enxergar beleza ou desenvolver alteridade.

    Porém o preço a ser pago é alto demais (caaaalma, não vou falar mais nada) rsrsrs.

    O final é de amargar o coração (como se toda luta não tivesse razão, e como se o final de tudo se resumisse ao tamanho da cela).

    Vai lá: https://www.netflix.com/br/title/70264888

    01 April 2017

    Renoir

    Queria ver esse filme há séculos, mas os horários desencontravam e, por ficar pouco tempo em cartaz, acabei perdendo.

    Eis que zapeando no catálogo Netflix, surpresa: Renoir estava disponível para download (uhu)!

    Como qualquer francês, é meio contemplativo, paradão até, porém nunca raso.

    O filme traz a história do pintor August Renoir, famoso impressionista, em seus últimos anos de vida. Uma jovem modelo posa para ele enquanto seu filho do meio volta da guerra.

    O que mais gostei é que, além de ser uma história real, mostra os dilemas de cada personagem e dá vontade de pesquisar mais fundo sobre o que aconteceu de verdade.

    Por exemplo, o pintor costumava se envolver com as modelos, sendo que uma delas era prima de sua esposa falecida Aline. Gabrielle teve um papel importante na vida de Jean, este filho que volta da guerra e que futuramente se torna cineasta (caaaalma, não precisa ficar bravo - não é spoiler - esta informação não consta no filme) rsrsrs.

    Melhores momentos:
    - quando o filho confronta o pai dizendo que aquela teoria de rolha, de ser levada pelas águas, é apenas uma espécie de covardia (porque escolher envolve assumir responsabilidades e fazer renúncias);
    - quando a modelo e o filho conversam na relva sobre identidade, sonhos e ambições;
    - quando as criadas derramam um balde de realidade na modelo.

    22 March 2017

    Fatma

    Fatima é uma imigrante mulçumana divorciada que luta para criar as duas filhas.

    A filha mais velha honra a mãe, estuda medicina, sofre horrores se dedicando nos estudos e sofre bullying das próprias mulheres de sua etnia. A mais nova desrespeita a mãe de todas as formas possíveis e imagináveis e, apesar de matriculada no ensino médio, desperdiça qualquer chance de crescimento.

    O ex-marido, já reconstruiu a vida com uma nova mulher, mas ´acredita´ que colabora na criação das meninas quando despeja comentários machistas sobre a filha mais velha ou quando compra um tênis novo para a outra minimizando o conflito entre mãe e filha, para não ter de assumir a responsabilidade de educá-la levando para a própria casa.

    O que mais gostei foi mostrar as dificuldades culturais (comunicação, etiqueta, ambiente, preconceito, inserção social) que uma imigrante enfrenta além das dificuldades relacionais (conflito das gerações X, Y e Z) e emocionais.

    Para ouvir outras opiniões, vá lá:

    18 March 2017

    Capacetes brancos

    The White Helmets é a força síria civil formada por 2.850 voluntários que resgatam vítimas de atentados em hospitais, prédios etc.

    Criada em 2013, já salvou mais de 62 mil pessoas (destaque especial para um bebê de 1 mês que ficou soterrado por 16 horas).

    Para saber mais, assista ao documentário vencedor do Oscar deste ano: https://www.netflix.com/br/title/80101827

    Já adianto que serão os 40 minutos mais aflitivos que você viu nos últimos tempos!

    12 March 2017

    Be right back

    Recomendado por um colega (depois de me ouvir desfiando um rosário sobre o protagonista de Ela) rsrs lá vou eu conferir a série Black Mirror....

    ... C-É-É-É-É-É-U-S!!!!! 

    Alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou?

    S-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l!!!

    Volto já conta a trágica história de um casal disfuncional (marido imaturo, mulher narcisista) até que...

    Bom, o que mais gostei foi mostrar a nossa inabilidade em relacionar (gostamos das mesmas coisas e insistimos em coisas estragadas só pelo medo de enfrentar o desconhecido, mudar ou de ser confrontado - porque só gente madura consegue conviver e respeitar sem partilhar a mesma opinião, não é?).

    Dureza que "gente perdida, uma vez perdida, sempre perdida" hahaha.

    Vai lá (temporada 2): https://www.netflix.com/br/title/70264888

    11 March 2017

    Fome de poder

    Michael Keaton interpreta Ray Kroc, fundador da rede de alimentos fast-food McDonalds, que deu um golpe em dois irmãos, e se apoderou do nome da empresa depois de transformá-la em uma grandiosa franquia.

    Além dos percalços (e das sacadas inesperadas) mostra também como conheceu sua segunda mulher.

    Para sair do cinema com dúvida moral se deve ou não voltar a comer Big Mac rsrsrs.

    09 March 2017

    Silence

    Agora entendi porque demoraram tanto para estrear o filme do Scorsese (se fosse na semana de carnaval, poderia ser confundido com um desfile de escola de samba) rsrsrs.

    Primeiro, o desconforto linguístico (atores americanos representando padres portugueses no Japão medieval) além do descuido generalizado (coleção de estereótipos culturais e figurino discrepante).

    Maaaaas... o que esperar de um americano descendente de italiano que escolhe filmar um romance escrito por um japonês que viveu a maior parte de sua vida na Manchúria e na França? O samba do crioulo doido (porque não é histórico e muito menos sobre fé)!

    Primeiro, a imaturidade espiritual dos missionários; depois o retrato infiel da cultura japonesa (visão ocidental distorcida) e por fim, um maniqueísmo mal ajambrado (aquela necessidade rasa de rotular quem é mocinho e quem é bandido).

    Realmente a melhor resposta para o filme é o SILÊNCIO hahaha.

    Ok, você venceu rsrsrs... tirando o olhar crítico, admito, a fotografia é belíssima e, fazendo um esforço, dá até para sair da sala questionando: serei eu arrogante e perdida como o padre novo? Ou pretensiosa como o padre velho? Estarei brincando de teletubbie com a vida? Ou procurando um band-aid para enfaixar a ferida que gangrena?

    Para ouvir outras opiniões, vai lá:

    05 March 2017

    Jackie

    Gentem, que filme chatésimo.

    E essa Jackie, hein... tão quente e acolhedora quanto um iglu no Pólo Norte.

    O filme conta os dias posteriores ao assassinato de JFK e o circo por ela montado para o cadáver receber as maiores honrarias de Estado.

    A obsessão pelo belo e a preocupação com a sociedade do espetáculo fizeram dela uma autêntica walking dead (apenas imagem).

    Para sair da sala com dó (e mêda de ficar igual).

    28 February 2017

    Fences

    Gosto mais do título em inglês porque remete tanto a cerca de casa quanto a limites que podem ser transpostos ou  merecem ser respeitados.

    O filme é uma adaptação de uma peça teatral, o que explica os diálogos longos, a câmera parada sem edição nervosa e a interpretação impecável de todos os atores.

    A Viola Davis é um caso à parte (incrível saber que foi premiada no teatro e no cinema pelo mesmo papel, uma vez que as técnicas são completamente diferentes)...

    Um homem negro e analfabeto tem os sonhos cancelados de ser jogador de beisebol por causa do racismo nos anos 50. Seu filho caçula é muito talentoso e recebe convite de uma universidade para estudar e jogar beisebol, porém seu pai é contra. A mãe, agregadora, tenta conciliar todos que gravitam ao redor: o filho do outro casamento, a vizinhança amiga, o marido... até que (bem, não vou contar) rsrsrs!

    O que achei legal é que apesar de ser uma crítica social também tem um quê de humanidade (atire a 1a. pedra quem nunca esteve numa situação semelhante à do pai, da mãe, do filho, do amigo)...

    E para quem gosta de atuação magistral, é prato cheio ; ).

    27 February 2017

    Oscar 2017 - lista de vencedores

    Best picture
    • Winner: Moonlight
    • Arrival
    • Fences
    • Hacksaw Ridge
    • Hell or High Water
    • Hidden Figures
    • La La Land
    • Lion
    • Manchester by the Sea

    Best actress

    • Winner: Emma Stone - La La Land
    • Isabelle Huppert - Elle
    • Ruth Negga - Loving
    • Natalie Portman - Jackie
    • Meryl Streep - Florence Foster Jenkins

    Best actor

    • Winner: Casey Affleck - Manchester by the Sea
    • Andrew Garfield - Hacksaw Ridge
    • Ryan Gosling - La La Land
    • Viggo Mortensen - Captain Fantastic
    • Denzel Washington - Fences

    Best supporting actress

    • Winner: Viola Davis - Fences
    • Naomie Harris - Moonlight
    • Nicole Kidman - Lion
    • Octavia Spencer - Hidden Figures
    • Michelle Williams - Manchester by the Sea

    Best supporting actor

    • Winner: Mahershala Ali - Moonlight
    • Jeff Bridges - Hell or High Water
    • Lucas Hedges - Manchester by the Sea
    • Dev Patel - Lion
    • Michael Shannon - Nocturnal Animals

    Best director

    • Winner: La La Land - Damien Chazelle
    • Arrival - Denis Villeneuve
    • Hacksaw Ridge - Mel Gibson
    • Manchester by the Sea - Kenneth Lonergan
    • Moonlight - Barry Jenkins

    Best original screenplay

    • Winner: Manchester by the Sea - Kenneth Lonergan
    • 20th Century Women - Mike Mills
    • Hell or High Water - Taylor Sheridan
    • La La Land - Damien Chazelle
    • The Lobster - Yorgos Lanthimos and Efthimis Filippou

    Best adapted screenplay

    • Winner: Moonlight - Barry Jenkins and Tarell Alvin McCraney
    • Arrival - Eric Heisserer
    • Fences - August Wilson
    • Hidden Figures - Allison Schroeder and Theodore Melfi
    • Lion - Luke Davies

    Best original score

    • Winner: La La Land - Justin Hurwitz
    • Jackie - Mica Levi
    • Lion - Dustin O'Halloran and Hauschka
    • Moonlight - Nicholas Britell
    • Passengers - Thomas Newton

    Best original song

    • Winner: La La Land - City of Stars by Justin Hurwitz, Benj Pasek and Justin Paul
    • La La Land - Audition by Justin Hurwitz, Benj Pasek and Justin Paul
    • Moana - How Far I'll Go by Lin-Manuel Miranda
    • Trolls - Can't Stop the Feeling by Justin Timberlake, Max Martin and Karl Johan Schuster
    • Jim: The James Foley Story - The Empty Chair by J Ralph and Sting

    Best cinematography

    • Winner: La La Land - Linus Sandgren
    • Arrival - Bradford Young
    • Lion - Greig Fraser
    • Moonlight - James Laxton
    • Silence - Rodrigo Prieto

    Best foreign language film

    • Winner: The Salesman - Iran
    • A Man Called Ove - Sweden
    • Land of Mine - Denmark
    • Tanna - Australia
    • Toni Erdmann - Germany

    Best costume design

    • Winner: Fantastic Beasts and Where to Find Them - Colleen Atwood
    • Allied - Joanna Johnston
    • Florence Foster Jenkins - Consolata Boyle
    • Jackie - Madeline Fontaine
    • La La Land - Mary Zophres

    Best make-up and hairstyling

    • Winner: Suicide Squad - Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini and Christopher Nelson
    • A Man Called Ove - Eva Von Bahr and Love Larson
    • Star Trek Beyond - Joel Harlow and Richard Alonzo

    Best documentary feature

    • Winner: OJ: Made in America
    • 13th
    • Fire At Sea
    • I Am Not Your Negro
    • Life, Animated

    Best sound editing

    • Winner: Arrival - Sylvain Bellemare
    • Deepwater Horizon - Wylie Stateman and Renee Tondelli
    • Hacksaw Ridge - Robert Mackenzie and Andy Wright
    • La La Land - Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan
    • Sully - Alan Robert Murray and Bub Asman

    Best sound mixing

    • Winner: Hacksaw Ridge - Kevin O'Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie and Peter Grace
    • 13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi - Gary Summers, Jeffrey J Haboush and Mac Ruth
    • Arrival - Bernard Gariepy Strobl and Claude La Haye
    • La La Land - Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A Morrow
    • Rogue One: A Star Wars Story - David Parker, Christopher Scarabosio and Stuart Wilson

    Best animated short

    • Winner: Piper - Alan Barillaro and Marc Sondheimer
    • Blind Vaysha - Theodore Ushev
    • Borrowed Time - Andrew Coats and Lou Hamou-Lhadj
    • Pear Cider and Cigarettes - Robert Valley and Cara Speller
    • Pearl - Patrick Osborne

    Best animated feature

    • Winner: Zootopia
    • Kubo and the Two Strings
    • Moana
    • My Life as a Zucchini
    • The Red Turtle

    Best production design

    • Winner: La La Land - David Wasco and Sandy Reynolds-Wasco
    • Arrival - Patrice Vermette and Paul Hotte
    • Fantastic Beasts and Where to Find Them - Stuart Craig and Anna Pinnock
    • Hail, Caesar! - Jess Gonchor and Nancy Haigh
    • Passengers - Guy Hendrix Dyas and Gene Serdena

    Best visual effects

    • Winner: The Jungle Book - Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R Jones and Dan Lemmon
    • Deepwater Horizon - Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington and Burt Dalton
    • Doctor Strange - Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli and Paul Corbould
    • Kubo and the Two Strings - Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean and Brad Schiff
    • Rogue One: A Star Wars Story - John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel and Neil Corbould

    Best film editing

    • Winner: Hacksaw Ridge - John Gilbert
    • Arrival - Joe Walker
    • Hell or High Water - Jake Roberts
    • La La Land - Tom Cross
    • Moonlight - Nat Sanders and Joi McMillon

    Best documentary short

    • Winner: The White Helmets - Orlando von Einsiedel and Joanna Natasegara
    • 4.1 Miles - Daphne Matziaraki
    • Extremis - Dan Krauss
    • Joe's Violin - Kahane Cooperman and Raphaela Neihausen
    • Watani: My Homeland - Marcel Mettelsiefen and Stephen Ellis

    Best live action short

    • Winner: Sing - Kristof Deak and Anna Udvardy
    • Ennemis Interieurs - Selim Azzazi
    • La Femme et le TGV - Timo Von Gunten and Giacun Caduff
    • Silent Nights - Aske Bang and Kim Magnusson
    • Timecode - Juanjo Gimenez

    http://www.bbc.com/news/entertainment-arts-38716725

    PS1- Para ouvir uma opinião sobre a premiação, vai lá:  http://m.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/02/1862477-se-o-oscar-ficara-na-historia-sera-pela-gafe-e-pelas-criticas-a-trump.shtml

    PS2- Para saber sobre o barraco que rolou na entrega final: https://observatoriodocinema.bol.uol.com.br/noticias/2017/02/oscar-2017-foi-o-final-mais-estranho-da-tv-desde-lost-diz-jimmy-kimmel-sobre-erro-historico

    PS3- E para se encantar com o bom jornalismo (sim, ele existe e não é brasileiro): https://www.theguardian.com/film/2017/feb/28/oscars-2018-academy-award-nominees-predictions