23 June 2021

Nomadland

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O que você faz quando não tem mais nada a perder?

Fern parece uma homeless. Mas não é.

Porque perder o emprego, o marido e a casa... não transforma uma pessoa em ninguém.

Fern mora numa van, trabalha numa empregadora multinacional tão fluida quanto seus funcionários e decide viajar no final do ano para conhecer um grupo de moradores de van.

Parece uma grande aventura, não é mesmo?

#sqn

A jornada de Fern vai descortinando histórias.

Histórias de pessoas que perderam o que tinham de mais valioso ou que decidiram abrir mão das migalhas que tinham para abraçar algo maior.

E assim Fern descobre que, mais do que viajar para fora conhecendo lugares ou pessoas, ela precisa viajar para dentro de si, encarar quem ela é, descobrir o que ela acredita, o que de fato é importante, e o que ela ama.

Uma das cenas mais lindas é quando Fern encontra a irmã.

Elas não se veem há 40 anos e nunca tiveram uma conversa franca em toda a vida. Quando tudo aparenta começar uma discussão estúpida, a irmã dispara:

- Você sempre foi tão verdadeira e este lugar nunca te entendeu para dar a importância que você merecia. Você conseguiu ver e enxergar coisas em mim que eu mesma não conseguia ver. Você foi, é e sempre será importante para mim. Como seria bom ter convivido com você!

A partir daí o espectador fica em dúvida: será que Fern irá recuar?

Mas não.

A força e a grandeza de Fern aumentam. Porque depois de encarar seus demônios, ela consegue ajudar os outros a encarar os próprios. E ao separar a sua história da história dos outros, ela percebe que a dela sempre estará misturada junto deles também.

( Frances McDormand está tão sensacional no papel e ela se doa tanto que tem uma hora que você não sabe se é ela ou a personagem quem está contando a história )

O final é seco, árido.

E tudo bem, porque a vida é assim também.

Vai lá: https://www.youtube.com/watch?v=6sxCFZ8_d84

19 June 2021

A tabacaria

Em 1895 os irmãos Lumière realizam a primeira exibição pública de um filme, em um café em Paris. Cinco anos depois Sigmund Freud publica a obra A Interpretação dos sonhos, considerada o marco inicial da psicanálise. De um modo muito particular cinema e psicanálise traçariam caminhos paralelos ao longo do século XX, buscando ambos ampliar o entendimento da mente humana e seus sonhos, pulsões, repressões, vontades, psicoses, pesadelos e interdições.

Se Freud procurou racionalizar o estudo do inconsciente para um maior entendimento do humano, muitos artistas procuraram, ao contrário, o mundo dos sonhos para embaralhar a racionalidade instrumental e assim expandir o discurso sobre as formas de agir, sentir e pensar. Para ambos, porém, sono e vigília faziam parte de um mesmo processo de inteligibilidade do homem. O que isso tem a ver com ‘ATabacaria’, dirigido pelo austríaco Nikolaus Leytner, que chega agora aos cinemas? Tudo ou quase tudo. Pois Freud é um de seus personagens (encenado magistralmente por Bruno Ganz), e a interpretação dos sonhos está em primeiro plano no filme.

‘A Tabacaria’ começa com uma imagem onírica. O jovem Frantz (Simon Morzé) mergulhado em um lago. Perto dali sua mãe (Regina Fritsch) faz sexo com o namorado. Em meio ao gozo, uma tempestade. Franz foge dos trovões e, ensopado, abriga-se em sua casa. O namorado da mãe, rejuvenescido após o amor, mergulha no lago. Ele é fulminado por um raio, enquanto Franz esconde-se dos trovões.

Após a morte do companheiro, a mãe resolve enviar Franz para Viena, para que aprenda um ofício. Ele é recebido na tabacaria do velho Otto (Johannes Krisch), um senhor generoso, que perdera uma das pernas na guerra. Em Viena novos mundos abrem-se para Franz. O mundo do trabalho, onde é introduzido nos segredos do tabaco, e o mundo do amor e da libido, após conhecer a jovem dançarina de cabaré Anezka (Emma Drogunova).

Na tabacaria Franz entra em contato com o famoso Doutor Freud, “médico de loucos”, que é um velho cliente de Otto. Franz e Freud iniciam uma curiosa amizade, onde o jovem troca conselhos amorosos por charutos. Freud o estimula a anotar seus sonhos e, a medida que a ocupação nazista avança, Franz, cada vez mais desiludido com o amor e com a vida, começa a exibir suas anotações na parede externa da pequena loja de tabaco. É belo acompanhar o seu despertar para a paixão e sua descoberta de que a sexualidade abre novos horizontes, mas também cria vigorosos sofrimentos. Aconselhado por Otto e Freud, dois senhores maduros, representantes de uma Áustria que em breve desapareceria sob a sombra do nazismo, o jovem enfrenta este novo mundo. Com a aproximação da ocupação de Viena por Hitler, há um segundo movimento de amadurecimento de Frantz. Desta vez para a política e para a responsabilidade de resistir frente à barbárie.

Nikolaus Leytner não é um diretor conhecido por aqui, pois dedicou a maior parte de sua carreira à televisão austríaca. Mostra, porém, um domínio vigoroso da linguagem e segurança na direção dos atores. A reconstrução da Viena dos anos 1930 também chama a atenção, em um bom trabalho de fotografia e cenografia. O elenco central é primoroso: dos jovens Simon Morzé (Frantz) e Emma Drogunova (Anezka), aos veteranos Johannes Krisch (Otto) e Bruno Ganz, vivendo um frágil e sedutor Sigmund Freud. Este foi um de seus últimos trabalhos, pois Ganz faleceu recentemente, em fevereiro deste ano.

Desde o fim da segunda guerra o nazismo foi repetidamente trabalhado no cinema. São raros os filmes que apresentam alguma novidade em relação a isso. Recentemente o diretor e roteirista Paul Schrader nos presenteou com ‘Adam Resurrected’ (2008), uma obra de peso sobre as marcas deixadas pelos campos de concentração. Frente a este filme, ‘A tabacaria’ é um trabalho menor, o que não é um demérito. A obra de Leytner tem seu horizonte particular. A jornada do jovem Franz do campo para a cidade, sua relação com uma Viena prestes a desaparecer em sua inteligência e integridade, e as descobertas do mundo do trabalho e do amor, da política e do inconsciente, tem força e merece ser vista.

Já a psicanálise também gerou bons frutos ao cinema. Seja na exploração do inconsciente em obras surrealistas, seja em cinebiografias como a de John Huston sobre Freud (que criou uma rusga imensa com o roteirista/ filósofo Jean Paul Sartre, que não quis assinar o filme), ou, mais recentemente, no filme de David Cronemberg ‘Um método perigoso’, que narra a turbulenta relação entre Freud e seu discípulo Carl Jung. Leytner cria uma interessante representação do pai da psicanálise em ‘A Tabacaria’, porém é menos ambicioso ao tratar do mundo onírico.

Ao deixar muito marcada a divisão entre sonho e vigília, o filme acaba por perder o mistério e surpresa dos sonhos, os quais já reconhecemos como algo irreal pela própria forma como são apresentados. Eles funcionam quase como um comentário da vida, uma ilustração dos acontecimentos. Por isso não há estranheza. Tudo é muito claro no filme, quando a força dos sonhos está justamente no que ele oculta. Em defesa de Nikolaus Leytner podemos dizer que este é um “erro” que foi cometido por cineastas maiores, como Alfred Hitchcock em ‘Quando Fala o Coração’ (Spellbound, 1945).

Neste filme os sonhos são desvendados tal como os mistérios de histórias de detetive. Na contramão disso, pensemos em obras de Ingmar Bergman como ‘O Silêncio’, e o poder que há em não deixar tão clara as fronteiras entre o vivido e o sonhado. Os exemplos neste sentido são muitos tanto na obra deste mestre sueco como nas de Buñuel, Fellini e tantos outros. Infelizmente, a escolha narrativa de Leytner é a de não correr riscos.

Feito este reparo, ainda resta a beleza da perda de inocência do jovem Franz e sua escolha pela dignidade, face a sociedade vienense que abraça o nazismo e seus crimes. A obra equilibra tragédia e leveza, ao demonstrar a crescente violência da ocupação, sob o ponto de vista dos que disseram não. Parece uma boa lição para o Brasil, onde um presidente repete bravatas sobre o nazismo e nega os crimes da ditadura. Talvez, se tivéssemos uma cultura de discutir o nosso passado bárbaro como o tem a Alemanha e a Áustria, nossa história fosse outra. Todo cinema sabe a responsabilidade que lhe cabe. Alguns cinemas a assumem, outros preferem ignorá-la. Há silêncios que nem Freud explica.

Fonte: https://oglobo.globo.com/epoca/cinema-a-tabacaria-os-sonhos-23934487

01 May 2021

A chance de Fahim

Que grata surpresa ; )!

Baseado numa história real, o filme mostra a trajetória do menino Fahim e de seu pai, que deixam Bangladesh para aprender xadrez #sqn rsrsr.

Gerard Depardieu é o professor que é desafiado pela inteligência e despertado por sua condição social.

Acho lindo quando isto acontece na vida real: alguém entra na sua vida e te faz sair da zona de conforto, obrigando você a olhar além do que está acostumado.

Outra personagem sensacional é a Mathilde, aquela pessoa que é meio invisível, mas que faz toda diferença na vida de quem a cerca ; )

Tem um par de frases dela que me fez chorar:
- Então é isto: a França só assiste e cruza os braços?
- Primeiro-ministro, tenho 1 pergunta: nós somos o país dos direitos humanos ou apenas o país da DECLARAÇÃO dos direitos humanos?

E você?

Também ´assiste´ a vida de braços cruzados? 

Sim, porque não adianta ter um discurso bonito se não coloca em prática (viver é mais importante do que falar ou pensar), não é mesmo?

24 April 2021

Independent Spirit Awards 2021 - lista completa dos premiados

#vailah: https://www.indiewire.com/2021/04/2021-independent-spirit-awards-winners-list-1234630882/

23 April 2021

Druk

Adorei ver Druk na sequência de Promising Young Woman (recomendo :)).

Enquanto um mostra o universo masculino sem estereotipar os personagens, o outro desmascara com coragem o universo feminino.

E quer saber? Não existe diferença de um para o outro, porque a única diferença que existe entre as pessoas é se elas são decentes ou não.

Quatro professores amigos estão entediados com suas vidas: o trabalho desmotivante, o casamento morno, a rotina sem graça... num momento de autenticidade desprevenida, um abre o coração fazendo com que os outros abracem um desafio que parece ser inofensivo: beber em horário 'comercial' até atingir o limite de 0,05% de álcool no organismo. A premissa é que esta iniciativa promove comportamentos mais criativos (e já que estamos falando em ciência, cada um controla seu teor alcóolico com bafômetro portátil) rsrsr.

O experimento traz resultados estimulantes: as aulas de história ficam mais divertidas e cativantes, as aulas de música ficam mais sensíveis e sublimes, as aulas de educação física mais energéticas, as esposas voltam a prestar atenção nos maridos... Se tudo está tão bom, por que não dobrar a dose?

E assim, os quatro vão impondo mais desafios, e cada um reagindo de maneira diferente.

O que achei legal é que o diretor não emite julgamentos, só denuncia as consequências. E o final é apoteótico, solar, cheio de vida, inebriante como deveria ser a nossa relação com o álcool ou qualquer elemento que entra na nossa vida.

Se você é corajoso para ser humano, com suas qualidades, defeitos, vulnerabilidades, autêntico, genuíno e transparente com suas emoções, assista correndo : )


PS1- O mais tocante é que a ideia nasceu da filha do diretor (como aluna do ensino médio, ela insistiu que o pai fizesse um filme sobre o alcoolismo), mas aos quatro dias de filmagem, sofreu um acidente fatal e faleceu. O filme é um tributo a Ida.
PS2- A cada filme, o Mads Mikkelsen me surpreende. Você sabia que antes de ator, ele era dançarino profissional?! 

22 April 2021

Promising Young Woman

W-O-W!

Um dos filmes mais sensacionais da temporada ; )

Em tempos digitais e tão polarizados, conhecer algo complexo e ambivalente é um lufo inteligente para sair da zona de conforto.

Assim é Cassie, a Promising Young Woman que 'pune' predadores sexuais. 

O filme começa sem explicar suas motivações, o que torna o roteiro mais instigante. E à medida que a história avança, as máscaras dos personagens caem: o executivo gentil que na verdade só quer levá-la para cama, a reitora que deveria defender os direitos igualitários de todos alunos da universidade mas que se revela machista até a medula e por aí vai.

Até Cassie conhecer alguém incrível (e você torce por ele, acredita?)...

O final é um soco no estômago (parece que você foi atropelado por um caminhão e ninguém anotou a placa). Resumo da ópera: assista correndo!

21 April 2021

The father

O Anthony Hopkins é um daqueles atores que está num patamar tão alto que nem deveria concorrer ao Oscar e sim ganhar todo ano, como numa categoria especial, só por representar. E toda força deste filme está alicerçada na sua atuação.

Le Père foi escrito originalmente para ser encenado no teatro e faz parte da trilogia The mother (com Isabele Huppert) e The son (com Hugh Jackman).

No filme, Anthony é um homem com demência e a história é tocante pois mostra a doença do ponto de vista do paciente. As confusões pelas quais passa e que desestabilizam as pessoas que o cercam (filha, genro, cuidadores), as lembranças que se misturam com o presente e confundem o seu entendimento.

Dica importante: preste atenção no cenário (ambientes, objetos) pois o diretor não embaralha apenas a mente do personagem, mas também de nós como espectadores (e os ambientes e objetos ajudam a dar pistas de tempo e espaço).

Outra crueldade (não sei se intencional do diretor) foi de denunciar que às vezes as pessoas próximas se aproveitam da demência da pessoa para agir de maneira irresponsável e sair impunes.

Se você tem estrutura emocional para enredos desconcertantes, vá lá: https://www.youtube.com/watch?v=60wDuQMJl2Q 

26 February 2021

25 July 2020

As primeiras férias não se esquece jamais

Um casal descolado se conhece pelo Tinder e a química no 1o. encontro é tão boa que decidem sair de férias juntos (afff, para quem entende do babado, viajar junto pode fortalecer - ou arruinar - de vez um relacionamento seja amoroso ou não) heheh.

Marion é designer, aventureira e flexível. Ela quer ir para Beirute.

Benjamin é administrador, burguês e metódico. Ele planeja ir para Biarritz.

Decidem pelo meio do caminho: Bulgária.

Para rir e refletir se a gente não faz as mesmas coisas heheh: https://www.looke.com.br/filmes/as-primeiras-ferias-nao-se-esquece-jamais

24 July 2020

O professor substituto

Pierre Hoffmann chega como professor substituto numa escola de super-dotados após o suicídio do professor titular. Após fazer a leitura do ambiente, ele percebe discrepâncias no comportamento de seis alunos e resolve investigar.

A trama é interessante, a caracterização dos personagens é convincente e a reflexão é oportuna: que sociedade estamos deixando de herança para a próxima geração? Desde quando lucidez se tornou sinônimo de insanidade mental?

Para quem curtiu Melancolia, assista correndo ; )

23 July 2020

As montanhas se separam

Sou suspeita para falar do Jia Zhangke (sou apaixonada por tudo o que ele faz esde Useless) e o filme As montanhas se separam não desaponta.

Tao está dividida entre dois pretendentes, um rico e um pobre. Ela ama o pobre, mas escolhe ficar com o rico. O pai parece decepcionado porque realmente está preocupado com a felicidade da filha. Ela se casa com o rico e o pobre abandona o vilarejo. Tempos depois, ela se divorcia, o marido fica com a guarda do filho, o pai morre. E o pobre volta casado (e doente) para o vilarejo.

Apesar da beleza das imagens (o diretor permeia a história com festejos típicos: casamento, velório, ano novo), o filme é triste de moer o coração além de ser uma metáfora sobre a China e convida o espectador à reflexão: dinheiro traz felicidade? Você é feliz nas escolhas que faz? Consegue não se tornar refém das circunstâncias adversas pelas quais passa?

O final é delicado mas dilacerante ; ).

PS- Para ouvir outra opinião, vai lá: https://www.papodecinema.com.br/filmes/as-montanhas-se-separam/

16 July 2020

Elis

W-O-W, que interpretação visceral da Andreia Horta, hein : )))

Pena que o roteiro não tenha ficou à altura ; (

O filme conta a trajetória de uma das maiores cantoras brasileiras.

Fiquei sensibilizada com a falta de autoestima dela (muito triste ver alguém procurando fora o que deve estar dentro de si).

A parte que mais me incomodou foi a cena em que ela, depois de começar com tanta dificuldade financeira, está numa casa maravilhosa à beira-mar, mas com a vida amorosa destroçada.

Para quem tem interesse em aprofundar (ou melhor, ter um vislumbre) sobre a Elis Regina, recomendo o livro do filho dela e a biografia nada chapa branca da Masterbooks.

14 July 2020

Os miseráveis

Se você gosta de narrativas que tiram você da zona de conforto, assista correndo Os miseráveis.

Confesso que demorei para assistir pois não queria ver pela enésima vez uma adaptação da história do Victor Hugo (só fui ver porque um amigo cinéfilo insistiu).

O filme é baseado num episódio real sobre confronto entre gangues. O bacana é que o diretor não seguiu a cartilha do maniqueísmo fácil (mocinho x bandido) porque um policial pode ser canalha e um ex-detento pode ser ético.

Outra reflexão assustadora é sobre liderança: uma criança pode ser líder e, se não tiver um mentor para orientar, pode usar a força do seu potencial para destruir ao invés de construir.

Dureza que na França, os embates não são apenas sócio-econômicos mas culturais (caldeirão de etnias).

Se você curtiu Entre os muros da escola e A fita branca, assista correndo ; )

28 March 2020

Mr. Selfridge

Confesso que não sou chegada em série (a gente fica meio escravo, tendo de assistir todos episódios de trocentas temporadas, perdendo um tempo precioso numa trama que muitas vezes é pura encheção de linguiça) rsrsr, mas tive de me calar diante de Mr. Selfridge.

Disponível na plataforma Netflix, a série conta as aventuras (e desventuras) de um empreendedor americano que abre uma maravilhosa loja de departamentos em Londres no começo dos anos 1900.

O que achei legal é que, além do clima de camaradagem entre os funcionários, a série dá várias lições de varejo.

Para quem curte direção de arte primorosa e gosta de boas atuações, assista correndo ; ).

22 March 2020

Sing Street

Quer assistir um filme honesto e bem-feito que alimenta o coração e a alma?

Veja correndo Sing Street, disponível na plataforma Netflix.

Dirigido pelo excelente John Carney, o filme traz músicos que atuam rsrs e um roteiro com texto coeso e inteligente.

Conor é um adolescente que muda de escola por conta de problemas financeiros e os pais estão prestes a divorciar.

Contrariando todas as expectativas, ele faz do limão uma limonada: faz amizades com pessoas fora da curva, se impõe diante do bullying e corre em direção a um amor improvável, mas por que não possível rsrsr.

O final é um chacoalhão para sair do sofá e do conforto da vida ; )

11 March 2020

Seberg

O diretor Benedict Andrews é ligado em personagens femininos e temas desconfortáveis - começou com Una e agora enfia os dois pés no peito com Seberg.

Apesar do clima hollywoodiano (superficial e maniqueísta), me senti chacoalhada com a história: Jean Seberg não é santa mas nem por isto merece passar por um processo de difamação que irá destruir sua vida e sanidade, e o agente que aquiesce diante da perversidade dos parceiros de trabalho (claro que Hoover, o mais podre de todos, encabeça a operação e prova que literalmente o peixe apodrece pela cabeça) só não desgringola de vez graças à consciência e lucidez da mulher.

Já aconteceu com você?

De ser atacado por não se encaixar naquilo que esperam de você?

Ou de se calar diante de uma injustiça?

Em tempos de intolerância, nada como assistir um filme assim para não ficar igual (mêda)...

https://www.youtube.com/watch?v=Tck5EBUTeoc

https://www.elle.com/uk/life-and-culture/culture/a30011260/seberg-kristen-stewart/

https://exitoina.uol.com.br/noticias/cinema/quem-e-jean-seberg-atriz-que-inspirou-o-novo-filme-da-kristen-stewart.phtml

https://claudia.abril.com.br/cultura/calunia-e-perseguicao-a-participacao-do-fbi-na-morte-da-atriz-jean-seberg/ 

10 March 2020

Sorry we missed you

Na maturidade o ser humano mostra quem ele é de verdade e os últimos filmes de Ken Loach são tão desesperadores quanto proféticos.

Foi assim em Eu, Daniel Blake e agora em Sorry we missed you.

Uma família tenta sobreviver abaixo da linha da dignidade: a mãe num subemprego de cuidadora de idosos, o pai num aplicativo de delivery (nem preciso dizer que a máscara do discurso empreendedorista despenca no dia da entrevista), o filho adolescente talentoso mas sem direção e a menina adulta com a infância roubada.

Impossível não sair da sala com o coração dilacerado...

https://www.youtube.com/watch?v=ysjwg-MnZao

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/em-novo-filme-ken-loach-ataca-a-economia-dos-apps-como-o-uber-que-considera-intoleravel.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/voce-nao-estava-aqui-inspira-reflexao-sobre-presente-e-futuro-do-trabalho.shtml

09 March 2020

8 plataformas de streaming (além Netflix)

Aeh ; )!

Para sair da hegemonia Netflix e não ficar refém de um único fornecedor (uhu!): https://www.huffpostbrasil.com/entry/plataformas-de-streaming_br_5e615befc5b601904ea758ab

05 March 2020

J´accuse

Controverso até a medula, Roman Polanski acaba de receber o César de melhor direção por J´accuse.

Concordo com a visão lúcida do João Pereira Coutinho então pretendo ver correndo (ainda mais pelo episódio histórico com o Émile Zola) rsrsr.

Vamos, vamos?

https://www.youtube.com/watch?v=0ty_M9muolk

04 March 2020

A hidden life

Terrence Malick é um dos meus diretores preferidos < 3

Em Uma vida oculta, ele conta a história de Franz Jägerstätten, um homem austríaco que não quer ir para a guerra quanto mais prestar juramento de lealdade a Hitler.

O filme é belíssimo, e intercala imagens de arquivo do Führer com paisagens idílicas da fazenda onde Franz mora com a família. Como sempre, os diálogos são raros e o espectador fica inebriado com as imagens tentando entender o enredo por meio dos sentimentos que vão surgindo. O casal principal é de uma coragem atroz: se apoiam mutuamente, custe o que custar.

De quanto amor a vida é feita? E quanto de dor é possível suportar? Por que somos obrigados a entrar em batalhas que não são nossas? Por que a voz do povo nem sempre é a voz de Deus? Por que a igreja se cala diante de atrocidades? Por que é tão difícil se manter íntegro? Por que o sofrimento nem sempre opcional vem acompanhado de humilhação obrigatória? Por que em momentos repletos de dor e verdade, a perversidade ocupa o papel principal?

O final é de moer o coração, mas muito lindo. Existem milhares de vidas escondidas no mundo, falta refletir se é a vida que estamos vivendo.

https://www.youtube.com/watch?v=qJXmdY4lVR0

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2020/03/a-vida-oculta-discute-o-sentido-dos-pequenos-atos-dentro-e-fora-da-historia.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/05/novo-filme-de-terrence-malick-e-menos-pretensioso-e-mais-focado.shtml

https://www.planoaberto.com.br/critica/uma-vida-oculta/


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2020/02/jojo-rabbit-falha-ao-explicar-o-nazismo-de-forma-infantil.shtml

29 February 2020

Cesar Awards 2020 - lista dos premiados

BEST FILM
“Les Misérables,” dir. Ladj Ly
BEST DIRECTOR
Roman Polanski, “An Officer and a Spy”
BEST ACTRESS
Anaïs Demoustier, “Alice and the Mayor”
BEST ACTOR
Roschdy Zem, “Oh Mercy!”
BEST SUPPORTING ACTOR
Swann Arlaud, “By the Grace of God”
BEST SUPPORTING ACTRESS
Fanny Ardant, “La Belle Époque”
BEST ORIGINAL SCORE
Dan Levy, “I Lost My Body”
BEST FOREIGN FILM
“Parasite,” dir: Bong Joon Ho
BEST CINEMATOGRAPHY
Claire Mathon, “Portrait of a Lady on Fire”
BEST EDITING
Flora Volpelière, “Les Misérables”
BEST ORIGINAL SCREENPLAY
Nicolas Bedos, “La Belle Époque”
BEST ADAPTED SCREENPLAY
Roman Polanski, Robert Harris, “An Officer and a Spy”
BEST SOUND
Nicolas Cantin, Thomas Desjonquières, Raphael Moutarde, Olivier Goinard, Randy Thom, “The Wolf’s Call”
AUDIENCE PRIZE
“Les Misérables,” dir: Ladj Ly
BEST SHORT FILM
“By a Hair,” dir: Lauriane Escaffre, Yvonnick Muller
BEST DOCUMENTARY
“M,” dir: Yolande Zauberman
BEST FIRST FILM
“Papicha,” dir: Mounia Meddour
BEST ANIMATED FEATURE
“I Lost My Body,” dir: Jérémy Clapin
BEST ANIMATED SHORT
“The Night of the Plastic Bags,” dir: Gabriel Harel
BEST FEMALE NEWCOMER
Lyna Khoudri, “Papicha”
BEST COSTUMES
Pascaline Chavanne, “An Officer and a Spy”
BEST PRODUCTION DESIGN
Stéphane Rozenbaum, “La Belle Époque”
BEST MALE NEWCOMER
Alexis Manenti, “Les Misérables”
Fonte: https://www.indiewire.com/2020/02/cesar-awards-2020-les-miserables-wins-best-film-roman-polanski-best-director-1202214398/

20 February 2020

O escândalo

Por insistência de um amigo cinéfilo (e depois de ler o eletrizante Operação Abafa), lá vou eu encarar mais um filme feminista (nada contra, mas ficou meio cansativo debater este assunto).

Noooooossa, mó soco no estômago (a-d-o-r-e-i)!!!

Bombshell traz a história de três jornalistas em três fases da vida que enfrentam um poderoso executivo que assediava sexualmente as funcionárias da empresa desde sempre.

Gostei da caracterização que cada atriz deu à sua personagem (só fera: Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie): uma mais reflexiva e cautelosa, outra com paciência e muita inteligência e a última com a típica ingenuidade - ou não - da idade.

Para sair do cinema de cabelo em pé (é tudo verdade) mêda!

10 February 2020

Oscar 2020 - lista completa dos premiados

Best picture

  • Winner: Parasite
  • Ford v Ferrari
  • The Irishman
  • Jojo Rabbit
  • Joker
  • Little Women
  • Marriage Story
  • 1917
  • Once Upon A Time in Hollywood

Best actress

  • Winner: Renee Zellweger - Judy
  • Cynthia Erivo - Harriet
  • Scarlett Johansson - Marriage Story
  • Saoirse Ronan - Little Women
  • Charlize Theron - Bombshell

Best actor

  • Winner: Joaquin Phoenix - Joker
  • Antonio Banderas - Pain and Glory
  • Leonardo DiCaprio - Once Upon A Time in Hollywood
  • Adam Driver - Marriage Story
  • Jonathan Pryce - The Two Popes

Best supporting actress

  • Winner: Laura Dern - Marriage Story
  • Kathy Bates - Richard Jewell
  • Scarlett Johansson - Jojo Rabbit
  • Florence Pugh - Little Women
  • Margot Robbie - Bombshell

Best supporting actor

  • Winner: Brad Pitt - Once Upon A Time in Hollywood
  • Tom Hanks - A Beautiful Day in the Neighborhood
  • Sir Anthony Hopkins - The Two Popes
  • Al Pacino - The Irishman
  • Joe Pesci - The Irishman

Best director

  • Winner: Parasite - Bong Joon-ho
  • The Irishman - Martin Scorsese
  • Joker - Todd Phillips
  • 1917 - Sam Mendes
  • Once Upon A Time in Hollywood - Quentin Tarantino

Best original screenplay

  • Winner: Parasite - Bong Joon-ho & Han Jin Won
  • Knives Out - Rian Johnson
  • Marriage Story - Noah Baumbach
  • 1917 - Sam Mendes & Krysty Wilson-Cairns
  • Once Upon A Time in Hollywood - Quentin Tarantino

Best adapted screenplay

  • Winner: Jojo Rabbit - Taika Waititi
  • The Irishman - Steven Zaillian
  • Joker - Todd Phillips & Scott Silver
  • Little Women - Greta Gerwig
  • The Two Popes - Anthony McCarten

Best animated feature

  • Winner: Toy Story 4
  • How to Train Your Dragon: The Hidden World
  • I Lost My Body
  • Klaus
  • Missing Link

Best documentary feature

  • Winner: American Factory
  • The Cave
  • The Edge of Democracy
  • For Sama
  • Honeyland

Best international feature

  • Winner: Parasite - South Korea
  • Corpus Christi - Poland
  • Honeyland - North Macedonia
  • Les Miserables - France
  • Pain and Glory - Spain

Best original song

  • Winner: (I'm Gonna) Love Me Again - Rocketman (Elton John & Bernie Taupin)
  • I Can't Let You Throw Yourself Away - Toy Story 4 (Randy Newman)
  • I'm Standing With You - Breakthrough (Diane Warren)
  • Into the Unknown - Frozen 2 (Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez)
  • Stand Up - Harriet (Joshuah Brian Campbell & Cynthia Erivo)

Best original score

  • Winner: Joker - Hildur Guðnadóttir
  • Little Women - Alexandre Desplat
  • Marriage Story - Randy Newman
  • 1917 - Thomas Newman
  • Star Wars: The Rise of Skywalker - John Williams

Best cinematography

  • Winner: 1917 - Roger Deakins
  • The Irishman - Rodrigo Prieto
  • Joker - Lawrence Sher
  • The Lighthouse - Jarin Blaschke
  • Once Upon A Time in Hollywood - Robert Richardson

Best visual effects

  • Winner: 1917 - Guillaume Rocheron, Greg Butler & Dominic Tuohy
  • Avengers: Endgame - Dan DeLeeuw, Russell Earl, Matt Aitken & Dan Sudick
  • The Irishman - Pablo Helman, Leandro Estebecorena, Nelson Sepulveda-Fauser & Stephane Grabli
  • The Lion King - Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R Jones &  Elliot Newman
  • Star Wars: The Rise of Skywalker - Roger Guyett, Neal Scanlan, Patrick Tubach & Dominic Tuohy

Best film editing

  • Winner: Ford v Ferrari - Michael McCusker & Andrew Buckland
  • The Irishman - Thelma Schoonmaker
  • Jojo Rabbit - Tom Eagles
  • Joker - Jeff Groth
  • Parasite - Yang Jinmo

Best costume design

  • Winner: Little Women - Jacqueline Durran
  • The Irishman - Sandy Powell & Christopher Peterson
  • Jojo Rabbit - Mayes C Rubeo
  • Joker - Mark Bridges
  • Once Upon A Time in Hollywood - Arianne Phillips

Best sound editing

  • Winner: Ford v Ferrari - Donald Sylvester
  • Joker - Alan Robert Murray
  • 1917 - Oliver Tarney & Rachael Tate
  • Once Upon A Time in Hollywood - Wylie Stateman
  • Star Wars: The Rise of Skywalker - Matthew Wood & David Acord

Best sound mixing

  • Winner: 1917 - Mark Taylor & Stuart Wilson
  • Ad Astra - Gary Rydstrom, Tom Johnson & Mark Ulano
  • Ford v Ferrari - Paul Massey, David Giammarco & Steven A Morrow
  • Joker - Tom Ozanich, Dean Zupancic & Tod Maitland
  • Once Upon A Time in Hollywood - Michael Minkler, Christian P Minkler & Mark Ulano

Best production design

  • Winner: Once Upon A Time in Hollywood - Barbara Ling & Nancy Haigh
  • The Irishman - Bob Shaw & Regina Graves
  • Jojo Rabbit - Ra Vincent & Nora Sopková
  • 1917 - Dennis Gassner & Lee Sandales
  • Parasite - Lee Ha Jun & Cho Won Woo

Best make-up and hairstyling

  • Winner: Bombshell - Kazu Hiro, Anne Morgan & Vivian Baker
  • Joker - Nicki Ledermann & Kay Georgiou
  • Judy - Jeremy Woodhead
  • Maleficent: Mistress of Evil - Paul Gooch, Arjen Tuiten & David White
  • 1917 - Naomi Donne, Tristan Versluis & Rebecca Cole

Best live action short

  • Winner: The Neighbors' Window
  • Brotherhood
  • Nefta Football Club
  • Saria
  • A Sister

Best animated short

  • Hair Love
  • Dcera (Daughter)
  • Kitbull
  • Memorable
  • Sister

Best documentary short

  • Winner: Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl)
  • In the Absence
  • Life Overtakes Me
  • St Louis Superman
  • Walk Run Cha-Cha


Fonte: https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-51093954