20 August 2016

Ben-Hur

Apesar da crítica torcer o nariz, gostei muito da adaptação de Ben-Hur.

Claro, perdeu-se aquele clima de impacto e reflexão do original, mas esta refilmagem me encanta porque os personagens são mais ambíguos (e somos assim na vida real, numa hora mocinhos e na outra hora bandidos).

Outra coisa que gostei muito também foi a construção psicológica dos personagens: ética, crenças, valores e o que os motivam.

Para ter uma ideia do que estou falando, vai lá: http://www.ultimato.com.br/conteudo/ben-hur-reconciliacao-e-perdao-ou-vinganca

10 August 2016

Chocolat

Para sair do cinema com o coração apertado...

A história é real, o que aumenta ainda mais a  carga dramática.

Na França de 1897, um homem negro é exibido como canibal em circos ambulantes. Impressionado com a presença de palco, um palhaço o convida para exibir números e conquista público.

Em pouco tempo, um diretor de circo de Paris chama os dois para fazer apresentações, mudando completamente a situação financeira da dupla.

No entanto, na vida pessoal os dois escolhem caminhos opostos. Enquanto um se entrega à bebida, mulheres, jogos de azar (e por aí vai), o outro se fecha cada vez mais.

O que apertou meu coração foi perceber a tristeza da gente se tornar refém da opinião ou do aplauso alheio (a verdade é que a gente nunca vai agradar ninguém porque a opinião alheia é como a onda do mar, numa outra pende para um lado e no instante seguinte, para o outro).

O final é tocante porque mostra cenas reais captadas pelas lentes dos irmãos Lumière.

06 August 2016

Negócio das Arábias

Atraída pela presença do Tom Hanks no elenco (dedo bom para escolher papéis) e pela direção primorosa de Tom Tykwer (do excelente Corra Lola, Corra) fui assistir Negócio da China, ops, das Arábias rsrsrsr e saí da sala com gosto de cabo de guarda-chuva na boca sniff...

A paisagem é deleite para os olhos e a história tem tudo para ser instigante - um executivo americano perde o emprego, a casa e o casamento, e vai para o Oriente Médio em busca de trabalho para custear a faculdade da filha. No entanto, tudo o que tinha para dar m...., dá... rsrsrs.

Primeiro, o aprisionamento temporal (já retratado no excelente O feitiço do tempo, com Bill Murray) onde o executivo comete todos os dias o mesmo erro. Depois, o desfile de estereótipos envolvendo árabes: a religião, o terrorismo, a moral envolvendo gêneros, blablabla...

O único momento que você pensa que pode acontecer alguma coisa é quando o sheik aparece, mas também descamba para o clichê.

Por isto mesmo o romance entre o executivo e a médica acaba perdendo um pouco a força (improvável até a medula), enfim...

A vida é feita de filmes mezzo mussarella mezzo calabresa também rsrsrsrs.

20 July 2016

Agnus Dei

Quer passar mal?

Então vá assistir Agnus Dei.

A história é baseada em fatos reais: durante a 2a. Guerra, um convento na Polônia é invadido por soldados alemães e soviéticos, que estupram sistematicamente as freiras e as noviças.

Como consequência, algumas ficam doentes e outras engravidam.

O que achei intrigante foi perceber que a fé e o amor vem de onde menos se imagina.

Todos os personagens são muito importantes, pois é na harmonia do conjunto que está a força da narrativa.

Melhor frase: - "A fé diária é feita de 23h59 de dúvidas e 1 minuto de esperança".

19 July 2016

O jogo do dinheiro

Desde que vi o trailer, fiquei pilhada para ver o filme (o Clooney costuma mandar bem em tudo o que faz), mas talvez esteja ficando macaca velha (mais fácil de detectar a narrativa induzida dos americanos)...

Um âncora famoso e sua talentosa produtora são alvos de um lobo solitário durante uma transmissão jornalística. A polícia é acionada e a população mundial acompanha o desenrolar da trama ao vivo.

E o problema é exatamente este: a metáfora com o cenário atual de superficialidade, a falta de comprometimento e a manipulação de interesses chega a ser constrangedora.

Dureza é o final (coisa de gente cínica, amarga e ressentida, que é exatamente o que estamos nos tornando).

Para sair da sala e comemorar comendo uma pizza...

13 July 2016

Melhor que bombas

Tem alguns artistas que vale a pena acompanhar a trajetória (tem o dedo bom para escolher os papéis ou as narrativas) e a Isabelle Huppert é uma delas ; ).

Em Mais forte que bombas, ela interpreta uma jornalista de guerra que ganha uma exposição fotográfica dois anos depois de sua morte e a família precisa lidar com os problemas nunca encarados desde então.

O viúvo, um homem aparentemente doce, mas frio e manipulador até perder de vista; o filho inteligente e talentoso mas um completo fracassado emocionalmente e o caçula, que parece ser o grande desajustado e perdido, mas que é a grande revelação e herói da história.

Muito inteligente a narrativa do diretor (mostrar a sensibilidade e a estética que os filhos herdam por convivência), a sutileza em mostrar a alma e a angústia de cada personagem, e a maneira corajosa ou disfuncional que cada um escolhe para viver a própria vida.

Se você gosta de filmes que perturbam e instigam, assista correndo ; ).

06 July 2016

A pintura de Gerhard Ritcher

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"As coisas boas vem com o tempo, as melhores de repente"

Fui assistir ao documentário sem pretensão alguma e saí da sala totalmente fascinada : )))!

Primeiro, porque não conhecia o artista (mas como a curiosidade matou o gato, lá fui eu) rsrsr.

Depois, o desapontamento (a tela que abre o filme é mezzo muzzarella mezzo calabresa) rsrsrsrs.

Mas daí mostra a trajetória de vida dele: a busca pela perfeição (até nos materiais que usa), as referências, as motivações, os perrengues (que mal consegue esconder)... 

... e o Gerhard é íntegro e articulado desde sempre (a primeira frase dele é para chacoalhar qualquer mediocridade: "as pessoas sempre perguntam no que eu estava pensando quando pintei tal quadro... ora, eu pinto aquilo que não compreendo") hahahah.

Resumo da ópera: fiquei completamente apaixonada rsrsrsr!

Para inspirar, provocar e evocar ; ).

PS1- Lembra da tela mequetrefe de abertura? Você sai da sala de alma lavada rsrsrsr.

PS2- O cara tem 84 anos e está no terceiro casamento (a mulher tem 49 anos, vamos combinar) - mó lição de vida rsrsr.

19 June 2016

Meu Rei

Quando o diretor é bom, assisto até documentário de campeonato de bolinha de gude : )).

Por isto, quando vi que a última edição do Varilux traria o novo filme da Maïween (talentosa até a medula), pirei no corpitcho por antecipação rsrsrs.

Mon Roi conta uma história de amor que vai da paixão avassaladora até o precipício (não necessariamente nessa ordem) hahaha.

Se você gosta de narrativas densas e intensas, assista correndo!

PS- Para ouvir outra opinião (e ver o trailer), vai lá: http://cultura.estadao.com.br/blogs/p-de-pop/meu-rei-leva-a-forca-da-paixao-ao-varilux/

10 June 2016

Sonhos em Movimento

Existem filmes que inspiram, provocam e evocam (e Dancing Dreams é um deles ; )!

Pina Bausch é uma das mais importantes dançarinas e coreógrafas da atualidade.

Neste documentário, é possível descobrir como funciona a montagem de um espetáculo, os ensaios, a escolha de elenco, a vida dos participantes por trás dos personagens e muito mais.

O que mais me surpreendeu foi constatar que, mais importante do que a técnica (a companhia não escolheu adolescentes com histórico ou familiaridade com a dança), é o interesse na pessoa em si, no desabrochar que a dança pode proporcionar à vida dela.

Gostei de ver os limites testados e ampliados em cada adolescente, a quebra de preconceitos, a conquista da dignidade, a vitória sobre a timidez e por aí vai.

Saí da sala encorajada a ser como Pina, uma mulher talentosa e, acima de tudo, generosa com o mundo e com as pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ela.

26 May 2016

Alice através do espelho

Produzido por Tim Burton e protagonizado pelo alter-ego Johnny Depp, o longa é onírico até a medula: computação gráfica, maquiagem e figurino são de encher os olhos.

E este longa fala de empoderamento feminino, na preciosidade de se ter (e valorizar) a família e no poder da amizade.

Em choque com a realidade, Alice deixa de sonhar (e acreditar que tudo é possível) tornando-se apática e sem brilho.

Por sua vez, o amigo Chapeleiro Maluco também perde sua essência quando descobre que ninguém mais acredita nele.

Ao longo da história, os fantasmas de ambos são confrontados e, por meio dos amigos e da coragem, os dois vencem seus medos, voltando a ser quem eram e fazer diferença na vida de quem os cercam.

Gostei particularmente de 6 pontos:
  • narcisista, saia do seu mundo apertado e vá para além do próprio umbigo rsrsrs;
  • mantenha a capacidade de sonhar, e acreditar sempre;
  • nunca perca a fé em quem você ama, por mais que as evidências digam o contrário;
  • sim, não é possível mudar o passado, mas é sempre tempo de mudar o futuro;
  • fidelidade é não deixar para trás quem é importante para você;
  • nunca é tarde para perdoar, ser curado e seguir adiante.
  • .

    28 April 2016

    O dono do jogo

    Produzido por Tobey Maguire, o filme conta parte da trajetória excêntrica do talentoso americano Bobby Fischer que, ainda criança, derrotava diversos oponentes no xadrez.

    Duas coisas chamaram minha atenção:
    • a capacidade de persistir, apesar de ser incompreendido e muitas vezes ser taxado de louco;
    • todo gênio tem um quê de louco (preste atenção na partida final com o russo) rsrs.
    Para sair do cinema com fé em si (mesmo que as evidências e todos se mostrem ao contrário) rsrsr.

    PS- Para saber mais, vai lá: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/04/1765699-filme-o-dono-do-jogo-mescla-3-narrativas-mas-nao-as-desenvolve.shtml
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    24 April 2016

    Truman

    Eita, o Ricardo Darin manda bem messsssmo ; ).

    Neste filme, ele interpreta um prestigioso ator que está em fase terminal e decide interromper o tratamento. Aí o melhor amigo (Javier Camara, excelente como sempre) atravessa o continente para passar um tempinho com ele.

    A história em si é melancólica mas muito bem escrita; no entanto, a estrela principal é a atuação: todos atores sem exceção estão convincentes em seus papéis.

    O que achei legal foi mostrar a lucidez para enfrentar algo difícil, a descoberta surpreendente do que está dentro das pessoas (o amor vem de onde menos se espera) e o poder da amizade.

    22 April 2016

    Ave, Cesar!

    Inteligente, sarcástico, bem editado, bem produzido, bem interpretado.

    Amo tudo o que os irmãos Coen fazem e Ave, Cesar! não poderia ser diferente rsrsrsr.

    Ambientada nos anos 50, a trama é recheada de metáforas (a atriz nadadora, o ator dançarino, a latina que é cantora, o astro que é 'simpres') rsrsrsr e por aí vai.

    O mais bonitinho é ver a pureza de coração do bambambam que apaga todos os 'incêndios', digo, escândalos nos estúdios de Hollywood: sua maior preocupação é cumprir a promessa de parar de fumar e ser um pai de família e marido decente.

    O final também é uma graça (recado para todos os workaholics de plantão): dê o seu melhor, divirta-se (ao invés de sofrer com o que não dá certo) e tudo acabará bem (afinal *como se vive a vida* é o mais importante).

    21 April 2016

    Mogli

    Caaaaara!

    Tudo o que o Jon Favreau coloca a mão, dá certo (e ele nem é chef) hahahah!

    Ele deu uma roupagem interessantíssima ao clássico Mogli, capaz de agradar adultos e crianças.

    Um menino criado entre lobos precisa decidir sua identidade: assumir quem é (selvagem) ou o que aparenta ser (humano).

    As paisagens são incríveis, a história é dinâmica e o roteiro recheado de reviravoltas : ))).

    Para a criança (interior, que todo adulto tem dentro de si) se deleitar e amar!

    20 April 2016

    Filmes de Cannes que estreiam no Brasil em 2016

    Fique de olho ; )!

    Se você é cinéfilo desde criancinha e não vai viajar para fora tão cedo, seguem as estreias mais aguardadas do ano (dureza vai ser aguentar a ansiedade) rsrsrsr: http://www.guiadasemana.com.br/cinema/noticia/filmes-de-cannes-que-estreiam-no-brasil-em-2016
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    15 April 2016

    O clube

    D-e-v-a-s-t-a-d-o-r!

    Quatro padres e uma madre moram à beira-mar e aparentemente levam uma vida casta num retiro espiritual. A rotina é quebrada com a chegada de outro padre, que se mata logo no 1o.dia.

    Um inquérito dentro da Igreja é aberto para averiguar as causas e, tudo o que parece ser, se mostra pior do que se poderia imaginar.

    Traçando um paralelismo com a vida, me assusta saber que a maldade pode estar mascarada de bem até dentro de nós.

    Para defender os próprios interesses, as pessoas são capazes de tudo, até de matar inocentes e cometer as piores atrocidades.

    E como sempre, os piores canalhas são os que parecem ser mais legais (mêda de gente que só mostra o lado bonito; acorda, Alice... sai do país das maravilhosas, ninguém é perfeito).

    A narrativa vai num crescente de maldade para o público se acostumar, aguentar e ter estômago para digerir as cenas finais.

    Preste atenção no assassinato que é tirar a dignidade de uma pessoa tratando-a como objeto (abuso físico, emocional e espiritual)... o mais triste é que a pessoa nem se dá conta.

    O encerramento é para ter pesadelos para o resto da vida.

    PS- Assista depois de ver ou ler Spotlight (ki-suco perto do mar de vinagre que é O Clube).

    13 April 2016

    Sabor da Vida

    Wow, um dos filmes mais lindos e sensíveis que vi em toda a minha vida ; ).

    Sabor da Vida conta a história de uma senhora que se oferece para trabalhar numa lojinha de dorayaki (doce japonês feito com pasta de azuki). Ela tem uma deficiência nas mãos, mas é cozinheira de mão cheia.

    O filme interliga diversos personagens: o chef (walking dead), uma menina (kawaii, mas melancólica até a medula), sua mãe (vazia e superficial), adolescentes (barulhentas e fúteis), a dona do estabelecimento (realista e sem apego) e por aí vai.

    O que mais me tocou foi a delicadeza da diretora (as cenas são incríveis, mó prato cheio para quem curte cultura japonesa e adora comunicação não-verbal) em mostrar que as pessoas mais humildes, mais desprezadas e mais quebradas são as que tem maior poder para oferecer cura ao mundo.

    A senhorinha, machucada fisicamente e emocionalmente pela vida, é uma heroina ao escolher não ser um joguete nas mãos dos destino e se lamentar pelas agruras que sofreu nas mãos dos outros (metáfora para sua doença) - com sua vida, amor, sensibilidade e capacidade de observação, ela abençoa todos que a cercam

    É muito interessante o jogo de chiaroscuro que a Naomi Kawase faz das diversas faixas etárias, os questionamentos peculiares em cada fase da vida, a caracterização psicológica dos personagens como das cenas (a purificação do azuki no processo de cozimento, a passagem do tempo por meio das cerejeiras em flor)...

    Para sair da sala instruído, com a alma purificada... e desidratado (chorei cântaros ; )!

    05 April 2016

    O quarto de Jack

    Instigada pelo artigo do Contardo Calligaris sobre o filme, lá vou eu tentar deixar o preconceito de lado e conferir se é tudo isto mesmo (afff... que mulé desconfiada) rsrsrsr.

    Well... é melhor do que esperava ; ).

    Apesar da crueza do tema, o diretor conseguiu passar sensibilidade e delicadeza, e aquele garotinho é um achado (ele sim, é que deveria ter levado o Oscar)!

    Uma adolescente é sequestrada e mantida no cativeiro ao longo de 7 anos, sendo estuprada repetidas vezes. O menininho, fruto dessa violência, não conhece o mundo e toma como universo aquele quarto.

    O mais interessante é perceber que esta prisão acaba sendo uma metáfora da vida virtual: a gente 'acha que' sabe tudo, 'acha que' conhece o mundo, 'acha que' tem controle das coisas e, quando menos espera...

    ... é surpreendido por revelações que a geração anterior, por fim, descortina: um mundo maior do que poderíamos imaginar (talvez por nossa imaturidade, talvez por despreparado dos 'tidos' como maduros).

    Aquele quarto é o mundo apertado que a atualidade tornou: pequeno, cego pela intolerância, com a visão perdida do abrangente.

    Até a coragem se tornar maior que o medo e...

    ... ao enfrentar, descobrirmos que a prisão a ser vencida na verdade está dentro de nós.

    Ou seja, é preciso reaprender a viver com e em liberdade porque a abundância de opções também pode se tornar uma prisão de ilusões.

    Estar saudável (antônimo de doente) é essencial para passar nosso legado à próxima geração ; ).

    Outra coisa muito linda é mostrar a robustez que uma pessoa ganha quando decide ajudar outra. Parece que a responsabilidade traz consigo uma força descomunal que nasce do compromisso de assumir cuidar de alguém.

    Como sempre, o desafio é seguir em frente (eu sei, é difícil) deixando para trás o passado, os questionamentos (por que eu), a tristeza pelo período de vida roubado e perdido (que não volta mais) e não se deixar deformar ou ser corroído pela amargura.

    Momento-pérola: o encerramento, que ensina a importância de se despedir de um ciclo para começar outro.

    PS- Para ouvir outra opinião: http://www.theguardian.com/film/2016/jan/17/room-review-lenny-abrahamson-brie-larson-jacob-tremblay
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    04 April 2016

    Os desajustados

    Um dos filmes mais fabulosos de toda a temporada ; )!

    Inteligente, sensível, engraçado, profundo, tocante...

    Fúsi é um homem quarentão que parece ser looser (olha o julgamento raso): feio, coleciona brinquedos, sofre bullying no trabalho, mora com a mãe e vive esbarrando com o namorado dela pela casa em situações prá lá de bizarras...

    Mas seu coração consegue ser maior do que ele: transbordante de amor, pronto a perdoar, generoso (até com quem não merece).

    A história é contada com uma delicadeza impossível de descrever por estar nos pequenos detalhes: na pureza com que conversa com uma criança, no cuidado que oferece a uma depressiva...

    E como sempre, o amor e a dignidade vem de onde menos se espera ou imagina: nos fracos, nos desprezados, nos humildes, na escória que o mundo rejeitou.

    Nem preciso dizer que chorei cântaros ; ).

    Pérola para quem acredita no poder transformador de uma amizade.

    PS- Para ter uma ideia do que estou falando, vai lá: https://www.youtube.com/watch?v=q34DavoaEdE
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    30 March 2016

    Conspiração e poder

    S-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l! 

    Uma das coisas mais incríveis da maturidade é saber escolher o que pegar e o que não pegar, e o Robert Redford continua ensinando como mandar bem (qdo crescer gostaria de ficar igual ele ; ).


    Truth é uma história real e dedo nos olhos em tempos politicamente sombrios como hoje!!!


    O filme mostra uma equipe de jornalismo que investiga se o presidente - em exercício e em campanha eleitoral - foi beneficiado ou não na época de seu alistamento para a guerra do Vietnã. 


    A produtora de reportagem, pressionada pelo cronograma, coloca a matéria no ar sem checar 100% e a emissora - no nascedouro da internet, blogs e o escambau - passa a receber comentários que acusam inveracidade na cobertura.

    O que me assusta é o paralelismo com o cenário atual: discussão por questões periféricas, opiniões dicotomizadas, intolerância, superficialidade nas avaliações, incompetência ou incapacidade de análise, ameaça e punição aos que questionam o sistema, corrosão do caráter e por aí vai... 

    ... ou seja, um merecido tapa na cara com luva de boxe!

    Adorei a construção humanizada que o diretor deu à personagem principal: sua tenacidade, sua sede por integridade, a competência para fazer o que julgava ser correto, a fortaleza forjada em meio às adversidades, o papel da família (o marido dela é maravilhoso, tudo o que um cônjuge tem de ser)...

    Para sair do cinema com a alma lavada e encorajado a fazer o que precisa ser feito : ))).

    PS- Uma pergunta sobre o zoológico virtual que virou a internet (redes sociais): - é razoável levar a sério quem não se leva a sério?!

    16 March 2016

    Zoolander 2

    Tiração de sarro total rsrsrs!

    Mas a pergunta que não quer calar é: será que o povinho da moda entendeu?

    Porque é preciso um mínimo de cultura para sacar as piadas rsrsr.

    E olha que vai desde cópia deslavada do original, crise de identidade, passando por transporte über, transgênero, eco-chatos, acidentes derivados por pau-de-selfie, poliamor, moda praia e plus size rsrsrs.

    Bom, pela sala vazia, penso que só vai bombar qdo sair de cartaz (igual o 1o. filme, que virou cult depois de anoooos) hahahah.

    PS- Para entender o inferninho da moda, recomendo o excelente Pret-a-Porter de Robert Altmann (tão irônico quanto)!

    11 March 2016

    Boa noite, mamãe

    Este filme é sensacional e é uma pena não ter concorrido ao Oscar de melhor filme estrangeiro (penso que a Academia fica tão preocupada em promover os bons costumes que esquece que enaltecer a narrativa criativa é tão importante quanto defender um bom tema).

    Dois irmãos super-unidos questionam entre si o comportamento obtuso da mãe que acaba de retornar à casa após uma operação no rosto.

    Para o espectador e para os meninos, fica a dúvida: será que ela é a mãe deles mesmo?

    Ao longo do filme, você vê a 'mãe' cometer uma série de barbaridades, como por exemplo, ignorar e ser até cruel com uma das crianças, jogar um irmão contra o outro, usar de rispidez e tirania... até o jogo virar (sim, crianças podem ser bem cruéis quando lhes convêm).

    Uma das cenas mais estarrecedoras é quando os meninos colam a boca da mãe com superbonder (para quem já sofreu um 'acidente' com esse material, sabe do perigo que estou falando)...

    O incrível é que as coisas nunca são o que aparentam (isto é um spoiler - o título original já adianta: "ich seh ich seh") rsrsrs...

    No decorrer da narrativa, novas informações vão surgindo (uma vergonha para todos nós, que adoramos 'assistir' e formular julgamentos a partir de relances superficiais) até culminar com um final surpreendente!

    Ou seja, uma mistura de A fita branca (outro filme austríaco), Everything will be fine e... (não posso dar a última referência, senão você 'mata' a charada) hahaha.

    Para entrar intrigado na sala e sair chocado com nossa própria inabilidade em julgar os outros!!!

    PS- Vai lá: http://www.guiadasemana.com.br/cinema/noticia/critica-boa-noite-mamae-explora-o-suspense-na-quebra-da-confianca-entre-mae-e-filhos
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    10 March 2016

    Everything will be fine

    Sou apaixonada pelo olhar do Wim Wenders (se ele filmar campeonato de bolinha de gude, assisto) rsrsrs.

    Mas esse filme, talvez o casting, talvez o tema... não sei.

    James Franco interpreta um escritor em crise pessoal e profissional.

    Por um vacilo banal, atropela um garoto e o filme mostra toda dor, sofrimento e a maneira de cada personagem lidar com o luto ao longo de 12 anos.

    Gosto muito da Charlotte Gainsbourg - na minha opinião, ela imprime bastante veracidade em qualquer papel que interpreta. 

    Mas me incomoda a frieza (ou será resiliência) do personagem principal: sua inabilidade em verbalizar os sentimentos e talvez sua acomodação em conviver com pessoas que o paparicam o tempo todo.

    Senti falta de hombridade: tem mulher que é mãe ao invés de companheira, tem mulher forte que esconde toda sua fragilidade, tem adolescente buscando a figura de um pai, mas... onde estão os homens maduros?

    Bom, ainda assim um pequeno Wenders é um bom filme.

    PS- OK, para ler uma opinião mais consistente, vai lá: http://cultura.estadao.com.br/blogs/p-de-pop/nas-asas-de-wenders-ou-por-que-tudo-vai-ficar-bem-e-um-filme-obrigatorio/
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    09 March 2016

    A paixão de JL

    Este documentário sobre o Leonílson é um achado ; ).

    Exibido gratuitamente nas salas Itaú de Cinema, o material intercala partes do diário do artista, gravado em K-7 em seus últimos 3 anos de vida, com notícias e referências sobre o que acontecia no mundo e suas obras.

    Achei interessante constatar o quanto ele era visceral, o quanto se entregava nos trabalhos e o quão intimamente interligado era o seu mundo interior com o mundo exterior!

    Tudo o que acontecia, tudo o que tocava seu coração - absolutamente tudo era matéria-prima, motivo de inspiração.

    Fiquei impressionada com a sensibilidade do Leonílson: ele chorava ao ver uma cena de novela bem como a uma reportagem sobre o bombardeio dos Estados Unidos em Bagdá (guerra do Iraque).

    Para ter uma ideia do estilo de suas obras, vai lá:

  • http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8742/leonilson
  • http://www.youtube.com/watch?v=FgkzABwtr_8


  • 03 March 2016

    Nossa irmã mais nova

    Que delicadeza ; ).

    Aaaaamo filme japa: é tão sensível, tão cheio de sutilezas.

    Três irmãs jovens descobrem que o pai, que constituiu outra família quando elas ainda eram pequenas, faleceu. No funeral, encontram a irmã mais nova, de 14 anos. E de cara, convidam-na para morar junto.

    Parece um filme banal, de coisas simples, mas penso que a beleza está nos pequenos detalhes: o que elas pensam, o que conversam (e principalmente no que deixam de falar), o cuidado, a observação no comportamento de cada uma...

    E as comidinhas?

    - Oishi!!!

    Comida pura ao coração : ).

    Outra coisa que percebi foi a reverência aos antepassados (preste atenção na crítica: se você não honra seus antepassados, não está apto para viver de maneira plena seus outros relacionamentos).

    Momento-pérola: quando o garoto quer levar a menina de bicicleta para mostrar um túnel e...

    Para ver, aprender e se emocionar ; ))).

    02 March 2016

    45 anos

    Um dos filmes mais depressivos, afff...

    Um casal se prepara para comemorar os 45 anos de casamento.

    A mulher é linda e gentil e o marido parece meio decrépito e desorientado comparado a ela.

    A próxima cena explica: ele acabou de receber uma carta dizendo que encontraram o corpo de sua namorada, perdido há 50 anos nas geleiras da Suíça.

    A partir daí, as máscaras dos dois caem. Ele se revela um walking dead, um corpo sem alma, que não se importa em conviver com cadáveres insepultos. E ela, uma megera sem sentimentos, que manipula o próprio marido.

    Gentem, me diz: casar para quê, se é para viver desse jeito?

    Ninguém está falando que casamento é uma perfeição (sim, existem períodos sombrios), mas não faz o menor sentido ficar junto para atormentar a vida do outro.

    Porque casamento é união de almas e não um estágio para se contentar com o que tem.

    Outra coisa: que festa é aquela? Qual a graça de impressionar gente que você nem gosta?

    O que não entendo é por que as pessoas não podem ao menos ser delicadas, respeitar quem escolheram para dividir a vida, com a mesma reverência que tratam os estranhos!

    Porque só gente babaca confunde liberdade e familiaridade com desculpa para ser grosso, affff...

    01 March 2016

    O abraço da serpente

    Nossa, este filme colombiano é muito bom (mas um pouco hermético tb) rsrsr.

    Um pesquisador alemão pede ajuda a um xamã pois está doente e precisa de uma planta rara para ser curado.

    O filme entrelaça duas histórias: a viagem do pesquisador alemão em busca da cura e a viagem de outro pesquisador que leu o livro do alemão após 40 anos.

    Muito bacana a caracterização dos tipos, aliás, bem vívidos na nossa atualidade: o inocente, o ignorante, o corrupto funcional e o iluminado.

    Porque ser inocente não é desculpa para deixar de exercer a sabedoria.

    E o ignorante precisa deixar o preconceito para abrir a mente e se informar.

    O corrupto funcional é aquela pessoa que parece ser bacana, parece ter entendido como as coisas funcionam, mas distorce e apodrece tudo ao redor, seja  por desrespeito ou simplesmente por ganância.

    Já o iluminado é aquele que é um pouco de tudo, mas é humilde o bastante para admitir e corajoso o suficiente para dar dois passos atrás se necessário. É aquele que não precisa de caapi para sonhar pois tudo o que vive no agora, já é realidade.

    PS- Alerta importante: cuidado para não virar miragem de si mesmo (qdo a sua vida perde o propósito).

    29 February 2016

    Oscar 2016 - lista dos vencedores

    ... and the Oscar goes to:
    BEST PICTURE
    Spotlight - WINNER
    =============================
    ACTOR IN A LEADING ROLE
    =============================
    ACTRESS IN A LEADING ROLE
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    ACTOR IN A SUPPORTING ROLE
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    ACTRESS IN A SUPPORTING ROLE
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    ANIMATED FEATURE FILM
    Inside Out - WINNER
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    CINEMATOGRAPHY
    The Revenant  - WINNER
    COSTUME DESIGN
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
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    DIRECTING
    The Revenant  - WINNER
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    DOCUMENTARY (FEATURE)
    Amy  - WINNER
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    DOCUMENTARY (SHORT SUBJECT)
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    FILM EDITING
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
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    FOREIGN LANGUAGE FILM
    Son of Saul  - WINNER
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    MAKEUP AND HAIRSTYLING
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
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    MUSIC (ORIGINAL SCORE)
    The Hateful Eight  - WINNER
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    MUSIC (ORIGINAL SONG)
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    PRODUCTION DESIGN
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
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    SHORT FILM (ANIMATED)
    Bear Story - WINNER
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    SHORT FILM (LIVE ACTION)
    Stutterer  - WINNER
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    SOUND EDITING
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
    SOUND MIXING
    Mad Max: Fury Road  - WINNER
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    VISUAL EFFECTS
    Ex Machina  - WINNER
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    WRITING (ADAPTED SCREENPLAY)
    The Big Short - WINNER
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    WRITING (ORIGINAL SCREENPLAY)
    Spotlight - WINNER
    Fonte: http://oscar.go.com/news/winners/oscar-winners-2016-see-the-complete-list